quid pro quod

A Folha de São Paulo, em matéria assinada por Rubens Valente, noticiou as deambulações do finado político José Dirceu por vários países e repartições públicas eventualmente realizando o que melhor sabe fazer: lobby - coisa que o petista nega, of course. (FSP de 19/8/2007)
Mas a matéria, à parte a sua notória inespecificidade – afinal, não logrou obter qualquer informação que valesse um vintém – acabou inserindo um parágrafo muito esquisito. Vejam só:
“O presidente do Irib (Instituto de Registro Imobiliário do Brasil), Helvécio Duia Castello, é dos poucos a divulgar na internet que manteve encontro com Dirceu. Disse que foram cerca de 20 minutos, no escritório da rua Sena Madureira. Castello, filiado ao PT do Espírito Santo, foi deputado federal entre 1991 e 1994.O Irib retirou de sua página na internet a menção ao encontro. O instituto define-se como uma entidade sem fins lucrativos que tem como objetivo “o estudo e a pesquisa de procedimentos e normas jurídicas referentes ao registro de imóveis e o assessoramento de autoridades públicas e órgãos governamentais”.
O leitor atento deverá ter percebido que não está dito que a visita do Presidente do Irib ao Zé Dirceu se deveu a contatos ou interesses políticos, ou outros escusos, embora a citação e as sobejantes referências ao Instituto levem à decalcada conclusão de que há aqui interesses obscuros – tão oclusos quanto serão os outros alistados.
A notícia do encontro figurava numa agenda interna do Instituto. Não estava indexada nos motores de busca. Veja o que nos revela a pesquisa no Google: Helvécio + Dirceu + Irib… Não há mais do que indicadores para as notícias repercutidas pela própria Folha. Nem o espelho em cache de uma possível figuração do texto no site do Irib existe – o que prova que o texto não era acessado (e nem foi feito para isso), nem representou maior interesse para os internautas.
Certamente o jornalista chegou ao endereço por expressa indicação. Não teria chegado de outra forma. Quem terá feito a indicação? Quais os interesses envolvidos?
Tão inesperada (e estranha) foi a notícia que a tarde de ontem fiquei a responder a perguntas dos amigos sobre as estranhas relações entre o Instituto que presidi e o malfadado político brasileiro. Maior ainda foi a perplexidade quando, pontualmente, o Boletim da AnoregSP repercutiu a nota em sua edição nº 669, de 20/8/2007.
Estranho. Muito estranho.

Uma resposta para quid pro quod

  1. Post scriptum: despiciendo afirmar que eu não tenho a mínima idéia do que tratou o presidente do Irib na dita reunião.

    Não tenho por que ser informado.

    Essa é uma outra questão que um dia, quem sabe, o jornalista pudesse informar.

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