Fazenda quer mais concorrência em cartórios, funerárias & táxis.
Parece brincadeira, não é mesmo? É sério, acredite!
O titular da Secretaria Especial de Assuntos Econômicos do MF, declarou ao jornal Valor Econômico de ontem (14/8/2006, A3, Brasil)* que “no caso dos cartórios de registro de imóveis, a Seae quer verificar se é necessária a tradicional divisão por áreas para a prestação desses serviços. Na Itália já estão rompendo com essa praxe”.
Essa inacreditável proposta não é fruto de geração espontânea ocorrida nas reentrâncias da Secretaria, como se imaginava que ocorria com os ratos na idade média. A extravagante concepção concorrencial se deu com grande antecedência nas ideias delusórias de alguns luminares da categoria. E o mais surpreende de tudo isso é que as propostas vicejaram e acabaram sendo irradiadas por algumas organizações. Explico-me.
Há algum tempo, recebi uma inusitada abordagem de um registrador que, inconformado com o viço da videira alheia, esforçava-se para alcançá-la aos saltos de gazela , sem que contudo lograsse êxito.
Ainda não estão maduras”, desdenhava das uvas; “não as quero apanhar verdes”, despistou. E logo se pôs a obrar com diligência e aplicação.
Passado mais algum tempo, deu a lume (melhor seria dizer que pariu na penumbra) um anteprojeto de lei em que propunha o fim da territorialidade no registro de imóveis.
Aos ínferos sulfúricos a circunscrição imobiliária que tanto me infelicita! — bradava nas antecâmaras de Neverland, seu cafofo cartorial, entre anões, faunos, víboras e áulicos. Os efebos, meus patrícios, haverão de me entender e apoiar. Somos filhos de Juno! Nem que para isso tenhamos que me socorrer dos plácidos Sáurios, invocar os Sumos Hierarcas de Antianvs.
E assim, montada nos costados de artrópodes, a proposta correu os meridianos e chegou-me prosaicamente em uma folha de fax já empastelada. Tenho-a à frente, para confirmar esta história extraordinária. Guardo-a para prova no futuro? Já se desvanece… Não cito nomes, apenas apodos. E me socorro dos que ainda vivem — ou sobrevivem, como eu. (EP).
* A matéria foi reproduzida no site da AnoregBR: https://www.anoreg.org.br/site/imported_7038/ [mirror].
