Kollemata

kollemataCapaQual a razão de se eleger o nome Kollemata (lê-se kollémata) para esta coletânea de jurisprudência?

Em primeiro lugar, era necessário um nome para a coletânea, forjar um ícone, desenvolver a identidade de um projeto que representa muito para os registradores, notários, magistrados, advogados, promotores, enfim, para todos os profissionais que atuam na área das Notas e Registros brasileiros.

Depois, era preciso distinguir este de outros projetos, alguns consumados e reconhecidos como o Thesaurus, coletânea mais extensa e diversificada do que esta iniciativa que se centra, exclusivamente, no rico repertório de jurisprudência administrativa e registral produzida nas últimas décadas no Estado de São Paulo.

As notas particulares desta coletânea recomendavam, pois, um nome próprio.

Mas, porque Kollemata?

Kollema, plagula, folium

A resposta há de ser buscada nas origens da escrita e de seus meios de fixação – mais precisamente nos rolos de papiros do antigo Egito e Grécia, que se construíam com a junção de  folhas que eram coladas formando coleções de documentos.

A formação da palavra κολλημα (colagem, soldagem) se liga a κολλα (cola, goma).

As expressões, contudo, suscitavam grande debate entre os especialistas.

Distinguindo os termos com a κολλημα diz Lewis que o conhecimento clássico do final do século XIX e início do século XX albergava agudo desacordo sobre o significado desses termos, mas as evidências acumuladas com a progressiva divulgação de textos de papiros finalmente deixou a disputa de lado. Os dois termos representam os dois aspectos inerentes ao nosso conceito de uma página escrita ou impressa: kóλlhma, “o resultado da colagem”, daí “a coisa colada”, uma folha num rolo de papiro; selie” significava uma coluna de escrito.

Esses significados básicos subsistem no conclusivo conjunto textual. A primeira menção, anteriormente referida, de (…), que só pode se remeter a rolos de cinqüenta folhas cada um. Em seguida, o colofon do Herculaneum Rolo 1414 regista um texto de 95 kollemata e 137 colunas de escritos “, o que deve significar 137 colunas de texto escrito em um rolo ou em rolos constituídos de 95 folhas de papiro (algumas das colunas obviamente escritas por toda a junção da kollemata, prática que, como já referido no capítulo 3, foi bastante usual). Um relato do século primeiro inclui a compra de metade de uma folha de papel em branco, [grego]. Do mesmo modo, num grupo datado do primeiro quarto do século, despesas de viagem são, por vezes, inscritas em papel em branco [língua grega]

Kollemata é o plural de kollema, que significa, simplesmente, folio, plagula, folha.  Pelo process da kollesis, sobrepõem-se os kollema, que, em conjunto, formam uma kollemata.

A idéia que permeia este projeto foi, desde o início, a de construir um repertório, internamente cerzido por múltiplas referências cruzadas, hiperlinks, ligando as decisões em pontes de informação e consulta. Reportando-nos à articulação das folhas de papiro, o nome kollemata veio bem a calhar.

Mas a expressão grega atravessaria um longo tempo até chegar a nós como apropriada à nossa coletânea. À ela se liga desde as origens outra – esta muito mais familiar à nossa faina diuturna. Trata-se da chave do registro, na feliz expressão do nosso Nabuco de Araújo.

Porém, vamos, antes, às fontes, tentar recuperar a idéia que se aninha no conceito de kollemata.

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