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	<title>Comentários sobre: Memorial de Ayres</title>
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	<description>Registradores brasileiros na Internet</description>
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		<title>Por: História do Direito Registral &#171; Educartório &#8211; educação continuada de cartórios</title>
		<link>http://cartorios.org/2010/01/13/memorial-de-ayres/#comment-379</link>
		<dc:creator><![CDATA[História do Direito Registral &#171; Educartório &#8211; educação continuada de cartórios]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Mar 2011 11:49:35 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[[...] aprofundamento, acesse: Soriano Neto, Machado, Rui e a queima de arquivos e Memorial de Ayres (Sérgio [...]]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] aprofundamento, acesse: Soriano Neto, Machado, Rui e a queima de arquivos e Memorial de Ayres (Sérgio [...]</p>
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	<item>
		<title>Por: Período Republicano &#8211; 1899 a 1916 &#171; Biblioteca Digital Medicina Animae</title>
		<link>http://cartorios.org/2010/01/13/memorial-de-ayres/#comment-256</link>
		<dc:creator><![CDATA[Período Republicano &#8211; 1899 a 1916 &#171; Biblioteca Digital Medicina Animae]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 01:58:01 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[[...] → cfr. comentário do Dr. Ermitânio Prado &#8211; Memorial de Ayres. [...]]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] → cfr. comentário do Dr. Ermitânio Prado &#8211; Memorial de Ayres. [...]</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Penhor de escravos e queima de livros de registro &#171; Observatório do Registro</title>
		<link>http://cartorios.org/2010/01/13/memorial-de-ayres/#comment-254</link>
		<dc:creator><![CDATA[Penhor de escravos e queima de livros de registro &#171; Observatório do Registro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 01:38:24 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[[...] Confira: Soriano Neto, Machado, Ruy e a queima de arquivos e Memorial de Ayres, texto do Dr. Ermitânio [...]]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] Confira: Soriano Neto, Machado, Ruy e a queima de arquivos e Memorial de Ayres, texto do Dr. Ermitânio [...]</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Sarah Perales</title>
		<link>http://cartorios.org/2010/01/13/memorial-de-ayres/#comment-251</link>
		<dc:creator><![CDATA[Sarah Perales]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Jan 2010 20:36:13 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Dr. Ermitânio, D. Epifânia e outros leitores do Observatório e de Machado,

Recomendo-lhes a leitura dos contos do &quot;bruxo do Cosme Velho&quot;, nos quais estão os mais refinados ardis narrativos deste escritor, presentes também em &quot;Memorial de Ayres&quot;, encobridor de sutis intenções.   

Tal narrador pretende sempre inquietar, desassossegar o leitor. Até o mais cauteloso dos leitores pode se deixar levar. 

Não há julgamentos morais no relativismo das ideias subjacentes ao discurso dos narradores machadianos.

Saudações,
Sarah Perales]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Dr. Ermitânio, D. Epifânia e outros leitores do Observatório e de Machado,</p>
<p>Recomendo-lhes a leitura dos contos do &#8220;bruxo do Cosme Velho&#8221;, nos quais estão os mais refinados ardis narrativos deste escritor, presentes também em &#8220;Memorial de Ayres&#8221;, encobridor de sutis intenções.   </p>
<p>Tal narrador pretende sempre inquietar, desassossegar o leitor. Até o mais cauteloso dos leitores pode se deixar levar. </p>
<p>Não há julgamentos morais no relativismo das ideias subjacentes ao discurso dos narradores machadianos.</p>
<p>Saudações,<br />
Sarah Perales</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Ricardo Dip</title>
		<link>http://cartorios.org/2010/01/13/memorial-de-ayres/#comment-250</link>
		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Dip]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Jan 2010 13:00:53 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A cada dia que passa (com minha trágica incursão no meridiano) mais me convenço do valor profético de &quot;Os Demônios&quot; de Dostoiévksi.

Sugiro sua detida releitura pelo Dr. Ermitânio e pela Dra. Epifânia, cujas letras, no mais alçado dos estilos, é motivo da mais alta satisfação de meus desgastadíssimos neurônios.

RD]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>A cada dia que passa (com minha trágica incursão no meridiano) mais me convenço do valor profético de &#8220;Os Demônios&#8221; de Dostoiévksi.</p>
<p>Sugiro sua detida releitura pelo Dr. Ermitânio e pela Dra. Epifânia, cujas letras, no mais alçado dos estilos, é motivo da mais alta satisfação de meus desgastadíssimos neurônios.</p>
<p>RD</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Epifânia Neves</title>
		<link>http://cartorios.org/2010/01/13/memorial-de-ayres/#comment-249</link>
		<dc:creator><![CDATA[Epifânia Neves]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jan 2010 21:24:09 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://cartorios.org/?p=1021#comment-249</guid>
		<description><![CDATA[Caro Doutor Ermitânio,

Como tem passado?

Soube que, desde as leituras de Carl Gustav Jung, reiteradamente sonha com o coração se divorciando da consciência. Interessante alusão. No entanto, preocupo-me que haja desenvolvido crises de gota como projeção desta luta racional. Ocorre-me dizer-lhe que se tranqüilize, pois sempre haverá um véu suficientemente espesso para justificar o pecado. Ora, em tempos de dessacralização burguesa, meu amigo, o autoflagelo é já demasiado.

Folgo em saber que retoma as suas atividades, apesar da gota (ou, quem sabe, por conta desta - pouco importa).

O que importa, de fato, é a criação poética - a sua e a deste seu antepassado espiritual - cujas personalidades críticas, no sentido mais eversivo do termo, se souberam transmutar por aí, quem sabe, numa Rua do Ouvidor.

Imagino-os caminhando, acordes com que se devam associar na unidade do mesmo gesto o crer e o viver; e debatendo se haveria uma verdade última a que se poderiam reduzir as convenções, os hábitos e o obscuro destino do homem.

Destino obscuro, porém indistinto em miséria. A costureira Dona Plácida, filha natural de um sacristão da Sé e de uma mulher que fazia doces para fora, expressa o vislumbre machadiano deste mundo sem futuro para o escravo emancipado, nada restando de solene da proposição de Nabuco:

E de crer que Dona Plácida não falasse ainda quando nasceu, mas se falasse podia dizer aos autores de seus dias: — Aqui estou. Para que me chamastes? E o sacristão e a sacristã naturalmente lhe responderiam: — Chamamos-te para queimar os dedos nos tachos, os olhos na costura, comer mal, ou não comer, andar de um lado para outro, na faina, adoecendo e sarando, com o fim de tornar a adoecer e sarar outra vez, triste agora, logo desesperada, amanhã resignada, mas sempre com as mãos no tacho e os olhos na costura, até acabar um dia na lama ou no hospital; foi para isso que te chamamos, num momento de simpatia.

Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, p.56. Edição da Fundação Biblioteca Nacional. Departamento Nacional do Livro; http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000167.pdf

A liberdade propalada não era apenas fruto de ingenuidade idealista, mas uma retórica cruel (atentemo-nos às sutilezas do texto). Por certo, algo irônico, certa vez justificou até mesmo Cotrim no trato com os escravos: “não se pode honestamente atribuir à índole original de um homem o que é puro efeito de relações sociais”.                                                                        

Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, p.83. Fundação Biblioteca Nacional. Departamento Nacional do Livro; http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000167.pdf

Efeito de relações sociais
 

Não sem assombro, Machado de Assis compreendeu que não se pode dar voz ao Segundo Reinado lançando mão do ardil nobiliárquico. Se a baronia burocrática estava ferida de morte pelo capitalismo nascente, este moralista, sem motivos para lamentar a transição, a registra com olhos sarcásticos, de ressaca.

Não há para ele um “bom passado” para retornar, tampouco quaisquer prospecções para o destino humano.  Mira o futuro com a resistência do mulato que se evade da armadura social (ele sempre soube que o mundo é bem mais complexo do que supõe o seco reino das ideias).

Adverte, neste sentido, que um reformismo legal desprovido de correspondência fática jamais poderia “aviventar uma instituição, se esta não corresponder exatamente às condições morais e mentais da sociedade. Pode a instituição subsistir com as suas formas externas; mas a alma, essa não há criador que lha infunda”.

Machado de Assis, Notas Semanais (1878), p.29; http://zaapnet.com/conteudo/pesquisa/literatura/autores/machado_de_assis/notas_semanais.pdf

À alma sincrônica, meu caro amigo!

Um abraço e o desejo de sua mais pronta recuperação,

Epifânia Neves]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Doutor Ermitânio,</p>
<p>Como tem passado?</p>
<p>Soube que, desde as leituras de Carl Gustav Jung, reiteradamente sonha com o coração se divorciando da consciência. Interessante alusão. No entanto, preocupo-me que haja desenvolvido crises de gota como projeção desta luta racional. Ocorre-me dizer-lhe que se tranqüilize, pois sempre haverá um véu suficientemente espesso para justificar o pecado. Ora, em tempos de dessacralização burguesa, meu amigo, o autoflagelo é já demasiado.</p>
<p>Folgo em saber que retoma as suas atividades, apesar da gota (ou, quem sabe, por conta desta &#8211; pouco importa).</p>
<p>O que importa, de fato, é a criação poética &#8211; a sua e a deste seu antepassado espiritual &#8211; cujas personalidades críticas, no sentido mais eversivo do termo, se souberam transmutar por aí, quem sabe, numa Rua do Ouvidor.</p>
<p>Imagino-os caminhando, acordes com que se devam associar na unidade do mesmo gesto o crer e o viver; e debatendo se haveria uma verdade última a que se poderiam reduzir as convenções, os hábitos e o obscuro destino do homem.</p>
<p>Destino obscuro, porém indistinto em miséria. A costureira Dona Plácida, filha natural de um sacristão da Sé e de uma mulher que fazia doces para fora, expressa o vislumbre machadiano deste mundo sem futuro para o escravo emancipado, nada restando de solene da proposição de Nabuco:</p>
<p>E de crer que Dona Plácida não falasse ainda quando nasceu, mas se falasse podia dizer aos autores de seus dias: — Aqui estou. Para que me chamastes? E o sacristão e a sacristã naturalmente lhe responderiam: — Chamamos-te para queimar os dedos nos tachos, os olhos na costura, comer mal, ou não comer, andar de um lado para outro, na faina, adoecendo e sarando, com o fim de tornar a adoecer e sarar outra vez, triste agora, logo desesperada, amanhã resignada, mas sempre com as mãos no tacho e os olhos na costura, até acabar um dia na lama ou no hospital; foi para isso que te chamamos, num momento de simpatia.</p>
<p>Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, p.56. Edição da Fundação Biblioteca Nacional. Departamento Nacional do Livro; <a href="http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000167.pdf" rel="nofollow">http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000167.pdf</a></p>
<p>A liberdade propalada não era apenas fruto de ingenuidade idealista, mas uma retórica cruel (atentemo-nos às sutilezas do texto). Por certo, algo irônico, certa vez justificou até mesmo Cotrim no trato com os escravos: “não se pode honestamente atribuir à índole original de um homem o que é puro efeito de relações sociais”.                                                                        </p>
<p>Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, p.83. Fundação Biblioteca Nacional. Departamento Nacional do Livro; <a href="http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000167.pdf" rel="nofollow">http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000167.pdf</a></p>
<p>Efeito de relações sociais</p>
<p>Não sem assombro, Machado de Assis compreendeu que não se pode dar voz ao Segundo Reinado lançando mão do ardil nobiliárquico. Se a baronia burocrática estava ferida de morte pelo capitalismo nascente, este moralista, sem motivos para lamentar a transição, a registra com olhos sarcásticos, de ressaca.</p>
<p>Não há para ele um “bom passado” para retornar, tampouco quaisquer prospecções para o destino humano.  Mira o futuro com a resistência do mulato que se evade da armadura social (ele sempre soube que o mundo é bem mais complexo do que supõe o seco reino das ideias).</p>
<p>Adverte, neste sentido, que um reformismo legal desprovido de correspondência fática jamais poderia “aviventar uma instituição, se esta não corresponder exatamente às condições morais e mentais da sociedade. Pode a instituição subsistir com as suas formas externas; mas a alma, essa não há criador que lha infunda”.</p>
<p>Machado de Assis, Notas Semanais (1878), p.29; <a href="http://zaapnet.com/conteudo/pesquisa/literatura/autores/machado_de_assis/notas_semanais.pdf" rel="nofollow">http://zaapnet.com/conteudo/pesquisa/literatura/autores/machado_de_assis/notas_semanais.pdf</a></p>
<p>À alma sincrônica, meu caro amigo!</p>
<p>Um abraço e o desejo de sua mais pronta recuperação,</p>
<p>Epifânia Neves</p>
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