The Medium is the Massage: An Inventory of Effects (1967), Marshall McLuhan e Quentin Fiore.
O georreferenciamento é basicamente dados. Uma sopa eletrônica de variáveis e constantes. Deem-me uma linguagem e eu lhes darei… uma sintaxe! Mas mudou o medium, mudou o código, ergo: Linguam habemus!
O meio é a mensagem, bradava McLuhan. Não resisto à boutade concretista: a “fôrma é o conteúdo”!
Como fazer para “descrever” o imóvel na matrícula? Não dá para conciliar essa babel de linguagens de maneira confortável.
Não sabemos o que fazer com esse vinho novo. Joguemos ao léu os odres velhos! O meio cartáceo tradicional da matrícula (já) reclama o apoio de outro medium para acomodar os objetos dessa novilíngua.
O registro deve se reinventar. O Registro deve ser… Multimedia. Multimodal. Multicanal. Multifuncional.
As pedras do registro clamam: em vez de classificadores A-Z, arquivos eletrônicos! Assinados digitalmente.
A Revista Piauí desse mês está deliciosa. Fala de um lugar na urb, site onde ocorre uma feira de rua, Feira do Rolo, onde rola de tudo. São Mateus é um enclave numa grande metrópole bandida.
Para quem está acostumado a ir às compras nicolinas nos higiênicos shopping centers da Capital, e se mete gostosamente nesses castros pós-modernos – onde o tempo não corre e o consumo eterno se realiza num interminável coito interrompido – a Feira do Ladrão pode ser uma experiência, digamos, transcendente.
O Direito Romano e o escambo na ZL
A nótula publicada na Esquina trata de transações. Como se sabe, o mundo contemporâneo virou mercado. Vamos ao texto:
– “E o ponto?”, quer saber Francisco, que mora em Heliópolis, trabalha numa metalúrgica durante a semana, e procura uma fonte de renda adicional para sustentar a família de três filhos.
O “ponto”, no caso, é uma área de dois metros quadrados, demarcada com piche no asfalto da avenida, de onde o dono opera sua “lanchonete”, um tablado sobre cavalete, copos de plástico, cana e moedor. Tudo a céu aberto.
– “Dá uns quinhentos, mais uns quinze por mês pro pessoal aí”, responde o dono.
“É meu”, diz Francisco, que baixou na Feira como freguês num domingão ensolarado de novembro e dela saiu como proprietário de um novo negócio. Pagou R$ 2.500,00 trocando menos de dez palavras.
As aproximações assíncronas são tão deliciosas quanto uma viagem domingueira à bordo do Enclave do Ladrão. Embarca e relaxa!
Traditiomateriae
Francisco pronuncia a palavra-chave nesse ritual decisivo: meum esse! Consuma-se a traditio, o sucessivo de um ritual cerimonioso que sela as transações nesse imenso salão transtemporal. Reverbera a fórmula solene no ouvido interior – nessas antecâmaras da memória coletiva que trazemos sem o saber: hunc ego hominem ex iure quiritium meum esse aio isque mini emptus esto hoce aere aeneaque libra…
Nós, os novos latinos, somos radicais. Fortes & formais. A oralidade é uma arma quente. Amamos os rituais. Estamos todos armados sob o arco do grande ius gentium.
Nessa tarde chuvosa, em que a Paulicéia se dissolve serenamente no lusco-fusco de diamantes e rubis, vale aprender a “discreta lição” de José Lourenço de Oliveira n´O formalismo quirício e a estipulação em Gaio sobre o ritualismo e o formalismo do Direito Romano. Está aqui [mirror], só para entendidos.
Neste final de tarde chuvoso em plena Capital de São Paulo, para não terminar o dia com a sensação de intermitência, aliás já denunciada, deste blogue, permito-me, respeitosamente, saudar o poeta à guisa de insinuar uma possível resposta a uma pergunta que não chegou a ser feita.
A especialidade me é impossível. Valho um sorriso. Você não é nem poeta, nem filósofo, nem geômetra – nem outra coisa. Você não aprofunda nada. Com que direito você fala daquilo a que não se consagrou com exclusividade? Eu sou como o olho que vê o que vê. Seu menor movimento muda o muro em nuvem a nuvem em relógio; o relógio em letras que falam. Talvez esteja aí a minha especialidade (Paul Valéry)
Em nota da Folha de São Paulo de 16/12/2006, noticiou-se a visita da delegação de técnicos chineses aos cartórios brasileiros, tendo sido recebidos pelo presidente da ARISP, Flauzilino Araújo dos Santos e pelos diretores do IRIB.
Delegação chinesa vem a SP conhecer sistema de registro de imóveis (Folha Online)
Nesta segunda-feira (18), uma delegação de Xangai visita o 1º Ofício de Registro de Imóveis de São Paulo para conhecer de perto o funcionamento do sistema de registro imobiliário brasileiro.
A China passa por reformas estruturais e abrirá uma nova área imobiliária em Xangai, razão do interesse por tudo o que diga respeito ao direito de propriedade.
Os visitantes chineses serão recebidos pelo presidente da Arisp (Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo), Flauzilino Araújo dos Santos, e pelos diretores do Irib (Instituto de Registro Imobiliário do Brasil), Sérgio Jacomino, Patrícia Ferraz e George Takeda.
Há uns dias, registrava aqui mesmo minha perplexidade acerca da bancarização dos cartórios, divulgada pelos indefectíveis boletins eletrônicos como uma grande conquista da categoria dos notários e registradores.
À parte a minha estupefação – e de algum blogauta atento -, um movimento de questionamentos acerca dessas ideias luminosas de adesão à banca está em pleno andamento em instâncias próprias para avaliar e decidir a oportunidade e conveniência dessa capitulação heterodoxa.
Luiz Aldana postou um questionamento veemente aqui mesmo, neste blogue:
“Posto bancário? Iminente traição ao Povo, ao Constituinte e aos antepassados registradores de imóveis. Tu quoque, Brute, fili mi? – teria pronunciado o imperador romano Julio César antes de tombar sob os golpes dos conjurados, dentre eles, Brutus – seu filho. Na Itália de hoje, a expressão indica a surpresa de uma pessoa diante do comportamento de outra, principalmente se esta se deixa seduzir por uma moda considerada inferior. (Renzo Tosi, in Dizionario Delle Senteze Latine e Greche – RCS : Milão, 1991, p. 129)”.
A matéria deve ser discutida criticamente, debatida fora dos estreitos círculos de interesses que movimentam as decisões corporativas.
Para se ter uma idéia dos vários problemas que eventualmente enfrentemos, vale refletir sobre a matéria públicada no Valor Econômico da data de hoje (26/12/2006) que traz importante notícia acerca dos correspondentes bancários. Transcrevo-a abaixo. Ela é auto-explicativa – mesmo para aqueles que insistem em não o saber; ou teimam em não o querer saber. Para falar a verdade, acho que estamos diante daqueles que simplesmente odeiam os que insistem em saber…