Posta Sobejante – Luiz Aldana

Homem escrevendo em um livro aberto em uma mesa, com bandeiras de diferentes países ao fundo.

Dr. Jacomino,

os gaúchos de fronteira são diferentes, pelo fato de serem gaúchos de fronteira. É da cultura de uma nação. Ou é azul ou é vermelho, mas sempre é. Jamais entre um e outro.

Não nos interessamos muito em se certo ou errado, interessa-nos estar em alguma trincheira. Agradando ou não, vale o orgulho. Chimango ou Maragato? De um lado ou do outro. Gostamos de pessoas que são, que se posicionam e, principalmente, que possuam galhardia. Não mais para a insanidade da guerra entre povos ou nações, mas para a luta em defesa do que percebem como nobre.

Feliz daquele que tem no que acreditar e confiar. Sou um gaúcho de fronteira e sempre me posiciono e por tal motivo quero lhe afirmar que suas posições – essas que conhecemos, do profissional – têm sido fundamentais. Tens nos encorajado, porque nos faz crêr que não fomos abandonados. Não há solidão, nem deserto de idéias.

Agradeço a deferência da citação. Orgulha a mim e as pessoas da nossa pequena Montenegro – esta cidade que adotei como minha.

Informo-lhe que no meu artigo científico para a PUC Minas também citei algum dos seus pensamentos à auspiciosa orientação do Dr. Samuel Araújo.

O Observatório é imprescindível. Espero que nos anos vindouros possa continuar apossando-me de seus textos.

Muitas realizações!

Luiz Américo Alves Aldana.

Homem tocando violão, usando um chapéu branco e um blazer claro, sentado em um ambiente com flores ao fundo.

NE. Conheci Aldana em evento promovido pela Universidade de Coimbra. Já não me lembro o ano. O que, sim, me recordo muito bem é um fato curioso e revelador de sua complexa personalidade: estávamos todos comemorando o encerramento do curso e Aldana, repentinamente, subiu ao palco, companhado de seu violão, e se pôs a interpretar guarânias. Colheu-nos a todos surpresos e encantados. Assim era Aldana, conhecido como “Paraguaio”… Luiz partiu a 31 de outubro de 2021. Soube, algum tempo depois, que havia passado no concurso e assumido uma serventia em São Roque, Minas Gerais. Passou em primeiro lugar, segundo consta. Desde aqueles idos (e da nota lisonjeadora acima) nunca mais nos falamos. Fica aqui registrada a minha admiração por este valoroso colega. (SJ, mar./2026).

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