A Folha de São Paulo de hoje publicou editorial (confira abaixo) dirigido contra a PEC 471, de 2005, de autoria do deputado João Campos.
Não há como discordar da posição do jornal. Nós mesmos, aqui neste site, temos discutido o tema tentando abordar os vários aspectos envolvidos.
Contudo, o jornal comete deslizes e veicula equívocos que merecem ser enfrentados e refutados. A falta de informação precisa gera aguda desinformação. O editorialista da FSP comete alguns erros históricos:
1) De pai pra filho. Diz o jornal que, antes da CF/1988, os titulares eram “indicados por apadrinhamento político”. Isto é um erro. Nós sabemos que o Decreto 9.420/1885 introduziu a exigência de concurso público para o provimento de ofícios (art. 1°). Mais tarde, pelo Decreto 3.322, de 14.7.1887, a Princesa Isabel Leopoldina, Regente do Império, reiteraria a exigência. O que permitiu a proliferação de cartórios vagos, ocupados por interinos por tanto tempo, não foi falta de legislação; foi a falta de ação política.
2) Cargos, “regiamente remunerados”. Outro erro palmar. Primeiro, não se trata de cargo, mas delegação de serviço público; depois, perto de 70% dos cartórios vivem de rendas menores do que, em regra, ganha um profissional do direito em cargos estatais em suas respectivas carreiras (contados os benefícios diretos e indiretos, especialmente a falta de responsabilidade pelos atos praticados, o que gera um custo adicional relevantíssimo e, via de consequência, comprometimento da renda das pequenas serventias). Falta estudo e maior rigor nas afirmações genéricas e preconceituosas.
(3) Livre concorrência nas atividades registrais. Mais um erro. As partes não escolhem o juiz que julgará o pleito ou apitará a partida; nem se escolhe o fiscal da receita federal que vai auditar suas contas. Tudo isso leva à ideia, já remansosa em fóruns internacionais, de que certas atividades não podem submeter-se às regras de livre escolha sancionada pelo mercado. Sob pena de alterar-lhe a própria essência.
Falta desenvolver esses temas. Mas isso fica por conta de “nossas” entidades de classe, que parecem mais preocupadas com outras coisas do que atuar, dia após dia, para afastar o preconceito.
Modernizar os cartórios
Pródigo em decisões contra o interesse público, o Congresso se prepara para reexaminar uma proposta de emenda constitucional de 2005 para dar titularidade a donos de cartórios que não cumprem a exigência de concurso público.
De tempos em tempos, algum político tenta reavivá-la, como fez recentemente o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB). O deputado potiguar justificou a decisão de pôr o assunto em pauta com um suposto “desgaste” após as idas e vindas do projeto.
A aprovação da PEC, contudo, geraria desgaste muito maior –para toda a sociedade, refém de um arcaico sistema notarial.
Antes da Constituição de 1988, os titulares de cartórios eram indicados por apadrinhamento político. Depois dela, tornou-se obrigatório preencher os cargos por concursos. Só em 1994 uma lei federal regulamentou os serviços notariais e de registro civil.
A PEC dos Cartórios propõe que aqueles à frente do serviço por cinco anos ininterruptos ganhem a titularidade, mesmo sem concurso.
Em maio de 2012, entrou em pauta na Câmara, sem que a votação tenha sido concluída, um texto similar, mas que acrescentava uma condição: a manobra só beneficiaria quem tivesse assumido um cartório até o final de 1994.
A cláusula extra não basta para salvar a proposta. Os deputados agiriam melhor se, em vez de sacramentar privilégios, buscassem modernizar as regras de serviços cartorários no país.
Conforme a legislação atual, os cargos, regiamente remunerados, são vitalícios. Além disso, há pouco incentivo para que o tabelião melhore a qualidade dos serviços, já que a concorrência é limitada.
Uma reforma poderia começar pela simplificação das inúmeras exigências documentais feitas pelos três níveis de governo. Muitas dessas exigências burocráticas são desnecessárias e só servem para empatar a vida dos cidadãos.
A criação de um regime de concorrência livre nos serviços de registros de caráter privado, como no caso de contratos, também beneficiaria a sociedade. Não há necessidade de submetê-los a um monopólio de concessões, sendo suficiente a formulação de regras para qualquer firma atuar no setor.
Administrar um “cartório” extrajudicial é planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de recursos e elementos humanos com a finalidade da melhor prestação possível dos serviços notariais e de registro.
Nos termos do artigo 21 da Lei 8.935, de 18 de novembro de 1994, o tabelião ou oficial de registro tem responsabilidade exclusiva sobre o gerenciamento administrativo e financeiro da unidade extrajudicial. Não há participação do Estado nos investimentos. A unidade deve ser gerida de modo a propiciar uma prestação de serviços notariais e de registro da melhor qualidade.
Os futuros notários e registradores, após terem seus conhecimentos jurídicos aferidos por meio de disputado concurso público, ao iniciar na atividade, devem também cuidar, e muito, das questões administrativas e gerenciais da unidade que vão assumir.
Instalações físicas e sede da unidade
As instalações, mobiliário e equipamentos existentes compreendem, entre outros, os microcomputadores, scanners, impressoras, máquinas copiadoras, armários, balcões, mesas, cadeiras e prateleiras. Deve haver um ajuste com o proprietário destes itens para aquisição ou locação.
A unidade extrajudicial deve ser instalada em um local de fácil acesso, especialmente servida por meios de transporte coletivo, bem como ser bem iluminada, limpa, sinalizada e disponibilizar assentos em quantidade adequada para o público. Enfim, deve atender aos padrões necessários de conforto, higiene e segurança. A acessibilidade não deve ser esquecida para a possibilidade de utilização dos serviços pelos portadores de necessidades especiais. A disponibilização de água e toalete para os usuários do serviço também são necessárias.
O candidato aprovado tem a opção de manter a unidade no mesmo imóvel ou mudar. Também, pode se utilizar das instalações, mobiliário e equipamentos já existentes ou adquirir material novo. A análise sobre qual a melhor solução deve ser feita individualmente em cada unidade. O que não pode ocorrer é a interrupção na prestação dos serviços.
Controle dos atos praticados
O controle de todos os atos praticados é muito importante, sejam gratuitos ou pagos. Um sistema de informática de banco de dados é extremamente útil e necessário. Deve haver o lançamento diário dos atos praticados com seus respectivos fechamentos: diário, mensal e anual. No caso do registro civil das pessoas naturais, o controle das certidões fica facilitado se elas forem separadas por lotes de numeração distintos para os atos gratuitos e pagos. Em relação aos papéis inutilizados ou extraviados, deve haver campo disponível no sistema para lançamento desta informação. Todo papel inutilizado deve ser arquivado para conferência e controle efetivo dos atos praticados e seus recolhimentos.
Livro-caixa
O controle diário do caixa da unidade é extremamente importante. O software utilizado ou eventual planilha deve controlar as entradas e saídas de dinheiro em relação aos atos praticados. Assim, devem ser lançados os atos efetivamente pagos e aqueles que serão pagos posteriormente, como por exemplo, o dos usuários mensalistas, para possibilitar o correto fechamento do caixa no final do dia.
Extremamente importante é a leitura do capítulo XIII das Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo, em que há normatização para o lançamento das receitas e despesas no “Livro Diário de Receitas e Despesas”. As receitas lançadas neste livro são os emolumentos devidos ao notário ou registrador. As custas e contribuições (repasses) não podem ingressar como receita neste livro. Outro controle das receitas totais deve ser feito em separado. São lançados os atos pagos praticados, com remissão ao número do termo, livro e folha ou número de lançamento no livro protocolo; e, à direita colunas com os lançamentos dos valores dos emolumentos e de todas as custas e contribuições (repasses), com um totalizador ao final. Esta é a relação paralela dos atos praticados.
Em relação às despesas, no Livro Diário de Receitas e Despesas são lançadas apenas aquelas relacionadas à atividade da unidade, sem restrição, pouco importando se dedutíveis ou não. Este livro é destinado a refletir a real situação econômica da serventia e pertence à unidade, mesmo com o ingresso de novo delegatário. Deve ser visado pelo Juiz Corregedor Permanente anualmente no mês de fevereiro. O livro que pertence ao notário ou registrador é o Livro Caixa, que deve ser escriturado separadamente do Livro Diário de Receitas e Despesas. Neste livro apenas as despesas dedutíveis é que podem ser lançadas. O website da Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br) apresenta muitas informações e possibilita o download do programa carnê-leão. Por meio dele são lançadas as receitas, despesas, recolhimentos para a previdência social do tabelião ou registrador. O software gera demonstrativo mês a mês (que será utilizado na declaração anual do imposto de renda), além de emitir a DARF para o pagamento do Imposto de Renda Pessoa Física (carnê-leão) mensal.
Capital inicial, economia e investimentos
Para aqueles que estão iniciando e nunca tiveram contato com a administração de qualquer negócio, economizar no começo é bastante importante. A atividade não proporciona uma renda fixa todos os meses. As receitas e despesas são variáveis, podendo ocorrer algumas oscilações mais ou menos altas em decorrência de diversos fatores. Além do capital inicial necessário para a aquisição das instalações, mobiliário e equipamentos, um montante de capital de giro é necessário. Os registradores civis devem economizar mais no início. Todos os atos gratuitos indenizáveis do mês são pagos apenas no dia 20 do mês seguinte, desde que toda a documentação e planilha devidamente visada pelo Juiz Corregedor Permanente cheguem à entidade gestora (Sinoreg-SP) até o dia 5. Com isso, praticamente as despesas de dois meses são pagas para então ocorrer o recebimento desta indenização.
Obrigações e responsabilidade tributárias
A responsabilidade tributária do notário e registrador é muito grande. Ele é, ao mesmo tempo, contribuinte, responsável e substituto tributário. Ele é contribuinte no recolhimento mensal de seu INSS (contribuinte individual), do ISS e do IRPF (carnê-leão). O ISS cobrado atualmente varia conforme o município. Alguns municípios cobram um valor fixo anual. Outros fazem a cobrança por meio de uma alíquota de até 5% sobre o valor bruto dos emolumentos. Esta última modalidade de cobrança, salvo melhor juízo, é de legalidade duvidosa. O IRPF (Imposto de Renda de Pessoa Física) deve ser recolhido mensalmente, tendo como base de cálculo o saldo apurado no final do mês (receitas – despesas), além das deduções legais. Se o saldo for negativo (déficit), não há pagamento, e este valor é transportado para o mês seguinte, dentro do mesmo ano fiscal. O transporte do saldo negativo (déficit) de um ano para o outro não é possível. Se o saldo for positivo (superávit), o pagamento deve ser feito até o último dia útil do mês seguinte. Caso este dia caia em sábado, domingo ou feriado, o pagamento deve ser antecipado para o primeiro dia útil anterior. Usem apenas o software do carnê-leão fornecido pela Receita Federal para efetuar o cálculo do valor do Imposto de Renda Pessoa Física (carnê leão) para evitar possíveis erros e pagamento de multa e juros.
Atua, ainda, o tabelião como responsável tributário no recolhimento de ITBI e ITCMD devidos na lavratura de escrituras públicas. É substituto tributário no recolhimento das custas e contribuições devidas ao Estado pela prática de seus atos, e, no recolhimento das contribuições previdenciárias e IRRF(Imposto de Renda Retido da Fonte) como empregador. O recolhimento das custas e contribuições é feito semanalmente, à exceção do fundo para custeio do registro civil que é mensal. As custas devidas ao Tribunal de Justiça são feitas por meio de recolhimento de guia (boleto) gerada no website www.extrajudicial.tj.sp.gov.br (Portal do Extrajudicial). O acesso ao Portal deve ser diário. O lançamento dos atos praticados é feito semanalmente e o próprio sistema gera o boleto. Em caso de atraso ou recolhimento a menor, que configuram falta administrativa, o próprio sistema já calcula o valor da multa e juros moratórios. Ele, também, gera guia complementar no caso de lançamento a menor já efetuado.
DARE-SP
A partir de 1º.7.2013 é obrigatório o recolhimento das custas devidas ao Estado e Ipesp (Carteira de Previdência das Serventias não Oficializadas da Justiça do Estado), além da Contribuição de Solidariedade às Santas Casas de Misericórdia, por meio do portal da receita estadual (www.fazenda.sp.gov.br) no link DARE-SP, logo abaixo de “Ambiente de Pagamentos”. Este portal gera um documento único chamado DARE (Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais), que deve conter os “documentos detalhe“ dos valores referentes ao Ipesp, Estado e Santas Casas. Exceção apenas às unidades de registro de imóveis, títulos e documentos e civil de pessoa jurídica que não recolhem a contribuição devida às santas casas de misericórdia, por expressa disposição legal.
O acesso a este portal pode ser feito com ou sem o e-CPF e já está disponível para utilização. A vantagem do acesso com o e-CPF é que ficam armazenadas as DAREs geradas e os pagamentos efetuados. O novo delegatário deve alterar o cadastro do responsável pela unidade no site. O oficial ou tabelião que estejam respondendo pela unidade interinamente ingressam com seu e-CPF no site para que a alteração seja feita.
Registro Civil – fundo de custeio
O recolhimento ao fundo de custeio do registro civil que efetua a indenização para compensação dos atos gratuitos e complementação da renda das unidades deficitárias é feito por meio de pagamento mensal de boleto bancário à entidade gestora, que no Estado de São Paulo é o SINOREG-SP. Anualmente a entidade envia um carnê com os boletos para preenchimento e pagamento mensal. Apenas em relação aos atos de registro civil é que não incidem custas para este fundo. Em relação aos atos praticados pelas outras especialidades há incidência de custas destinadas ao custeio do fundo do registro civil. Não se esqueçam que a unidade de registro civil irá recolher para o fundo em razão da prática de atos notariais, tais como autenticações, reconhecimento de firmas e procurações.
Em caso de atraso, a multa moratória devida é de 0,33 pontos percentuais ao dia, com limite máximo de 20%. Os juros moratórios devidos são de 1% compostos mensalmente. Em caso de atraso de apenas um dia, prevê a lei a incidência de 1% de juros de mora (alíquota mínima). Todas as disposições sobre custas e emolumentos estão expressas na Lei Paulista 11.331, de 26 de dezembro de 2002.
Despesas gerais da serventia
No decorrer do mês, há várias despesas incidentes sobre a unidade que são de responsabilidade do notário ou registrador, tais como: aluguel do imóvel, imposto de renda incidente sobre o valor deste aluguel, tarifa de energia elétrica e telefone, taxa de água e esgoto, internet (verifique se há exigência da municipalidade em utilizar IP fixo para a geração das guias de recolhimento de ITBI), alarme e monitoramento, escritório de contabilidade, locação das máquinas fotocopiadoras, folha de pagamento dos prepostos e seus encargos etc. Muita atenção e cautela em relação ao 13º salário. O ideal é efetuar uma provisão de 1/12 avos, todos os meses, para que no final do ano não haja dificuldade financeira com estes pagamentos. Em relação aos papéis de segurança, existe também o custo com selos de autenticidade, certidões e livros. Há necessidade de se manter classificadores obrigatórios, conforme disposição expressa do já mencionado capítulo XIII das NSCGJ. O ideal é a contratação de empresa especializada que fornece tais arquivos.
Em relação às contas a receber, as unidades que trabalham com usuários mensalistas devem estar atentas em relação ao fluxo de caixa. Geralmente tais usuários efetuam os pagamentos mensalmente, ou seja, o notário ou registrador deverá custear estes serviços, recolhendo as guias de custas e contribuições no mínimo por quatro semanas seguidas, para só então receber o valor total. Outro dado importante, para evitar dissabores com os usuários, é a informação prévia do valor dos emolumentos antes da prática do ato. Sempre informe o valor total dos serviços antecipadamente para que o usuário autorize sua execução.
O controle destes valores a receber deve ser feito com muita organização e atenção para evitar atrasos ou não pagamentos. Os sistemas de informática devem ter registro em arquivo, de acesso restrito, de todas as atividades que os usuários efetuam para melhor controle da unidade.
Recursos humanos
O tema recursos humanos parece ser a parte mais desafiadora e importante da unidade, tanto em relação aos prepostos, bem como no trato com os usuários dos serviços notariais e de registro. De nada adianta a unidade possuir instalações belíssimas e equipamentos de última geração se o ambiente de trabalho não for acolhedor e vibrante. O notário e registrador devem ser líderes de sua equipe, buscando meios para aumentar o entusiasmo e comprometimento. Há diversos maneiras para inspirar e aperfeiçoar a equipe. Pesquisas já comprovam algumas técnicas que não funcionam. A técnica do medo e da manipulação é desastrosa, pois os colaboradores lutam apenas para não perder o emprego, e, ainda, comunicação e cooperação da equipe ficam muito prejudicadas. A técnica da motivação por incentivos até funciona bem inicialmente, pois as pessoas trabalham mais para receber recompensas, mas, e, depois? Novos e melhores prêmios têm que ser apresentados constantemente. Atualmente a técnica da promoção do propósito e do crescimento pessoal tem apresentado maior sucesso. A valorização das pessoas e a compreensão da importância de sua contribuição para os serviços é muito eficaz.
O valor do salário e eventuais bônus devem ser compatíveis com o desempenho, dedicação e capacidade dos prepostos, mas de modo a se adequar à realidade econômica e financeira da unidade. Há muitos prepostos extremamente capazes em unidades pequenas que mereceriam ser mais bem remunerados, mas em razão do baixo volume de receitas da serventia isto não é possível. A avaliação sobre o real custo de um preposto na unidade não deve ser feito examinando apenas o valor de sua remuneração, outros fatores devem ser levados em conta.
O imóvel em que são prestados os serviços deve possuir um ambiente confortável e agradável, que promova uma sensação de bem estar. Todos passamos a maior parte de nosso dia no ambiente de trabalho. O notário ou registrador, para prestar um serviço que busca a excelência, é aquele que, além de saber fazer, deve saber orientar.
As responsabilidades dos prepostos devem ser bem definidas e quanto mais informações tiverem sobre suas atividades, melhor será o desempenho. O tabelião ou registrador deve ser uma pessoa inspiradora e otimista, tanto para seus colaboradores quanto para os usuários do serviço. Seja aberto, peça sugestões e idéias, aceite críticas; com isso, a prestação dos serviços e o ambiente de trabalho sempre melhoram.
Formação do quadro funcional
Invista nos seus prepostos, ofereça cursos, disponibilize pleno acesso a material jurídico, tais como jurisprudência e doutrina. Faça reuniões freqüentes, ouça sugestões, e, o mais importante, elogie as pessoas, isso vale muito. A motivação de sua equipe é o que gera a excelência na prestação dos serviços.
O notário ou registrador pode ter sólidos conhecimentos jurídicos, experiência, talento e capacidade, mas se sua equipe estiver desmotivada a prestação dos serviços será medíocre. A atividade notarial e de registro tem por finalidade a segurança jurídica, e, para sua consecução, o notário ou registrador deve ser uma pessoa de confiança para seus colaboradores e usuários do serviço. Nunca prometam o que não podem fazer. Sejam sempre francos, honestos, transparentes e claros em relação aos serviços da atividade notarial e de registro, bem como em relação aos valores dos emolumentos e prazos para sua realização.
O maior ativo da atividade notarial e de registro são as pessoas, a sua equipe. Quanto mais confiança você demonstrar, melhor será seu desempenho. Jamais faça críticas a seus prepostos em público ou na frente de outras pessoas em razão de eventuais falhas que possam ocorrer. Converse reservadamente, procurando, no início, escutar mais do que falar. Há excelentes prepostos que podem estar precisando ser mais bem trabalhados e treinados. É como se fosse um processo de lapidação de jóia, cujo resultado pode ser surpreendente. Pesquisas têm demonstrado que o item mais valorizado para os colaboradores não é salário, cargo ou bonificação, mas a qualidade do ambiente de trabalho. Todos querem se sentir bem, queridos, acolhidos e, acima de tudo, respeitados.
O melhor ambiente de trabalho é aquele que cria aquela sensação de que “todo mundo quer trabalhar aqui”. No trato com os usuários dos serviços, seja sempre simpático e agradável, e demonstre o quanto você se preocupa com a situação dele. A atividade não existe para complicar a vida das pessoas, mas para resolver. Seja educado e firme mesmo quando tiver que falar um “não”, mas sempre explique os motivos de modo fundamentado e numa linguagem clara e acessível. O notário e registrador, como líderes de sua unidade, devem ser facilitadores dos trabalhos da equipe. Valorizem seu time, treinem as pessoas, criem uma atmosfera alegre e positiva no ambiente de trabalho. Energize as pessoas com uma certa dose de humor, ria com as pessoas, jamais ria das pessoas. A cobrança pelo desempenho do notário, registrador e seus prepostos será muito grande. Sejam parceiros e orientadores de outros colegas, de advogados, de corretores de imóveis, enfim, de toda a sociedade.
Confiem em vocês, consultem outros colegas, escutem seus colaboradores, formem um time motivado e confiante. O mais difícil, o concurso, já passou. Agora vem a melhor parte da atividade, a prática e o trabalho em si, além do gratificante trato com a população.
A atividade é envolvente, desafiadora e apaixonante, mas requer muita dedicação, trabalho e organização. Aos iniciantes: quanto mais se dedicarem e trabalharem, mais rapidamente terão controle da unidade e dos serviços em geral. Nunca se esqueçam, delegação não se delega! Boa sorte, muito sucesso a todos e me coloco à disposição!
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* Palestra proferida por Rogério Tobias – 2º Tabelião de Notas e de Protesto de Letras e Títulos de Jaú – SP (tobias.rogerio@hotmail.com) no transcurso do 4º Curso de Iniciação na Atividade Registral e Notarial do Estado de São Paulo promovido pela EPM – Escola Paulista da Magistratura, em parceria com a Corregedoria-Geral da Justiça de São Paulo no bojo do projeto Educartório – Educação Continuada de Cartórios.
Flauzilino A. dos Santos, Presidente da ARISP, enviou carta aberta aos registradores imobiliários de nosso estado conclamando-os à ação na defesa dos interesses institucionais do Registro de Imóveis Brasileiro.
O momento é grave e urge uma tomada de posição. Os destinos de nossa instituição estão em nossas mãos!
Conheça a íntegra do texto, comentando-o.
Caros Amigos,
Estamos em um momento difícil para o Registro de Imóveis brasileiro.
O processo de retirada de atribuições e esvaziamento do Registro de Imóveis já evoluiu da ameaça para a efetiva concretização, mediante edição de atos legislativos e administrativos. Citem-se, como exemplos, a Lei nº 11.922, de 13.3.2009 (Art. 8º), que dispensa da formalidade do registro para a transferência da titularidade de bens imóveis, a Lei nº 12.543, de 2011, que alterou a Lei nº 10.931, de 2004, introduzindo o art. 63-A, criando um registro, com os mesmos efeitos de “publicidade e eficácia” que os tradicionais registros públicos e a recente Resolução do Banco Central do Brasil (Resolução BACEN nº 4.088, de 24.5.2012) que criou o Registro de Garantias Constituídas Sobre Veículos Automotores ou Imóveis.
O 84º Encontro Nacional da Indústria da Construção Civil (ENIC), realizado em Belo Horizonte (MG) de 26 a 29 de junho de 2012, sob os auspícios da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), cujo presidente é o futuro Ministro das Cidades, dentre as questões relativas ao crescimento do setor da construção civil no País, discutiu-se “o fim da exclusividade dos cartórios de registro de imóveis na sua função pública”[1], com criação de banco de dados nas prefeituras municipais, onde as próprias construtoras fariam seus registros, propugnando, expressamente, o fim do princípio registral da territorialidade etc.
Almejando abocanhar esses serviços, para que funcionem como simples cadastros nos sujos porões da política e da administração pública, as municipalidades estão desestabilizando financeiramente as serventias com pesadas, injustas e ilegais imposições de alíquotas de ISSQN. Caso não sejam tomadas providências urgentíssimas, que possam cessar essa investida municipalística contra o Registro de Imóveis, muitas serventias do Estado entrarão em colapso financeiro.
Como ingressei na atividade no ano de 1969 e desde 1976 sou titular concursado, tenho participado das discussões de grandes temas envolvendo nossas atividades: vigência do Decreto Lei 1.000/1969, edição da Lei 6.015/73 e sua vigência, Pacote de Abril/1977 que oficializou as serventias, Emenda Constitucional 22/2002 que “desoficializou” as serventias (art. 207, EC/69), Assembleia Nacional Constituinte, Lei 8.935/1994, o famigerado Decreto sem número do presidente Lula que criou uma comissão no Ministério da Justiça cuja conclusão dos trabalhos apontou para a alteração da constituição para alteração do regime de “delegação” para o de “concessão” e tantas e tantas outras investidas. Contudo, o presente momento é o mais grave e periclitante jamais vivido e isso (pasmem os senhores!), sem pensar no dia de amanhã.
Por outro lado, o relatório Doing Business 2012 publicado pelo Banco Mundial e a Corporação Financeira Internacional (FIC) indica que o Brasil ocupa a desconfortável posição de 126º lugar entre as economias mundiais com facilidades para fazer negócios (http://portugues.doingbusiness.org/data/exploreeconomies/brazil). Procurar reverter essa situação no que tange aos negócios imobiliários é dever do Registro de Imóveis, seja na introdução de técnicas de modernização, padronização de procedimentos, inclusão digital, modelagem e arranjos regulatórios e melhoria de atendimento ao mercado, poderes públicos e cidadãos em geral.
Podemos, todavia, fazer deste momento difícil o ponto da virada do Registro de Imóveis brasileiro. E o faremos! Na realidade, precisamos de um Grande Projeto Nacional capaz de responder aos requerimentos sociais, de governo e de mercado e calar a boca dos opositores.
A eleição do colega Dr. Ricardo Coelho para a presidência do IRIB é certa – porque é candidatura única – e representa o pensamento e decisão de eminentes colegas que estão na liderança do Instituto, o que, todavia, não desautoriza outras iniciativas que vão se completar com o “Plano” apresentado ontem pelo futuro presidente em reunião ocorrida em São Paulo, ao qual auguramos feliz gestão.
Proponho a constituição de um FÓRUM NACIONAL (a começar por nosso Estado com a concomitante reforma dos estatutos da ARISP, para ampliar a agremiação dos colegas do interior) para debater políticas e ações capazes de enfrentar e vencer as grandes e gravíssimas questões do registro de imóveis brasileiro, NOTADAMENTE a regulamentação do registro de financiamentos imobiliários (hipotecas e alienações fiduciárias), na forma da Resolução 4.088/2012, do Banco Central do Brasil. Como todos sabemos, a aplicação do que está previsto nessa resolução do BACEN torna o Sistema de Registro de Imóveis do Brasil em um registro de segunda categoria, já que a publicidade do crédito imobiliário (e suas mutações) estará no registro mantido pelo serviço nacional de gravames da empresa “x”.
E nós? Teremos que nos reportar a esse registro para efetivação de qualquer ato registral? Isso é muito sério! Não estamos de braços cruzados, mas precisamos de um esforço nacional e acreditamos que podemos começar com esse Fórum.
Por sua história e autoridade, convido o colega Sérgio Jacomino para coordenar o Fórum, ao qual posso servir como secretário, inclusive, para aproveitamento da infraestrutura da ARISP que poderá dar todo o suporte necessário.
EXCELENTÍSSIMO SENHOR CORREGEDOR GERAL DA JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, DESEMBARGADOR JOSÉ RENATO NALINI.
Flauzilino Araújo dos Santos
A ASSOCIAÇÃO DOS REGISTRADORES IMOBILIÁRIOS DE SÃO PAULO (ARISP), por seu Presidente FLAUZILINO ARAÚJO DOS SANTOS, que ao final subscreve, vem com a máxima consideração perante Vossa Excelência expor algumas propostas voltadas para o incremento na prestação do serviço público delegado de Registro de Imóveis no Estado de São Paulo, com vistas a mais um passo na implantação do Registro Eletrônico.
Pela oportunidade, saudamos e congratulamo-nos com Vossa Excelência e digníssima Equipe de Juízes Assessores da E. Corregedoria Geral pela edição do Provimento CG. 18/2012, que trata dos procedimentos registrais na Regularização Fundiária Urbana.
Acreditamos que esse diploma normativo, por sua pluralidade, tem lugar de destaque no mapa das políticas públicas e democráticas de inclusão social e econômica de camadas queridas de nossa população e de respeito ao princípio da isonomia e ao predomínio final do interesse público. Diante das novas perspectivas abertas por Vossa Excelência na temática regularização fundiária, o ano de 2012 vai ficar registrado na memória de muitas pessoas como um marco do ordenamento físico-territorial das cidades paulistas e do resgate de comunidades inteiras, que viviam na clandestinidade jurídico-imobiliária.
Queremos também louvar Vossa Excelência e DD. Equipe de Juízes Assessores pela edição do Provimento CG. nº 22/2012, que aprimorou o sistema eletrônico da penhora online de imóveis e trouxe importantes avanços no que se refere ao acesso de títulos judiciais ao registro de imóveis.
Pedimos vênia para consignar, inicialmente, que entendemos que este momento nos convoca para uma reflexão sobre a situação em que vive o Registro de Imóveis brasileiro e os desafios que teremos de enfrentar até implementação plena do registro de imóveis eletrônico, na forma preconizada na Lei nº 11.977, de 7 de julho de 2009, com termo final para 2014 (art. 39).
O relatório Doing Business 2012 indica que o Brasil ocupa a desconfortável posição de 126º lugar entre as economias mundiais com facilidades para fazer negócios.[1] Procurar reverter essa situação no que tange aos negócios imobiliários é dever do Registro de Imóveis, seja na introdução de técnicas de modernização, padronização de procedimentos, inclusão digital, modelagem e arranjos regulatórios e melhoria de atendimento ao mercado, poderes públicos e cidadãos em geral.[2]
Por outro lado, o processo de retirada de atribuições e esvaziamento do Registro de Imóveis já evoluiu da ameaça para a concretização, mediante edição de atos legislativos e administrativos. Citem-se, como exemplos, a Lei nº 11.922, de 13.3.2009 (Art. 8º), que dispensa da formalidade do registro para a transferência da titularidade de bens imóveis, a Lei nº 12.543, de 2011, que alterou a Lei nº 10.931, de 2004, introduzindo o art. 63-A, criando um registro, com os mesmos efeitos de “publicidade e eficácia” que os tradicionais registros públicos e a recente Resolução do Banco Central do Brasil (Resolução BACEN nº 4.088, de 24.5.2012) que criou o Registro de Garantias Constituídas Sobre Veículos Automotores ou Imóveis.[3]
Na expressão de SÉRGIO JACOMINO, “estamos diante de um processo orquestrado e profissionalmente bem conduzido cujo objetivo final é a substituição do sistema registral brasileiro por modelos que fizeram fortuna nos Estados Unidos”.[4]
Após a publicação da mencionada Resolução do BACEN, pequena nota do jornal Folha de São Paulo de 25.5.2012 (pág. A-8) esclareceu os verdadeiros makers:
“Os bancos já têm um registro próprio, mas que não é unificado nem controlado pelo BC. Agora, o registro terá que ser feito em entidades como BM&F e a Cetip (Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos)[5].”
Essas iniciativas propositadamente desconsideram que nos países onde não há eficaz controle da garantia do crédito imobiliário em relação ao seu lastro propiciou o surgimento das hipotecas subprimes. Num passo seguinte, os bancos que criaram essas hipotecas, criaram também derivativos negociáveis no mercado financeiro, instrumentos sofisticados para securitizá-las, isto é, transformá-las em títulos livremente negociáveis, por elas lastreados. Esses títulos passaram a ser vendidos para outros bancos, instituições financeiras, companhias de seguros e fundos de pensão pelo mundo afora, culminando na crise econômica de 2008, também chamada de Grande Recessão, que devorou economias até então sedimentadas.[6]
Felizmente o cenário brasileiro esteve a salvo de bancarrota mundial, por ser diferente na organização da propriedade imobiliária e dos direitos conexos. Realmente, em parte, o mérito deve ser atribuído à blindagem garantida pela publicidade registral, no absoluto controle da emissão de títulos que representam o crédito do financiamento imobiliário, em relação direta ao imóvel que lhe serve de lastro, por meio da averbação da Cédula de Crédito Imobiliário (CCI) decorrente, evitando, assim, o aparecimento de hipotecas podres.
O 84º Encontro Nacional da Indústria da Construção Civil (ENIC), realizado em Belo Horizonte (MG) de 26 a 29 de junho de 2012, sob os auspícios da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), dentre as questões relativas ao crescimento do setor da construção civil no País foi discutido “o fim da exclusividade dos cartórios de registro de imóveis na sua função pública”, com criação de banco de dados nas prefeituras municipais, onde as próprias construtoras fariam seus registros, fim do princípio registral da territorialidade etc.[7]
Almejando abocanhar esses serviços, para que funcionem como simples cadastros nos sujos porões[SJ1] da política e da administração pública, as municipalidades estão desestabilizando financeiramente as serventias com pesadas, injustas e ilegais imposições de alíquotas de ISSQN sobre o total dos emolumentos recebidos pelos oficiais de registros imobiliários. O ISSQN tem sido aplicado pelas municipalidades, inclusive, sobre os valores recolhidos à Fazenda Pública, ao IPESP, ao Fundo Especial de Despesa do TJSP, ao Fundo do Registro Civil das Pessoas Naturais e (pasmem!) à contribuição de solidariedade para as Santas Casas de Misericórdia. Some-se a isso a imposição de altíssimas multas e o ajuizamento de centenas de execuções fiscais municipais contra os Oficiais de Registros de Imóveis.
DENÚNCIA: Caso não sejam tomadas providências urgentíssimas, que possam cessar essa investida municipalística contra o Registro de Imóveis, muitas serventias do Estado entrarão em total colapso financeiro.
Por força desses vetores e considerando que a Central de Serviços Eletrônicos Compartilhados da ARISP (Central ARISP), agora nominada Central de Serviços Eletrônicos Compartilhados dos Registradores de Imóveis (Central Registradores de Imóveis), já presta vários serviços inerentes ao Registro Eletrônico de Imóveis, tomamos a liberdade de apresentar à alta apreciação da E. Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo as propostas que seguem:
I – TRASLADOS NOTARIAIS ELETRÔNICOS
A ARISP Formulou em 2007, juntamente com o Colégio Notarial do Brasil, Seção de São Paulo (CNB/SP), solicitação para emissão de certidões registrais e traslados notariais no formato eletrônico (Processo nº 2007/10936 – Capital – 1ª Vara de Registros Públicos).
Referido pleito foi parcialmente atendido, tendo sido editado o Provimento CG. nº 32/2007, de 11.12.2007, que permitiu a emissão, recebimento e arquivamento, por parte dos Oficiais de Registros de Imóveis e Tabeliães de Notas da Comarca da Capital de certidões do registro de imóveis, em formato eletrônico, com assinatura digital vinculada a uma autoridade certificadora, no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil).
Ainda no âmbito da Comarca da Capital, a matéria foi normatizada, de forma mais pormenorizada, pela 1ª e 2ª Varas de Registros Públicos, por meio do Provimento Conjunto nº 1/2008, de 28.4.2008, assinado pelos Excelentíssimos Senhores Juízes de Direito MARCELO MARTINS BERTHE, GUSTAVO HENRIQUE BRETAS MARZAGÃO e MÁRCIO MARTINS BONILHA FILHO.
Posteriormente, a requerente fez nova solicitação para que certidões registrais, no formato eletrônico, fossem emitidas por todos os registradores de imóveis do Estado de São Paulo, reiterando, nessa oportunidade, a solicitação anterior para emissão e recepção de traslados notariais eletrônicos e instrumentos particulares eletrônicos, cujo pleito atendido apenas relativamente à certidão digital de matrícula imobiliária por todos os registros de imóveis do Estado, com possibilidade de recebimento e armazenamento pelos Tabeliães de Notas do Estado, nos termos do Provimento CG. 4/2011, de 4.3.2011.
De forma específica, quanto à emissão de traslados notariais eletrônicos e a transmissão e recepção destes no registro de imóveis, bem como de títulos particulares, o MM. Juiz Doutor WALTER ROCHA BARONE, então Juiz Auxiliar da Corregedoria Geral da Justiça, ao tratar desse tema no r. Parecer que embasou o Prov. CG. 4/2011 deixou consignado o seguinte:
“Por fim, no que concerne à documentação, transmissão e arquivamento eletrônico de títulos formados pelos Tabeliães de Notas e por particulares, a respectiva regulamentação ainda exige maturação, devendo prosseguir os estudos, no âmbito desta Egrégia Corregedoria da Justiça, com vistas à sua futura implantação.”
Decorrido mais de um ano da publicação do aludido Provimento e considerando, ademais, o êxito do Sistema de Penhora Eletrônica de Imóveis (Penhora Online), pedimos vênia a Vossa Excelência para renovar o pedido para emissão e recepção de traslados notariais eletrônicos e também de títulos particulares eletrônicos, inclusive os instrumentos particulares com força de escritura pública, celebrados no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI).
O Sistema de Penhora Online foi normatizado por essa E. Corregedoria Geral da Justiça pelo Provimento CG. 13/2009, de 13.4.2009 [sic. O correto é 6/2009, de 13/4] e entrou em operação em 1º.6.2009, constituindo-se em infovia que interliga, em rede na Web, todas as unidades de registros de imóveis do Estado com o Poder Judiciário.
A postagem, tráfego, download e controle de títulos eletrônicos (Mandados Judiciais e Certidões) são realizados na plataforma do Sistema de Penhora Online sem o registro de problemas que possam comprometer o funcionamento do Sistema, circunstância que nos dá ânimo para reiterar as solicitações, agora, acrescidas de novos enfoques.
De partida, é de ser observado que o tema está normatizado na Lei nº 11.977/2009, no capítulo dedicado ao registro eletrônico, como dispõe o artigo 38:
Art. 38. Os documentos eletrônicos apresentados aos serviços de registros públicos ou por eles expedidos deverão atender aos requisitos da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP e à arquitetura e-PING (Padrões de Interoperabilidade de Governo Eletrônico), conforme regulamento.
Parágrafo único. Os serviços de registros públicos disponibilizarão serviços de recepção de títulos e de fornecimento de informações e certidões em meio eletrônico[9].
Também, as Normas de Serviço da E. Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo já preconizam a forma da geração do documento eletrônico, ao dispor no item 146.G.1, acrescido pelo Provimento CG. nº 4/2011, de 2.3.2011, que disciplina a emissão da certidão digital pelo registro de imóveis, da seguinte forma:
146-G.1. A certidão digital expedida pelo Oficial de Registro de Imóveis será gerada unicamente sob forma de documento eletrônico de longa duração, que deverá ser assinado com Certificado Digital ICP-Brasil tipo A-3 ou superior, incluindo-se em seu conteúdo a atribuição de “metadados”, com base em estruturas terminológicas (taxonomias) que organizem e classifiquem as informações do arquivo digital no padrão Dublin Core (DC), atendidos ainda os requisitos da Infra Estrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil) e a arquitetura e-Ping (Padrões de Interoperabilidade de Governo Eletrônico), em especial o conjunto normativo relativo aos Padrões Brasileiros de Assinatura Digital.
A arquitetura e-PING (Padrões de Interoperabilidade de Governo Eletrônico) define um conjunto mínimo de premissas, políticas e especificações técnicas que regulamentam a utilização da Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) no governo federal, estabelecendo as condições de interação com os demais Poderes e esferas de governo e com a sociedade em geral.[10]
O objetivo da inclusão de metadados é assegurar às pessoas o acesso rápido e eficiente ao documento eletrônico, mesmo que elas não possuam conhecimento detalhado de sua localização e de seus dados.[11] O Padrão de Metadados do Governo Eletrônico (e-PMG) que integra a arquitetura e-PING, foi desenvolvido com base no Padrão Dublin Core (DC),[12] o que significa que a norma da CGJSP está aderente ao padrão estabelecido pela arquitetura e-PING, conforme preconiza o art. 38 da Lei nº 11.977, de 2009.
Por oportuno consignar que a Central de Serviços Eletrônicos Compartilhados da ARISP já conta com módulo operacional para a postagem e tráfego de título eletrônico e seu encaminhamento ao registro de imóveis competente, aliás, no mesmo ambiente e tecnologia utilizados para o tráfego dos mandados judiciais e certidões para averbação da Penhora Online, bem como de todo o desdobramento do procedimento registral.
Assim, parece-nos que se o traslado notarial ou o instrumento particular, seja aquele com força de escritura pública, por disposição legal, seja aquele feito na forma do art. 221 do Código Civil,[13] cumprem os requisitos preconizados nos diplomas acima transcritos, têm plena aptidão para ingresso no Registro de Imóveis.
Para ter plena aptidão ao Registro, abstraídos os requisitos relativos à legalidade registral, o título eletrônico deve também preencher relativos à tecnologia de sua geração, quais sejam: a) atender os requisitos da ICP-Brasil; b) atender à arquitetura e-PING; c) contar com padrão de metadados Dublin Core (DC); d) ser assinado digitalmente, utilizando-se o Assinador Digital Registral Arisp.[14]
Desde a edição do já referido Provimento Conjunto nº 1/2008 pelas Varas de Registros Públicos da Comarca da Capital (28.4.2008) que os registradores de imóveis estão emitindo certidões digitais, adotando o padrão PDF/A,[15] cujo formato foi expressamente previsto em referida norma, da seguinte forma:
Art. 2º – A certidão digital será gerada unicamente no formato PDF/A, e assinada digitalmente pelo registrador, seu substituto ou preposto autorizado, no formato PKCS#7, mediante uso de certificado digital do tipo A-3, ou superior, incluindo-se em seu conteúdo a atribuição de “metadados” com base em estruturas terminológicas (taxonomias) que organizem e classifiquem as informações do arquivo digital com o uso do padrão Dublin Core (DC).
§ 1º – A assinatura digital será vinculada a uma autoridade certificadora, no padrão da Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileiras (ICP-Brasil).
Art. 3º – Enquanto o certificado digital não contiver atributo funcional, para a assinatura digital do documento eletrônico, o oficial registrador de imóveis utilizará o software “Assinador Digital Registral” desenvolvido pela ARISP, ou outro similar, desde que submetido previamente à aprovação desta Corregedoria Permanente, especialmente para a verificação de sua interoperabilidade.
Para que todos os Registros de Imóveis do Estado possam atender ao padrão estabelecido por essa E. Corregedoria Geral da Justiça, a ARISP desenvolveu dois aplicativos, disponibilizados gratuitamente na Web, a saber:
a) Assinador Digital Registral ARISP.
Este aplicativo tem funções de assinador e visualizador de documentos eletrônicos. Foi desenvolvido sob os conceitos de segurança tecnológica, validade jurídica e uso universal para assinatura de documentos eletrônicos em geral e emissão de certidões digitais pelas serventias de registros de imóveis. É encontrado nas versões (1) para o público em geral e (2) para cartórios.
O Assinador Digital Registral é mais uma contribuição dos Registradores de Imóveis do Estado para o desenvolvimento da economia digital no país, visto que é distribuído gratuitamente, mediante simples download em nossos sites.
Enquanto o Certificado ICP-Brasil não contiver Atributo Digital (Certificado de Atributo ou Atributo Funcional), [16] as certidões emitidas pelos registros de imóveis deverão ser assinadas com a versão especial para cartório, para fins de inserção de dados identificadores pertinentes. Esta versão contém ainda chave criptográfica para fins de controle de instalação e utilização administradas exclusivamente pelo Oficial do Registro de Imóveis que poderá indicar as máquinas onde será instalado e os prepostos autorizados a emitirem certidões digitais.
O arquivo assinado torna-se um pacote PKCS#7 (Public-Key Cryptographi Standard nº 7), contendo o arquivo original assinado e as assinaturas digitais. Em sua função de visualizador (1) verifica se o documento assinado não foi alterado após a assinatura; (2) verifica se o documento foi assinado com certificado confiável; (3) verifica a integridade do documento e da autenticidade da assinatura, data e hora; e (4) verifica os dados identificados do cartório emissor da certidão.
b) Certidão Express.
Sistema desenvolvido para adequar a emissão de Certidão Digital aos requisitos da ICP-Brasil, à arquitetura e-PING e aos padrões estabelecidos pelas Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo. Objetiva a inclusão digital de Registros de Imóveis com menor ou nenhum grau de informatização, inicialmente, para atender a Penhora Eletrônica de Imóveis (Penhora Online) e o Ofício Eletrônico. Esse sistema é também distribuído gratuitamente para todos os Oficiais de Registros de Imóveis.
O sistema converte todo e qualquer formato de texto ou de imagem para o formato PDF/A, incluindo em seu conteúdo a atribuição de “metadados” com base em estruturas terminológicas (taxonomias) que organizam e classificam as informações do arquivo digital, com uso de padrão Dublin Core (DC). O sistema é apoiado pelo Assinador Digital Registral da ARISP para inclusão da assinatura digital no padrão ICP-Brasil, no formato p7s.
A utilização dessas ferramentas para gerar a certidão digital, além de atender critérios de tecnologias indicadas, cumpre também critérios de controle e segurança para o registrador de imóveis e para a pessoa que vai utilizar uma certidão digital, visto que, atualmente, os certificados digitais ainda não incluem Certificado de Atributo.
A utilização do Assinador Digital Registral e do gerador de certidões Certidão Express por uma determinada serventia registral, sujeita a previa inserção de uma chave privada gerada exclusivamente para aquela serventia e sob a total administração e responsabilidade do titular da delegação ou daquele que para esta estiver designado, de sorte que (1) o aplicativo somente poderá ser instalado em uma máquina com a autorização do oficial, mediante o uso de seu Certificado Digital; e (2) somente o oficial pode designar quais são os prepostos autorizados a emitirem certidões digitais com a utilização exclusiva de referidos aplicativos.
Igualmente, aquele que receber uma certidão digital gerada nessa conformidade, ao visualizar esse documento utilizando-se do Assinador Digital Registral, que contém a função de visualizador de documento eletrônico assinado, poderá conferir, além dos elementos comuns aos visualizadores em geral, outros elementos de segurança, tais como, identificação da serventia, endereço, nome do titular, nome e cargo do emissor da certidão e dados de controle de emissão da certidão, suprindo, assim, a falta de informação quanto ao atributo funcional do emissor da certidão.
Como pode ser observado, o Provimento Conjunto de 2008 prevê a emissão da certidão digital apenas no formato PDF/A, porém a disciplina normativa da E. Corregedoria Geral da Justiça pelo Provimento CG. 4/2011 foi mais ampla, possibilitando a utilização de outras tecnologias que existam ou venham a existirem, pois exige que a certidão “será gerada unicamente sob forma de documento eletrônico de longa duração”, bem como que atenda ao “conjunto normativo relativo aos Padrões Brasileiros de Assinatura Digital”.
O PDF/A, conquanto seja um padrão para documento eletrônico de longa duração recomendado no Documento de Referência e-PING – Versão 2012 (página 39), por ser formato de imagem não permite seu processamento em dados informáticos.[17]
Por outro lado, embora o referido Documento de Referência e-PING/ Versão 2012, recomende o padrão PDF/A para a geração de documento eletrônico, em seu item 3.6.1.2. preconiza adoção do XML “como padrão primário de intercâmbio de dados para todos os sistemas do setor público” (página 9).[18]
Assim, (1) por ser um documento eletrônico de longa duração, (2) por ser o padrão primário de intercâmbio de dados eleito pela e-PING e (3) por reunir condições de processamento de dados, é nossa opção operacionalizar preponderantemente com documentos eletrônicos no formato XML, sejam eles escrituras públicas ou instrumentos particulares.
Com relação às escrituras públicas notariais parece-nos que se for autorizado por essa E. Corregedoria Geral da Justiça que os senhores tabeliães de notas do Estado expeçam traslados e certidões no formato eletrônico, bastaria, salvo melhor juízo, que esses instrumentos notariais atendessem aos mesmos preceitos estabelecidos para a certidão digital do registro de imóveis, com a particularidade de que os traslados e certidões de escrituras (e também de procurações) poderão também ser expedidos no formato XML.
A conjunção desses elementos de segurança e de confiança, que combina a segurança jurídica com a tecnológica, estará substituindo o papel de segurança notarial utilizado nos traslados e também a conferência da assinatura do subscritor do traslado ou certidão notarial eletrônica contida nos cartões de autógrafos notariais arquivados nos Registros de Imóveis.[19]
Parece-nos que a adoção de medidas efetivas de segurança na emissão desses documentos notariais eletrônicos é condição essencial para que possam ser recepcionados pelo Registro de Imóveis, visto ser necessário que se identifique fidedignamente seu emissor, afastando-se a possibilidade de tráfego de documento notarial apócrifo, adulterado ou falsificado, permitindo-se, ademais, seu reconhecimento pericial no que se tange à sua procedência e veracidade de sua autoria e autenticidade de seu conteúdo, inclusive, para fixação de eventual responsabilização civil, criminal e administrativa.
Nossa sugestão, na esteira de todos os diplomas normativos já expedidos por essa E. Corregedoria Geral da Justiça, relativos ao tema, é que a apresentação desses títulos pelos notários, seus prepostos ou por outro portador seja feita de duas formas:
1ª – Direta e pessoalmente na serventia registral, apresentando o respectivo dispositivo de armazenamento de dados (CD, DVD, cartão de memória, pendrive etc.), contendo o arquivo do documento eletrônico a ser protocolado, vedada a remessa via postal (sedex etc.);
2ª – Pela Internet, exclusivamente por meio da Central de Serviços Eletrônicos Compartilhados dos Registradores de Imóveis (Central Registradores de Imóveis), vedada a remessa por correio eletrônico (e-mail) ou a postagem em sites de despachantes e afins.
Essa providência evitará o tráfego inseguro de e-mails, sabidamente vulneráveis à ação de criminosos digitais, bem como a intermediação comercial do serviço público extrajudicial.
A Central de Serviços Eletrônicos Compartilhados dos Registradores de Imóveis (Central Registradores de Imóveis) dispõe do módulo Protocolo Eletrônico de Títulos (e-Protocolo) especialmente desenvolvido para a postagem, conversão, assinatura, inclusão do carimbo de tempo, verificação da assinatura e do formato e download de documentos eletrônicos, a serem encaminhados para as respectivas serventias registrais. O sistema propicia o pleno acompanhamento da tramitação eletrônica do título pelo apresentante, pelo Juízo Corregedor Permanente e pela E. Corregedoria Geral da Justiça (Correição Online), conforme preconizado na normatização da Penhora Online.
II – INSTRUMENTOS PARTICULARES
Com relação aos instrumentos particulares pedimos vênia para apresentar as seguintes digressões:
O direito brasileiro em diversas hipóteses admite a contratação por documento particular, versando sobre direitos reais imobiliários acessíveis ao Registro de Imóveis, a fim de produzir seus devidos efeitos legais.
A Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, em seus arts. 194 e 221 admite o registro de título particular, desde que autorizado por lei.
O Código Civil de 2002, em seus arts. 108, 221, 288, 320, 541, 1.334, 1.417, 1.438, 1.448, 2.015 trata da contratação por documentos particulares e que podem acessar o Registro de Imóveis.
O art. 108 admite a utilização do documento particular para transações de valor igual ou inferior a 30 salários mínimos, e outras exceções, aos estabelecer a regra do instrumento público “não dispondo a lei em contrário”.
O Decreto-lei nº 167 de 14 de fevereiro de 1967, que trata do financiamento rural, o Decreto-lei nº 413 de 9 de janeiro de 1.969, que trata do financiamento industrial, a Lei nº 6.313, de 16 de dezembro de 1975, de incentivo a exportação, a Lei nº 6.840, de 03 de novembro de 1980, que trata do financiamento comercial, e a Lei nº 8.929, de 22 de agosto de 1994, que trata da Cédula de Produto Rural, destinada a garantir financiamento e venda da produção rural no mercado de futuros, determinam que os financiamentos concedidos por instituições financeiras à pessoa física ou jurídica que se dediquem a estas atividades poderá efetuar-se por meio das cédulas, que são títulos de crédito feitos por documentos particulares e que podem ser garantidos por penhor, alienação fiduciária ou hipoteca.
A Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994 determina que os atos de constituição e de alteração de sociedades mercantis, desde que certificados pelas juntas comerciais são documentos hábeis para a transferência dos bens com que o subscritor houver contribuído para a formação ou aumento do capital social.
A Lei das Sociedades Anônimas, Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1.976, em seu artigo 98, autoriza o instrumento particular, como título hábil para se promover o registro da transmissão da propriedade da empresa, em casos de incorporação, fusão ou cisão.
O Decreto-lei nº 58, de 10 de dezembro de 1937, referente a loteamentos de imóveis não urbanos, prevê o registro de contratos de promessa de compra e venda de lotes e suas cessões, de qualquer valor.
A Lei nº 6.766, de 1.979, de loteamentos urbanos, prevê os registros de contratos de promessa de compra e venda por instrumentos particulares.
A Lei nº 4.591, de 1.964, de condomínios e incorporações imobiliárias, autoriza a incorporação de condomínio por instrumentos particulares.
O Decreto nº 59.566, de 14 de novembro de 1966, que Regulamenta o Estatuto da Terra, em seu art. 73 prevê a possibilidade do contrato agrário ser celebrado por instrumento particular, malgrado entendimento normativo que o arrendamento é ato insusceptível de acesso no registro de imóveis (NSCGJSP, XX, 68.3).
A Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996, que trata da arbitragem, também autoriza o título particular para acessar ao registro.
A Lei nº 9.636, de 15 de maio de 1998, determina que os contratos celebrados pela Caixa Econômica Federal, mediante instrumento particular, terão força de escritura pública.
A Lei nº 10.188, de 12 de fevereiro de 2001, de arrendamento residencial com opção de compra, também autoriza tal contratação por documento particular.
A Lei nº 10.931, de 02 de agosto de 2004, que dispõe sobre o patrimônio de afetação de incorporações imobiliárias, Letra de Crédito Imobiliário, Cédula de Crédito Imobiliário e Cédula de Crédito Bancário são autorizadas por documentos particulares, inclusive quando tenham hipoteca.
A Lei nº 10.998, de 2004, que trata do Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social – PSH autoriza o título particular para tal programa.
O SFH – Sistema Financeiro da Habitação, Lei nº 5.049, de 1966, alterando o art. 61 da Lei nº 4.380, de 1964, previu o instrumento particular com força de escritura pública.
O Decreto-lei nº 70, de 21 de novembro de 1966 que trata das Associações de Poupança e Empréstimo, no art. 26 diz que: “Todos os atos previstos neste decreto-lei, poderão ser feitos por instrumento particular” Diz ainda que poderá ser expedida carta de arrematação em procedimento de execução extrajudicial, que é título hábil para o registro da propriedade em nome do adquirente/arrematante.
A Lei nº 9.514, de 20 de novembro de 1.997, que criou o Sistema de Financiamento Imobiliário – SFI e que trata da alienação fiduciária de bem imóvel, em seu artigo art. 38 diz: “Os atos e contratos referidos nesta lei ou resultantes da sua aplicação, mesmo aqueles que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis, poderão ser celebrados por escritura pública ou por instrumento particular com efeitos de escritura pública“.
Conclui-se, portanto, que na legislação brasileira o documento público é a regra e é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no País (CC, art. 108). Contudo, o documento particular vem sendo utilizado nas hipóteses em que a lei o admite, excepcionalmente, convivendo com o documento público.
II/A – INSTRUMENTOS PARTICULARES COM CARÁTER DE ESCRITURA PÚBLICA
A Lei nº 4.380/64 que criou o Banco Nacional de Habitação (BNH) e outros instrumentos visando estimular a construção de habitações de interesse social e o financiamento de aquisição da casa própria, especialmente pelas classes da população de menor renda (art. 1º), adotou procedimentos privilegiados para os contratos celebrados no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), dispondo expressamente no § 5º do art. 61 que:
§ 5º Os contratos de que forem parte o Banco Nacional de Habitação ou entidades que integrem o Sistema Financeiro da Habitação, bem como as operações efetuadas por determinação da presente Lei, poderão ser celebrados por instrumento particular, os quais poderão ser impressos, não se aplicando aos mesmos as disposições do art. 134, II, do Código Civil, atribuindo-se o caráter de escritura pública, para todos os fins de direito, aos contratos particulares firmados pelas entidades acima citados até a data da publicação desta Lei.
De conformidade com o art. 60 de referido diploma legal, “a aplicação da presente lei, pelo seu sentido social, far-se-á de modo a que sejam simplificados todos os processo e métodos pertinentes às respectivas transações, objetivando principalmente:
I – o maior rendimento dos serviços e a segurança e rapidez na tramitação dos processos e papéis;
II – economia de tempo e de emolumentos devidos aos Cartórios;
III – simplificação das escrituras e dos critérios para efeito do Registro de Imóveis.”
Outras disposições dessa lei, como, por exemplo, o art. 61 e seu § 1º indicam simplificação dos trâmites contratuais e registrais, visando à celeridade dos negócios de financiamento imobiliário.
Art. 61. Para plena consecução do disposto no artigo anterior, as escrituras deverão consignar exclusivamente as cláusulas, termos ou condições variáveis ou específicas.
§ 1° As cláusulas legais, regulamentares, regimentais ou, ainda, quaisquer normas administrativas ou técnicas e, portanto, comuns a todos os mutuários não figurarão expressamente nas respectivas escrituras.
Por igual modo, a Lei nº 6.015/73, ao disciplinar em seu art. 221 o acesso ao registro de títulos particulares, expressamente também privilegiou os contratos e outros documentos relativos ao Sistema Financeiro de Habitação, in verbis:
Art. 221. Somente são admitidos a registro:
…
II: escritos particulares autorizados em lei, assinados pelas partes e testemunhas, com as firmas reconhecidas, dispensado o reconhecimento quando se tratar de atos praticados por entidades vinculadas ao Sistema Financeiro da Habitação(sublinhamos).
Não parece crível que decorridos quase cinquenta anos da edição da Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 1964, ainda gravitamos em torno dos mesmos problemas registrais que àquela época se procurava, senão eliminá-los, pelo menos, minimizá-los, visando o incremento da construção civil, geradora de empregos, bem como atender à população mais carente de nosso país na realização do sonho da casa própria.
Evidentemente que se pode afirmar que muitos avanços foram implementados na política habitacional nacional, maximizados, agora pelo Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) e também por políticas públicas estaduais e municipais, todavia, parece-nos que podemos avançar no quesito “simplificação das escrituras e dos critérios para efeito do Registro de Imóveis”, visto que remanescem no procedimento registral os mesmos critérios que causavam incômodo em 1964, apenas dentro do modelo da Lei de Registros Públicos de 1973, porém, sem alterações significativas quanto à simplificação do título e a rapidez na tramitação registral.
Parece-nos que necessário se faz, em primeiríssimo lugar, uma definição de papéis, já que o legislador outorgou ao agente financeiro que intervêm em contrato de compra e venda e financiamento imobiliário um papel de autoridade e responsabilidade, em substituição ao Tabelião de Notas, já que os contratos que elabora tem o status de “escritura pública”, a saber:
(1) pela identificação e qualificação das partes contratantes;
(2) verificação da regularidade de eventual representação das partes contratantes, seja pelo exame de estatuto ou contrato social, seja pela verificação da regularidade e validade de eventual instrumento de procuração ou Alvará Judicial, especialmente se o representante tem poderes bastantes para tal;
(3) pela aferição da capacidade civil das partes contratantes e intervenientes, bem como sobre eventual necessidade de Alvará Judicial e assistência do Ministério Público;
(4) pela verificação da atuação volitiva das partes contratantes, visando prevenir a ocorrência de defeitos do negócio jurídico pelos chamados vícios do consentimento, como o erro, o dolo e a coação;
(5) pela verificação quanto à disponibilidade do imóvel e se existem limitações contratuais ou legais (v.g., penhora, hipoteca, usufruto, aforamento, inalienabilidade, fideicomisso, indisponibilidade, entre outros);
(6) pela exigibilidade e conferência das certidões exigidas para transmissão e oneração de imóveis (certidões imobiliárias, de distribuidores da Justiça, da Receita Federal, de Protesto etc.);
(7) para formalizar juridicamente a vontade das partes, elaborando os atos e instrumentos adequados aos negócios jurídicos em todas as suas cláusulas e condições, com forma legal e autenticidade, inclusive colhendo e transcrevendo no título as declarações dos contratantes, prestadas sob as penas da lei;
(8) pela verificação do cumprimento dos requisitos legais e fiscais inerentes à transmissão e oneração de imóveis, inclusive, quanto à isenção ou incidência de ITBI, foros e laudêmios;
(7) pela colheita das assinaturas das partes contratantes e testemunhas, dispensado o reconhecimento das firmas dos signatários, visto que são firmados em presença de representantes do agente financeiro responsável pela formalização do negócio jurídico contratado.
Ordinariamente, todas essas atividades são típicas e legalmente atribuídas ao Tabelião de Notas (CF, art. 236; Lei nº 8.935/1994, art. 6º e ss). O notário é um profissional do Direito de alta qualificação que acede a essa atividade depois de diversas provas, exames e práticas e que a exerce conforme regras disciplinárias estritas, tabelas de emolumentos fixadas por lei, tudo sob o controle administrativo permanente do Poder Judiciário.
Dentro desse contexto seria incomparavelmente muito mais seguro e com menos despesas para o usuário final, que seu título aquisitivo fosse lavrado por um Tabelião de Notas, já que dos instrumentos particulares elaborados pelos Agentes Financeiros são cobrados preços altíssimos, sem prejuízo da especialização na matéria e da imparcialidade, características básicas da atividade notarial.
As exceções contempladas são, portanto e como já afirmado, especialíssimas e traz em seu bojo uma carga de atribuições e responsabilização legal ao autorizar o agente financeiro elaborar um instrumento particular com efeitos de escritura pública, capaz de ter regular acesso ao fólio real.
Nesse tipo de contratação com a interveniência do agente financeiro, além das cláusulas relativas à transmissão imobiliária e sua oneração por hipoteca ou sua alienação fiduciária do imóvel em garantia ao agente financeiro, são inseridas várias outras cláusulas relacionadas com seguros, renegociação contratual, regras de relacionamento do mutuário com o banco e outras disposições de caráter iminentemente pessoais, restando no interesse do Registro de Imóveis apenas as cláusulas que dizem respeito direto à alienação do imóvel e sua oneração.
Diante desse plexo de atribuições e responsabilidades do agente financeiro autorizado a funcionar no âmbito do SFH e do SFI pelo Banco Central do Brasil e das companhias de habitação integrantes da administração pública, parece-nos que dentro da previsibilidade de remessa de documento eletrônico para o registro imóveis, na forma prevista no art. 38 da Lei nº 11.977/2009 (comunicação de dados eletrônicos no formato e-PING) esse agente poderá formalizar um Extrato do Contrato (EC) de compra e venda e financiamento, contendo as cláusulas que dizem respeito diretamente aos negócios jurídicos de compra e venda e hipoteca ou compra e venda e alienação fiduciária em garantia. Referido “extrato” será assinado digitalmente somente pelo representante legal do banco, para ser transmitido eletronicamente na plataforma da Central Registradores de Imóveis, portando o autor, por sua exclusiva responsabilidade que referidas cláusulas estão contidas no original do contrato respectivo que se encontra em seu arquivo, devidamente formalizado e assinado pelas partes contratantes e testemunhas.
O Extrato do Contrato (EC) deverá (1º) ter a forma de documento eletrônico de longa duração, gerado, preferentemente, no formato XML ou PDF/A; (2º) atender os requisitos da ICP-Brasil; (3º) atender à arquitetura e-PING; e (4º) atender os requisitos estabelecidos pela E. Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo. Os mesmos requisitos também serão exigidos quanto aos demais instrumentos particulares ordinários.
Tal qual em relação à apresentação de traslados e certidões de escrituras notariais, a sugestão que pedimos vênia para apresentar a Vossa Excelência, na esteira de todos os diplomas normativos expedidos por essa E. Corregedoria Geral da Justiça é que a apresentação desses títulos (Instrumentos Particulares e Extratos de Contratos, estes, dos instrumentos particulares com caráter de escritura pública) seja feita de duas formas:
1ª – Direta e pessoalmente na serventia registral, mediante apresentação do respectivo dispositivo de armazenamento de dados (CD, DVD, cartão de memória, pendrive etc.), contendo o arquivo do documento eletrônico a ser protocolado, o qual deverá ser devidamente conferido quanto à sua autoria e integridade e descarregado no sistema administrativo da serventia registral;
2ª – Pela Internet, exclusivamente por meio da Central de Serviços Eletrônicos Compartilhados dos Registradores de Imóveis (Central Registradores de Imóveis), vedada a remessa do arquivo eletrônico do título por meio de correio eletrônico (e-mail), ou a sua postagem em outros sites na Internet, inclusive o da própria serventia.
No mesmo espírito de viabilizar a implantação do registro eletrônico, pleiteia-se que, com as mesmas cautelas, possam os agentes financeiros formalizar Extrato de Cédula de Crédito (ECECRED) emitidas em seu favor, seus aditivos e endossos.
III – DO PROTOCOLO ELETRÔNIO DE TÍTULOS (e-Protocolo)
Para atender aos tabeliães de notas, ao mercado imobiliário e de serviços a ARISP desenvolveu um módulo em seu sistema que consiste em completa infraestrutura para desmaterialização de procedimentos relativos à apresentação de títulos nas serventias registrais e seu lançamento no Livro nº 1 – Protocolo (prenotação) ou no Livro de Recepção de Títulos (exame e cálculo).
Referida plataforma se destina ao tráfego seguro de escrituras públicas, contratos de financiamento imobiliário, intimações de devedores em contratos de alienação fiduciária, baixas de hipotecas e de alienações fiduciárias e outros documentos elaborados no formato eletrônico, conectando cartórios, agentes financeiros, incorporadoras, construtoras, advogados, prestadores de serviços e consumidor final, bem como órgãos do Poder Judiciário e da Administração Pública.
O sistema conta com o sub módulo Repositório Confiável de Documentos Eletrônicos (RCDE) para armazenamento de procurações e outros documentos eletrônicos, para fins de consulta e download pelos Registros de Imóveis, com total validade jurídica, dispensando a apresentações de originais ou cópias autenticadas no suporte papel.
Com efeito, a Lei nº 11.977, de 2009, exige que os Registros Públicos disponibilizem serviços de recepção de títulos e de fornecimento de informações e certidões em meio inteiramente eletrônico (art. 38, parágrafo único).
A realidade do país e os reclamos da sociedade por universalização, celeridade e segurança na prestação de serviço de registro nos impõem o desafio de ultrapassar as históricas barreiras espaciais e temporais para viabilizar a apresentação de títulos e documentos ao registro, por meios eletrônicos.
A nova redação dada ao parágrafo único do art. 17, da Lei de Registros Públicos, pela Lei do Registro Eletrônico (Lei nº 11.977/2009) diz: “o acesso ou envio de informações aos registros públicos, quando forem realizados por meio da rede mundial de computadores (Internet) deverão ser assinados com uso de certificado digital, que atenderá aos requisitos da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP“.
Levando em consideração que a tarefa de instituição do Registro Eletrônico foi atribuída expressamente aos órgãos de serviços registrais (art. 37, Lei nº 11.977/2009), a ARISP desenvolveu essa completa plataforma em ambiente seguro e disponível 99,9% que redundará em conexão direta do usuário com a serventia de registro de imóveis de seu interesse, sem intermediários. Complementa, assim, a prestação de serviços registrais eletrônicos, visto que já disponibiliza a pesquisa eletrônica, a visualização de matrículas e a emissão de certidões em âmbito inteiramente eletrônico, cujos serviços foram normatizados por essa E. Corregedoria Geral da Justiça.
Estamos sugerindo, também, a implementação na Central Registradores de Imóveis dos seguintes módulos: (1) Acompanhamento Registral Online, (2) Monitor Registral, (3) Correição Online (Acompanhamento, controle e fiscalização) e, (4) Cadastro de Regularização Fundiária Urbana, este, sob inspiração de disposição contida no art. 11, da Lei nº 12.424, de 16.6.2011 e que servirá para monitorar o resultado do esforço empreendido para impulsionar a regularização fundiária urbana no Estado de São Paulo.
Nossa proposta é pela implementação do Registro de Imóveis Eletrônico, no âmbito do Estado de São Paulo, vinculando todos os oficiais de registro de Imóveis. Os serviços serão prestados aos usuários externos por meio de plataforma única na Internet que funcionará no Portal Eletrônico da Central de Serviços Eletrônicos Compartilhados dos Registradores de Imóveis (Central Registradores de Imóveis), desenvolvido, operado e administrado pela Associação dos Registradores de Imóveis de São Paulo (ARISP), composto dos seguintes módulos e submódulos:
I – Ofício Eletrônico;
II – Penhora Eletrônica de Imóveis (Penhora Online);
III – Certidão Digital;
IV – Matrícula Online;
V – Pesquisa Eletrônica;
VI – Protocolo Eletrônico de Títulos (e-Protocolo);
VII – Repositório Confiável de Documento Eletrônico (RCDE);
VIII – Acompanhamento Registral Online;
IX – Monitor Registral;
X – Correição Online (Acompanhamento, controle e fiscalização);
XI – Cadastro de Regularização Fundiária Urbana.
IV – DA ALIENÇÃO FIDUCIÁRIA DE BENS IMÓVEIS E DAS CÉDULAS DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO.
O processo de desenvolvimento econômico do País fez exsurgir no direito brasileiro à alienação fiduciária de imóvel em garantia (Lei nº 9.514, de 20.11.1997), figura original com traços nativos, imaginada para atender a demanda social, dentro de uma nova concepção de garantia do crédito imobiliário, com mais força de mercado e segurança jurídica e menos regulamentada que a tradicional hipoteca, esta já combalida pela demora na solução das execuções hipotecárias judiciais.
Importa registrar que a nova técnica jurídica de garantia creditícia fiduciária é marcada pela simplificação de procedimentos e constitui-se em importante instrumento de implementação de uma nova diretriz para negócios imobiliários no Brasil, em consonância com as melhores práticas mundiais nesse setor.
A evolução natural do contrato de alienação fiduciária em garantia de coisa imóvel tanto pode levar à reversão da propriedade resolúvel na pessoa do devedor fiduciante, cujo pressuposto único e exclusivo é o pagamento da dívida, que implementa a condição resolutiva, quando à sua consolidação na pessoa do credor fiduciário, verificado o inadimplemento contratual, após regular notificação e constituição em mora processadas perante o Oficial do Registro de Imóveis.
Como o tema ainda não foi expressamente normatizado em seus aspectos procedimentais por essa E. Corregedoria Geral da Justiça, embora não se tenha notícia de grandes polêmicas e dificuldades relevantes relacionadas a essas operações no Registro de Imóveis, parece-nos que a oportunidade sugere padronização de procedimento registral. Evitar-se-á, assim, práticas registrais díspares, além suprir algumas situações que não foram expressamente previstas na Lei de regência. A título de exemplo desse tipo de lacuna, mencionamos a hipótese de ocultação deliberada do devedor fiduciante para obstaculizar sua notificação extrajudicial, circunstância que exige que a interpelação seja feita em Juízo, visto ser prerrogativa do Oficial de Justiça a citação com hora certa, que constitui modalidade da citação por mandado judicial (CPC, art. 222 e ss).
Como no exemplo citado, existem outras situações periféricas que dizem respeito à forma de apresentação da planilha de pagamento, do número de vias que deve ser apresentado, do pagamento diretamente no próprio estabelecimento do agente financeiro, do prazo para requerimento da consolidação da propriedade fiduciária, cujas situações atualmente são aplicadas dentro do critério prudencial de cada Oficial. Acreditamos que a despeito dos entendimentos particularizados até serem jurídicos e aceitáveis, parece-nos que sua padronização será fator relevante para o fluxo dos negócios imobiliários, máxime considerando-se a eletronificação do procedimento.
Como documento representativo do crédito originado pela existência de direitos de crédito imobiliário com pagamento parcelado, tendo como lastro o imóvel hipotecado ou alienado fiduciariamente, o credor pode emissão a Cédula de Crédito Imobiliário (CCI), com o objetivo de facilitar e simplificar a cessão do crédito, atendendo, desse modo, o mercado da securitização, conforme disciplinado pela Lei nº 10.931, de 2 de agosto de 2004.
A padronização do procedimento registral dos atos relacionados com a Cédula de Crédito Imobiliário (CCI) com os instrumentos dela decorrentes, afigura-se também de importância para o bom entendimento dos usuários.
A sugestão que respeitosamente fazemos a Vossa Excelência é a inclusão de seção específica sobre os dois temas no Capítulo XX das Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça, que tomamos a liberdade de apresentar adiante, como proposta.
V – DA COBRANÇA DE EMOLUMENTOS NO PROCEDIMENTO DE RETIFICAÇÃO ADMINISTRATIVA DO REGISTRO.
A Lei nº 10.931, de 2 de agosto de 2004, introduziu importantes modificações nos artigos 212, 213 e 214 da Lei de Registros Públicos para possibilitar que a retificação dos dados registrários se dê, em certos casos, diretamente no próprio âmbito do serviço extrajudicial, tornando despicienda a via judicial.
Atendendo aos mesmos requisitos exigidos para a retificação consensual, o interessado que tiver seu imóvel fracionado por sucessivas alienações parciais também poderá requerer a apuração da área remanescente de seu imóvel em procedimento administrativo extrajudicial (Lei nº 6.015/1973, art. 213, § 7º).
Embora a lei seja de 2004 e milhares de retificações administrativas tenham sido realizadas pelos Oficiais de Registro de Imóveis, é certo que todos esses procedimentos foram feitos GRATUITAMENTE visto que a Tabela de Custas e Emolumentos não prevê a cobrança de emolumentos para o procedimento extrajudicial, aliás, à época da edição de referida lei os registros imobiliários ainda não detinham essa competência.
A previsão de cobrança de emolumentos refere-se apenas ao ato de averbação da retificação, seja ela processada na via judicial ou extrajudicialmente (item 2.1. das Notas Explicativas da Tabela II – Dos Ofícios de Registros de Imóveis, anexa à Lei Estadual nº 11.331, de 26.12.2002).
Todavia, o legislador paulista, sábia e preventivamente, reservou à E. Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo a possibilidade de suprir lacunas que porventura viessem a existir na Tabela de Custas e Emolumentos, evidentemente, em atenção aos novos negócios registráveis, conforme expressamente dispõe o art. 10, da lei Estadual nº 11.331, de 2002:
Artigo 10 – Na falta de previsão nas notas explicativas e respectivas tabelas, somente poderão ser cobradas as despesas pertinentes ao ato praticado, quando autorizadas pela Corregedoria Geral da Justiça.
Por oportuno consignar que o processamento da retificação administrativa na serventia ou da apuração de remanescente é um dos atos registrais que exige demorados e minuciosos exames e conferências da cadeia dominial, de medidas, confrontações, rumos, graus, ângulos, elementos de georreferência e outros, bem como a elaboração de notificações, o controle de prazos, tentativas de conciliação, em caso de impugnações, sendo, invariavelmente, designados para o controle desses serviços os prepostos de maior qualificação da serventia.
Por vezes, o Oficial contrata por sua conta a assessoria de profissionais especializados da área de engenharia, normalmente peritos que já atuam na Vara de Registros Públicos, tendo em vista a responsabilidade pelo exame de solicitação de retificação feita pelo usuário do serviço público delegado. A propósito, o item 124.15 do Capítulo XX das Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça prevê realização pelo oficial de diligências, vistorias externas, contratações de técnicos etc.
Por essas razões, e por outras, também jurídicas e concretas que deixamos de mencionar, para não nos alongarmos mais, apresentamos este pleito a Vossa Excelência no sentido de autorizar a cobrança do procedimento extrajudicial da retificação imobiliária. Tomamos a liberdade de propor, como parâmetro para cobrança de emolumentos referente ao procedimento extrajudicial, o valor correspondente a 50% (cinquenta por cento) do valor da averbação.
VI – ADEQUAÇÃO DA GRATUIDADE DE ATOS NOTARIAIS E REGISTRAIS À ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA.
Durante décadas, o entendimento da E. Corregedoria Geral da Justiça, na aplicação da Lei nº 1.060, de 5 de fevereiro de 1950, que estabelece normas para a concessão de assistência judiciária aos necessitados, foi o de que tendo em conta a natureza eminentemente pessoal do benefício da assistência judiciária, somente quando a autoridade judiciária tenha emitido um comando expresso, poderia o ato extrajudicial ser realizado gratuitamente para o requerente, evitando a usurpação do benefício, por parte de terceiros não contemplados pela benesse estatal, ainda que partes no mesmo processo judicial.
Invariavelmente ocorrem casos em que o autor aufere os benefícios da Assistência Judiciária Gratuita para o ingresso de seu pleito em Juízo, todavia, vencedor da demanda, obtém o patrimônio e as vantagens que perseguia.
Como é do conhecimento de Vossa Excelência, são muitíssimos os casos em que ao alcançar o êxito na ação judicial, o autor recebe altos depósitos existentes em contas bancárias e em cadernetas de poupança, ações, imóveis, veículos etc. Então, aquele que outrora era pobre no sentido jurídico da palavra, torna-se até milionário. Todavia, a orientação normativa em vigor mantém em privilégio não apenas este que obteve inicialmente a concessão da gratuidade, mas todos os demais envolvidos no mesmo processo. Chega-se ao descalabro do demandado pleitear gratuidade dos atos registrais tão somente porque figurou como parte em processo judicial onde houve concessão de Assistência Judiciária Gratuita.
O tema foi devidamente apreciado por essa E. Corregedoria Geral da Justiça nos Processos CG. 3.908/1999, 397/2003, 1012/2003, mantendo-se esse entendimento de forma pacífica, durante décadas, o qual emigrou de nossa jurisprudência administrativa para a Lei Estadual nº 11.331, de 26 de dezembro de 2002 (Lei de Emolumentos em vigor), em disposição do seguinte teor:
Artigo 9º – São gratuitos:
I – os atos previstos em lei;
II – os atos praticados em cumprimento de mandados judiciais expedidos em favor da parte beneficiária da justiça gratuita, sempre que assim for expressamente determinado pelo Juízo (grifamos).
Posteriormente, por respeitáveis decisões proferidas nos processos 11.773/2008 e 11.238/2006 a GRATUIDADE foi automaticamente estendida para todos os atos notariais e registrais oriundos de todos os processos onde tenha havido a concessão da Assistência Judiciária Gratuita.
Algumas vezes consta do Título Judicial simples aposição de carimbo com os dizeres “Assistência Judiciária Gratuita”, circunstância que tem levado os registradores praticarem todos os atos graciosamente, em prejuízo à capacitação financeira da serventia e também aos recolhimentos das verbas devidas ao Estado, ao IPESP, ao TJSP e ao Fundo do Registro civil.
Até então se entendia, também, que a gratuidade disposta em favor da parte beneficiária da Assistência Judiciária Gratuita atingia apenas as verbas devidas ao Estado, ao IPESP e ao Tribunal de Justiça do Estado, mantido o valor correspondente aos emolumentos devidos ao Oficial (Decisão proferida no Processo nº 000.02.204593-7, 1ª Vara de Registros Públicos da Capital, Juiz VENÍCIO ANTONIO DE PAULA SALLES).
Por oportuno consignar que a Lei Estadual nº 11.331/2002 resulta de Anteprojeto elaborado por Comissão de altíssimo nível que estudou a matéria por aproximadamente um ano e meio. Criada especialmente criada para esse fim, no âmbito da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania, foi composta com os seguintes representantes: do Poder Executivo: membros da Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania, que a presidiu; membros da Secretaria da Fazenda; membros da Assessoria Técnica Legislativa; membros da Procuradoria Geral do Estado; membros da Carteira de Previdência das Serventias Não Oficializadas do Estado; b) membros do Poder Judiciário; c) membros indicados pelo Poder Legislativo; d) representantes da Associação dos Notários e Registradores do Estado de São Paulo; representantes do Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo.
Com efeito, a Lei nº 10.169, de 29 de dezembro de 2000, que regulamentou o § 2º do art. 236 da Constituição Federal, mediante o estabelecimento de normas gerais para a fixação de emolumentos relativos aos atos praticados pelos serviços notariais e de registro, deixou expressa a competência dos Estados para estabelecer as regras e tabelas de cobrança dos atos que praticam os notários e registradores, balizando princípios e normas gerais norteadores do custo efetivo e a adequada e suficiente remuneração dos serviços prestados em delegação.
Salientou esse diploma legal a necessidade, para fixação dos emolumentos de se observar a natureza pública e o caráter social dos serviços. A Lei Estadual nº 11.331/2002, ao fixar os emolumentos em observância à referida norma federal de diretrizes e princípios gerais, já contemplou em seus valores o cunho social do ato a ser praticado.
Confiando na juridicidade da referido diploma, tomamos a liberdade de apresentar a presente solicitação a Vossa Excelência, no sentido de reconhecer que (1) a assistência judiciária gratuita é um benefício de cunho eminentemente pessoal, não abrangendo outras partes para as quais não houve a expressa concessão de gratuidade pela Autoridade Judiciária, ainda que integrem o mesmo processo judicial; (2) é pressuposto para a concessão da GRATUIDADE dos atos notariais e registrais que (a) que no decorrer do processo a parte tenha sido beneficiária da assistência judiciária gratuita e, (b) o MM. Juiz que preside o feito tenha expressamente determinado sua abrangência para os atos notariais e registrais; (3) a gratuidade dos atos está limitada aos Mandados Judiciais expedidos em favor da parte beneficiária da justiça gratuita; (4) nos demais Títulos Judiciais a abrangência da isenção incidirá sobre custas e contribuições.
Embora, data máxima vênia, o texto do inciso II do artigo 9º da Lei Estadual nº 11.331/2002 seja extremamente claro e de interpretação restritiva, por tratar-se de matéria tributária, parece-nos que a inclusão de preceito nas Normas de Serviço tornaria o tema expressamente dirimido no âmbito da E. Corregedoria Geral da Justiça, perante as digníssimas Corregedorias Permanentes do Estado, bem como os notários e registradores a elas vinculados.
VII – UNIFORMIZAÇÃO DE HORÁRIO DE ATENDIMENTO AO PÚBLICO
A competência dessa Egrégia Corregedoria Geral da Justiça para fixar o horário de atendimento ao público decorre do artigo 4º da Lei Federal nº 8.935/1994, que disciplina:
“Os serviços notariais e de registro serão prestados, de modo eficiente e adequado, em dias e horários estabelecidos pelo juízo competente, atendidas as peculiaridades locais, em local de fácil acesso ao público e que ofereça segurança para o arquivamento de livros e documentos.
§ 1º …
§ 2º O atendimento ao público será, no mínimo, de seis horas diárias.” (destaques e grifos nossos)
No uso de referida competência, essa Egrégia Corregedoria Geral tratou da matéria no item 1 do Capítulo II das Normas do Pessoal dos Serviços Extrajudiciais, fixando, em síntese e sem prejuízo de seu poder normativo, a competência das Corregedorias Permanentes para estabelecer horários, preservando-se o mínimo de seis horas diárias, as quais devem ser ininterruptas quando a Serventia contar com, no mínimo, 3 (três) escreventes.
Contudo, Excelência, em decorrência da implantação do registro eletrônico, a ARISP pondera a conveniência da Corregedoria Geral disciplinar horário único de atendimento ao público para as Serventias de Registro de Imóveis do Estado de São Paulo, sem prejuízo da fixação pelo Registrador da jornada de trabalho, aí incluído o horário de expediente exclusivamente interno.
A primeira razão reside no interesse público. Enquanto o horário de funcionamento do serviço permanece sob a definição de cada Oficial, considerada a peculiaridade local e a conveniência do serviço, aí consideradas variáveis como volume de títulos, atos praticados e formas de remuneração, entre outras, de forma a observar os artigos 8º a 10 da Lei Federal nº 6.015/1973, o horário de atendimento ao público importa em interesse público na esfera de todos os usuários, além de ampliar a visão de unidade e padronização do sistema.
O segundo motivo se encontra na conveniência para implantação e fiscalização do sistema de Registro Eletrônico, viabilizando uniformidade do e-Protocolo e da emissão de certidão digital, inclusive com vantagens para o módulo de Correição Online.
Considere-se, também, a melhoria para os próprios serviços delegados decorrentes de referida padronização, de modo a permitir-lhes a adoção de práticas de gestão que considerem tal uniformização.
Considerando a positiva experiência de uniformidade do horário de atendimento ao público há anos vigente na Capital das 9h as 16h, sem notícias de reclamações, pretende-se sua extensão para todos os Registros Imobiliários do Estado de São Paulo.
Para as Serventias que contarem com apenas 2 (dois) Escreventes, mediante autorização das Corregedorias Permanentes, propõe-se a possibilidade de suspensão do horário de atendimento ao público das 12h00 às 13h00, com o que não serão prejudicados o protocolo eletrônico e a fiscalização eletrônica e restará atendido o mínimo de 6 (seis) horas diárias de atendimento.
VII – CONSIDERANDOS BÁSICOS DESTA PROPOSITURA
A nosso juízo, salvo opiniões em contrário, a presente proposta de desmaterialização parcial do procedimento registral só terá sentido se, desde logo, refletir benefícios efetivos, quer em relação aos custos diretos e indiretos, quer quanto à poupança nos recursos materiais e humanos, capacitação econômica e busca de uma melhor organização da informação interna das serventias (processos e arquivo) e potencialização da (melhor) gestão de BI (business intelligence), em atenção às expectativas do Mercado e do público em geral, sobretudo para rematar uma iniciativa perseguida há meio século.
Reportamo-nos ao esforço do legislador de 1964 ao editar a Lei nº 4.380, de 21.8.1964 que procurava consumar a evolução natural da instituição registral, superando, ao mesmo tempo, os aspectos negativos de sua prática que causam irritação aos demais players envolvidos na cadeia de negócios jurídicos imobiliários, inclusive e especialmente ao beneficiário final, determinando, expressamente, que fossem simplificados todos os processos e métodos pertinentes às transações imobiliárias, notadamente aquelas que envolvem financiamento.
No entanto, parece-nos que não basta essa disposição peremptória da lei que, malgrado não cominar pena ao seu descumprimento, salvo apreciação pelo Poder Fiscalizador – o Judiciário – de descumprimento do dever de “eficiência” na prestação do serviço público delegado de registro de imóveis, o que, em tese, acarretaria a perda da delegação por infração ao art. 4º da Lei nº 8.935/1994 que determina que “Os serviços notariais e de registro serão prestados, de modo eficiente e adequado…”.
Numa visão panorâmica, sobrelevam-se dois aspectos, que com a máxima consideração ponderamos perante Vossa Excelência, a saber:
a) a oposição para o acesso de títulos ao fólio real de óbices que não constituem causas de nulidade do negócio jurídico.
Parece-nos que simples irregularidades formais que não comprometem a essência do negócio jurídico contratado, jamais podem ser opostas pelo registrador de imóveis para impedir a inscrição registral e seus consequentes efeitos, pena de comprometer o objetivo da instituição registral em nosso Ordenamento Jurídico.
Por ser a tarefa qualificadora eminentemente profissional, por consequência, seu conteúdo e alcance deve ser essencialmente jurídico. Não há espaço para improvisações, conjecturas e suposições que possam levar o registrador a formular exigências que nem a lei e nem as normas técnicas preveem. Pelo contrário, parece iniludível que o registrador deve examinar o título que lhe foi apresentado com o máximo de disposição psicológica favorável para que as partes consigam inscrever todos os atos e publicar todos os direitos que quiseram constituir, visando benefícios e salvaguardas da publicidade registral.
Obviamente, estando os oficiais de registros de imóveis sujeitos às correições e inspeções pelo Juiz Corregedor Permanente, pela E. Corregedoria Geral da Justiça e pela E. Corregedoria Nacional de Justiça, o reconhecimento de sua qualidade como profissional do Direito pelo Poder Fiscalizador redundará em estabilidade emocional para que a qualificação registral seja melhor empreendida, livre do pesadelo da presença da espada de Dâmocles.
A concretização desse reconhecimento pelo Poder Fiscalizador funcionará como cidadela para o exercício da independência jurídica do Oficial, no desenvolvimento do serviço público delegado de registro de imóveis, que tem expressão máxima e razão de ser na qualificação registral, malgrado já esteja assegurado na Lei nº 8.935/1994, verbis:
Art. 28. Os notários e oficiais de registro gozam de independência no exercício de suas funções […].
Temos plena convicção que a qualificação registral será fator de maior fluidez para acesso dos negócios imobiliários ao Registro de Imóveis quando for entendido que se o Registrador, interpretando a lei, toma determinada decisão, fundamentando-a, seguramente, está no exercício de sua independência jurídica como profissional do direito. Parece-nos que nessa hipótese, poder-se-á falar em reparação de eventuais danos causados por sua decisão, jamais em falta administrativa a ser punida pelo Juízo Corregedor. Por óbvio, salvo se o Oficial agiu dolosamente, ou com imprudência ou negligência, quem sabe até em certas hipóteses, por imperícia.
b) dos prazos para qualificação registral, registro e devolução do título.
Imune de dúvidas que os constantes concursos públicos realizados pelo Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo têm colaborado para o aprimoramento técnico tanto dos oficiais quanto de seus prepostos e para o investimento crescente e constante em novas tecnologias, inclusive com vistas à implantação do registro eletrônico. Tais fatores têm repercutido em significativa redução dos prazos de qualificação e registro, o que autoriza os registradores imobiliários paulistas a propor um novo marco regulatório no tocante aos prazos.
De considerar que o antigo Regulamento de Registros Públicos – Decreto nº 4.857 de 9 de novembro de 1939 – fixava no parágrafo 1º, do artigo 215, o prazo improrrogável de cinco (5) dias para que o oficial procedesse à qualificação do título e formulação das exigências legais.
Na época a praxe e também a orientação normativa[20] para efetivação dos atos registrais era a seguinte:
I – Dentro de dez dias úteis seguintes ao da apresentação, se o título não tivesse exigência;
II – Dentro dos cinco dias úteis seguintes ao da satisfação das exigências, se o registro ficasse dependendo disso;
III – Quando o registro do título importasse em mais de cinco transcrições ou inscrições, dentro dos quinze dias úteis seguintes ao da apresentação, se não houvesse exigências; se houvessem, dentro dos dez seguintes ao da satisfação delas.
IV – Quando o registro do título importasse em mais de dez transcrições ou inscrições, o Oficial poderia requerer ao Juiz da Vara de Registros Públicos uma prorrogação até o máximo de dez dias úteis, tendo-se por negada, quando não for concedida dentro do prazo a prorrogar.
A Lei 6.015/73, como se sabe, foi omissa a respeito. Parece-nos, todavia, que essa omissão do legislador de 1973, ao invés de ser entendida como silêncio, deve ser ouvida como um voto exultante de confiança na maturidade da instituição registral para, por si mesma, acompanhar a velocidade da evolução do Direito Administrativo no que se refere à prestação de serviços públicos, bem como da gestão empresarial e das práticas de Mercado, redundando, em síntese, em abreviação dos prazos registrais.
Evidentemente que o normal é a protocolização do título e o seu registro imediato ou até 30 dias da data da apresentação, de conformidade com o art. 188 da Lei de Registros Públicos.[21] Essa mesma constatação foi feita logo depois da vigência da Lei nº 6.015/1973 por VALMIR PONTES, esclarecendo que esse texto corresponde ao art. 192 do Decreto-lei nº 1.000, de 21 de outubro de 1969, que era cópia do art. 205 do Decreto nº 4.857/1939.[22]
Ao refletir sobre esse tema, realmente, necessariamente se faz trazer à memória que para substituir o Decreto nº 4.591, de 1.939, foi editado o Decreto-lei nº 1.000/1969, cujo decreto disciplinou expressamente esse tema. A execução desse decreto foi prorrogada sucessivas vezes, até ser expressamente revogado pela Lei nº 6.064, de 28.6.1974, malgrado tenha também esta sido revogada pela Lei nº 6.216, de 30.6.1975.
É certo que não se pode falar em repristinação do Decreto-lei nº 1.000, porém, com mesma ênfase, não se pode olvidar ou desprezar a constatação de que em 1969 entendia-se que os serviços de registros de imóveis do país estavam em condições de cumprir os prazos de cinco dias para qualificação e apresentação de eventuais exigências e de dez dias para o registro. Era o que dispunha em seu art. 201:
Art. 201. Tomada a nota da apresentação e conferido o número de ordem, em conformidade com o artigo 192, o oficial verificará a legalidade e a validade do título, procedendo ao registro, se o mesmo estiver em conformidade com a lei, no prazo máximo de dez dias úteis, salvo no caso previsto no parágrafo único do artigo 7º do Decreto-lei nº 549, de 24 de abril de 1969, em que o prazo será de três dias.
§ 1º O oficial fará essa verificação no prazo improrrogável de cinco dias úteis, e poderá exigir que o apresentante ponha o documento em conformidade com a lei, concedendo-lhe, para isso, prazo razoável. Não se conformando o apresentante com a exigência do oficial, ou não podendo satisfazê-la, será o título, a seu requerimento e com a declaração da dívida, remetido ao juízo competente para decidi-Ia.
Como observado, desde 1939 que os prazos para a prática dos atos registrais eram fixados em: (a) cinco dias úteis – IMPRORROGÁVEIS – para a qualificação e emissão da nota de exigência, e (b) dez dias úteis para efetivação dos atos registrais.
Acreditamos que o legislador de 1973 deve ter ponderado que (a) com a utilização dos atos registrais concentrados no fólio real[23], (b) com a disseminação da máquina de escrever e a possibilidade dos atos registrais serem datilografados e (c) com a utilização em massa da caneta esferográfica os prazos até então praticados seriam abreviados, por efeito de autorregulamentação.
No âmbito da Comarca da Capital foi editado em 25 de fevereiro de 1988 o Provimento nº 01/88, baixado por Vossa Excelência e pelo Desembargador RICARDO DIP, enquanto Juízes em Exercício na 1ª Vara de Registros Públicos, ficando desde então estabelecido que a qualificação dos titular efetuar-se-á no prazo máximo de 15 (quinze) dias, a contar da apresentação, formulando-se todas as exigências que para sua inscrição houver.
Posteriormente, essa E. Corregedoria Geral da Justiça editou o Provimento CGJ 32/97, de 23.12.1997 que alterou o item 32, do Capítulo XX, das NSCGJSP, para o seguinte teor:
32. O prazo para exame, qualificação e devolução do título com exigências à parte será de quinze dias, e o prazo para registro do título será de trinta dias, contados da data em que ingressou na serventia e foi prenotado no Livro Protocolo.
De fato, com a evolução das tecnologias informáticas, permitindo pesquisas em base de dados, importação de dados, processamento de textos e impressão por processo digital, os prazos praticados desde 1939 poderiam, em tese, ser ponderados para o efeito de abreviá-los, todavia, ao considerar-se que a ausência de expressa disposição na Lei nº 6.015/1973 levou à praxe de tomar por empréstimo o prazo de trinta (30) dias relativo à vigência da prenotação e prazo máximo de registro (Art. 188).
Parece-nos que as serventias não estão globalmente preparadas para o que seria ideal – abreviar os prazos praticados desde 1939 ante a utilização das novas tecnologias – conquanto várias serventias registrais pratiquem prazos infinitamente inferiores àqueles preconizados no antigo Regulamento de Registros Públicos, bem como nas normas administrativas acima mencionadas.
Reafirmamos que a eficácia no controle da tramitação de títulos na serventia, a facilidade de pesquisa nos indicadores real e pessoal por sistema de processamento de dados, aliadas a profissionalização do registrador e seus prepostos como operadores do Direito nos leva inexoravelmente a abrir os ouvidos para os requerimentos sociais e de mercado quanto à abreviação dos prazos praticados pelos registros de imóveis para atos de registros e averbações.
Dentro desse contexto, parece-nos que a simples retomada do prazo improrrogável de dez dias úteis para o registro, aproveitando-se o mesmo interregno para o exame, qualificação e devolução com exigências, quando for a hipótese, observando-se o prazo de cinco dias para o registro na ocorrência de reapresentação do título com as exigências cumpridas, afigura-se bastante razoável, tanto para as serventias pequenas, quanto para aquelas de maior porte.
Existem, todavia, outros prazos maiores e menores, já disciplinados por lei. Salvo melhor entendimento, esses prazos se referem a situações excepcionais e devem assim ser mantidos.
Por exemplo, nos registros decorrentes de processo de parcelamento do solo ou de incorporação imobiliária, o registrador deverá observar o prazo máximo de 15 (quinze) dias para o fornecimento do número do registro ao interessado ou a indicação das pendências a serem satisfeitas para sua efetivação (Lei nº 4.591/1964, art. 32, § 6º, c.c. Lei nº 6.015/1973, art. 237-A, § 2º), de onde se deduz que o prazo para qualificação de outros títulos, de menor complexidade, deverá ser ainda menor.
Nos atos registrais relativos ao PMCMV, o prazo para qualificação do título e respectivo registro, averbação ou devolução com indicação das pendências a serem satisfeitas para sua efetivação não poderá ultrapassar a 15 (quinze) dias, contados da data em que ingressar na serventia (Lei 11.977/2009, art. 44-A).
No que diz respeito ao prazo de registro das Cédulas de Crédito Rural/Industrial/Comercial/Exportação/Bancário, a legislação pertinente às mesmas fixa o prazo para seu registro em 3 (três) dias (DL 167/1967, art. 38, DL 413/69, art. 38, Lei n. 6.840/80, art. 5º, Lei 6.313/75, art. 3º, Lei 10.931/04, art. 30).
Quanto à alienação fiduciária ou hipoteca de bem imóvel pelo SFH ou SFI, e atos afins, o prazo para registros e averbações é de 15 (quinze) dias (§ 7º do art. 61 da Lei n. 4.380/64 que foi acrescido pelo art. 1º da Lei n. 5.049/66; art. 52, Lei 10.952/2004). Caso se trate de alienação fiduciária de bem imóvel ou hipoteca constituída por cédula de crédito, o prazo também é de 3 (três) dias, conforme a legislação das cédulas de crédito acima citada.
No caso de registro por mandado expedido em processo de desapropriação de imóvel rural, por interesse social, para fins de reforma agrária, na forma da Lei Complementar nº 76, de 6 de julho de 1993, nos termos do parágrafo único do art. 17 “O registro da propriedade nos cartórios competentes far-se-á no prazo improrrogável de três dias, contado da data da apresentação do mandado”.
Também, essa E. Corregedoria Geral, visando cumprir os propósitos da Lei nº 6.830/80, já fixou em 5 (cinco) dias o prazo para que em registro de penhora ou de arresto decorrentes de execuções fiscais o oficial proceda ao exame do título e comunique eventuais exigências ao Juízo da execução, a fim de que intimada possa diretamente a Fazenda Pública cumprir as exigências ou requerer suscitação de dúvida (NSCGJSP, XX, item 37.1).
Por outro lado, podem ocorrer dificuldades na qualificação registral em razão da complexidade do título ou novidade da matéria, obscuridade legislativa, existência de lacunas na lei, dificuldades de pesquisas, divergência doutrinária ou jurisprudencial, necessidade de consulta a órgãos de assessoria, entidades de classe, ou ao próprio Poder Fiscalizador, cujas circunstâncias não permitem que a qualificação e o registro sejam efetivados nos prazos ora propostos.
Na lógica de sua posição, não há como o Registrador se recusar a proclamar a sua decisão, motivado por eventual estado de perplexidade, diante da qualificação registral. O registrador espanhol JOSÉ MARIA CHICO Y ORTIZ classifica como “imperplejidad o postura que sabe resolver las cuestiones, llegar al fondo del problema y darle solución através de una deción ‘reglada’ que se ajusta a la norma”.[24]
Acrescente-se, também, a apresentação simultânea de grande quantidade de títulos, em patamares superiores às prenotação diárias da serventia, circunstância que reclama tratamento também excepcional.
Assim, salvo melhor entendimento, os prazos que se pretende retomar do antigo Regulamento de Registros Públicos de 1939 devem ser modulados, para que a qualificação registral de situações delicadas e atos consequentes sejam empreendidos pelo Oficial de Registro de Imóveis, de forma confortável, a fim de que atinja seu verdadeiro sentido e alcance, de forma harmoniosa e sem o estresse que poderia ser causado pela exiguidade de tempo para tal desiderato.
Por fim, há de se reconhecer que a situação presente não espelha o mesmo quadro existente por ocasião da edição daqueles pretéritos diplomas legais, aqui trazidos somente para fins históricos, e da própria Lei de Registros Públicos vigente, não se desconhecendo que a função registral atualmente é dotada de maior grau de complexidade. Todavia, ainda assim, é chegado o momento em que os registradores imobiliários paulistas, atentos ao atual estágio do sistema predial, sugerem significativas alterações nos prazos ora praticados, de forma a atender os anseios da sociedade contemporânea.
V I – PROPOSTA DE EDIÇÃO DE ATO NORMATIVO
Como síntese de nossa manifestação, pedimos vênia para sugerir a edição de ato normativo contemplando o seguinte:
………………
Artigo 1º – Ficam alterados os itens 39, 39.2, e 49.1, da subseção II, da seção IV, e introduzida a Seção XI sob a epígrafe “Traslados e Certidões Notariais Eletrônicas”, todos do Capítulo XIV, Tomo II, das Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça, nos seguintes termos:
(Quanto as disposições sugeridas para o traslado notarial, apresentaremos, brevemente, requerimento conjunto firmado pela ARISP e pelo Colégio Notarial do Brasil, Seção de São Paulo).
Artigo 2º – É introduzida no Capítulo XX (Registro de Imóveis), Tomo II, das Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça, seção com a epígrafe “DAS DISPOSIÇÕES GERAIS”, que fica nominada como Seção I, nos seguintes termos:
1. O Registro de Imóveis é atividade exercida em caráter privado por profissionais do Direito, mediante delegação do Poder Judiciário, outorgada por meio de concurso público de provas e títulos, e está sujeita ao regime jurídico e procedimentos estabelecidos na Constituição Federal, na legislação pertinente em vigor, e, subsidiariamente, nos atos normativos editados pelo Juízo competente, os quais definem sua competência, atribuições, organização e funcionamento.
1.2. Ao Oficial do Registro de Imóveis cumpre prestar os serviços a seu cargo de modo adequado, observando rigorosamente os deveres próprios da delegação pública de que estão investidos, a fim de garantir autenticidade, publicidade, segurança, disponibilidade e eficácia dos atos jurídicos constitutivos, translativos ou extintivos de direitos reais sobre Imóveis e atividades correlatas.
1.3. Serviço prestado de modo adequado é o que atende ao interesse público e corresponde às exigências de qualidade, continuidade, regularidade, eficiência, atualidade, generalidade, modicidade, cortesia e segurança.
1.4. Entende-se por atualidade do serviço o uso de métodos, instalações e equipamentos que correspondam a padrões de modernidade e avanço tecnológico, bem como a sua ampliação, na medida das necessidades dos usuários e em apoio ao labor jurídico do registrador e seus prepostos.
1.5. Para os fins do disposto no subitem anterior os Oficiais de Registro de Imóveis adotarão boas práticas de governança corporativa do setor público administrativo e aquelas disseminadas pelas entidades institucionais representativas.
1.6. Para atender ao princípio da eficiência na prestação do serviço público delegado, deverá o Oficial do Registro de Imóveis encontrar soluções para dar celeridade e maior rapidez ao trâmite da documentação a seu cargo, liberando-a em prazos inferiores aos máximos assinalados.
1.7. O gerenciamento administrativo e financeiro dos serviços registrais é de responsabilidade exclusiva do respectivo titular, inclusive no que diz respeito às despesas de custeio, investimento e pessoal, cabendo-lhe estabelecer normas, condições e obrigações relativas às atribuições de funções e de remuneração de seus prepostos de modo a obter a melhor qualidade na prestação dos serviços.
1.8. Aos designados para responderem por unidade vaga, é defeso contratar novos prepostos em nome da unidade, aumentar salários dos prepostos já existentes na unidade, ou contratar novas locações de bens móveis e imóveis, de equipamentos ou de serviços, que possam onerar a renda da unidade vaga de modo continuado, sem a prévia autorização da Corregedoria Geral da Justiça. Todos os investimentos que comprometam a renda da unidade vaga no futuro deverão ser objeto de projeto a ser encaminhado para a aprovação do juiz corregedor permanente da serventia, ressalvada a contratação e majoração de salários de prepostos registrados no nome pessoal do designado, o qual deverá encerrar os respectivos contratos de trabalho, no término de sua designação.
1.9. Os oficiais de Registro de Imóveis gozam de independência jurídica no exercício de suas funções. Quando o Oficial interpreta disposição legal ou normativa, para permitir o acesso de título ao fólio real, está no exercício regular dessa prerrogativa. A responsabilização pelos danos que eles e seus prepostos causem a terceiros, na prática de atos próprios da serventia, independe da responsabilização administrativa e somente será considerada falta disciplinar, a ser punida na forma lei, se agiu dolosamente, ou com imprudência, negligência ou imperícia.
1.10. Quando a complementação de dados de título depender de informações existentes na própria Unidade de Serviço ou em serviços de informações de órgãos oficiais publicadas na Internet, deverá o Oficial certificar o acesso de referidos elementos, evitando-se a devolução do título para cumprimento de exigências. Havendo incidência de taxas ou emolumentos em referidas consultas, estes poderão ser pagos na retirada do título, desde que previamente autorizados pelo apresentante.
Artigo 3º – A Seção I – DAS ATRIBUIÇÕES – passa a ser denominada Seção I-A – DAS ATRIBUIÇÕES – e o item I dessa seção fica renumerado como item 1-A.
Artigo 4º – Ficam alterados os itens 11 e 12 e incluídos seus subitens, da seção II, do Capítulo XX, Tomo II, das Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça, nos seguintes termos:
11. Deverá ser fornecido às partes recibo-protocolo de todos os documentos ingressados, contendo numeração de ordem idêntica à lançada no Livro 1 – Protocolo, a qual, necessariamente, constará anotada, ainda que por cópia do mencionado recibo, nos títulos em tramitação.
11.1. O recibo-protocolo deverá conter, necessariamente, nomes do apresentante, do outorgante e outorgado, a natureza do título, o valor do depósito prévio, a data em que foi expedida, a data prevista para eventual devolução do título com exigências, a data prevista para a prática do ato, a data em que cessarão automaticamente os efeitos da prenotação, a senha e o endereço para acompanhamento do procedimento registral pela Internet.
11.2. O recibo-protocolo de títulos ingressados excepcionalmente na serventia apenas para exame e cálculo deverá conter a data em que foi expedido, a data prevista para devolução e a expressa advertência de que não implica na prioridade prevista no artigo 186 da Lei n° 6.015/73, a senha e o endereço eletrônico para acompanhamento do procedimento registral pela Internet.
12. Havendo exigências de qualquer ordem, deverão ser formuladas de uma só vez, por escrito, de forma clara e objetiva, em papel timbrado do cartório, com identificação e assinatura do servidor responsável.
12.1. Elaborada a nota de exigência, esta será imediatamente postada na Central de Serviços Eletrônicos Compartilhados dos Registradores de Imóveis do Estado de São Paulo (Central Registradores de Imóveis), podendo ser acrescidas funcionalidades de envio por e-mail ou por SMS, sem prejuízo de sua manutenção na serventia para entrega concomitante com a devolução do título e dos valores correspondentes ao depósito prévio, esta, quando ocorrer protocolização tradicional de título em papel.
12.2. As notas de devolução serão feitas com cópias, as quais deverão ser arquivadas em pastas, segundo a ordem cronológica, a fim de possibilitar o controle das exigências e a observância do prazo legal.
12.3. As cópias das notas de devolução poderão ser arquivadas apenas em microfilme ou mídia digital, esta última com utilização de sistema que preserve as informações e permita futura atualização, modernização, substituição e entrega, em condições de uso imediato, ao novo responsável pelo acervo da unidade do serviço delegado.
30.1. Ocorrendo direta suscitação pelo próprio interessado (“dúvida inversa”), o título também deverá ser prenotado, assim que o oficial a receber do Juízo para a informação, observando-se, ainda, o disposto nas letras “b” e “c”.
30.1.1. Caso o requerimento tenha sido instruído com cópia do título, mesmo autêntica, o procedimento deverá ser convertido em diligência, para juntada da via original do título, no prazo de dez dias, pena de seu arquivamento.
30.1.2. No caso de irresignação parcial das exigências formuladas, o procedimento deverá ser convertido em diligência, ouvindo-se no prazo igual e sucessivo de dez dias, o oficial do registro de imóveis e o suscitante, até depuração das questões objeto da dissensão entre o apresentante e o registrador, não se admitindo o cumprimento de exigências durante o procedimento. Não havendo manifestação do requerente no prazo de dez dias, o procedimento deverá ser arquivado, cancelando-se a prenotação do título, se houver.
30.2. O registrador dispõe do prazo de quinze (15) dias para apresentação das razões da dúvida, a contar da protocolização do pedido de suscitação de dúvida ou do recebimento dos autos de dúvida inversa do juízo competente.
30.3. Se o interessado não impugnar a dúvida no prazo legal, será ela, ainda assim, julgada de pleno por sentença do Juiz Corregedor Permanente.
30.4. Impugnada a dúvida com os documentos que o interessado apresentar, será ouvido o Ministério Público, no prazo de dez dias.
30.5. Se não forem requeridas diligências, o Juiz Corregedor Permanente proferirá decisão no prazo de 15 (quinze) dias, com base nos elementos constantes dos autos. Caso o Juiz não profira a decisão no prazo de 30 (trinta) dias, após a conclusão dos autos, poderá o interessado interpor recurso administrativo perante a Corregedoria Geral da Justiça para designação de outro Magistrado.
30.6. Da sentença que julgar a dúvida, poderão interpor apelação, com os efeitos devolutivo e suspensivo, o interessado, o Ministério Público e o terceiro prejudicado.
30.7. Aplica-se, no que couber, ao procedimento administrativo comum em matéria de registro de imóveis, de competência recursal da Corregedoria Geral da Justiça, a teor do artigo 246 do Código Judiciário do Estado, as disposições previstas nestas normas para o procedimento da dúvida registral.
Artigo 5º – Fica alterado o item 32 e incluídos seus subitens, renumerando-se o subitem 32.1, todos da subseção II, da seção IV, do Capítulo XX, Tomo II, das Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça, nos seguintes termos:
32. O prazo para exame, qualificação e devolução do título com exigências ou registro à parte será de 10 (dez) dias úteis, contados da data em que ingressou na serventia.
32.1 Reapresentado o título com a satisfação das exigências, o registro será efetivado nos 5 (cinco) dias úteis seguintes.
32.2 Quando o registro do título importar na abertura de mais de dez matrículas ou houver a apresentação simultânea de mais de dez títulos pelo mesmo apresentante, ou do mesmo empreendimento, o prazo será de 15 (quinze) dias úteis, contados da data em que ingressou na serventia e foi prenotado no Livro Protocolo, se não houver exigências. Se houver, dentro dos 7 (sete) dias úteis seguintes ao da satisfação delas.
32.2 Quando o registro do título importar na abertura de mais de cinquenta matrículas ou houver a apresentação simultânea de mais de cinquenta títulos pelo mesmo apresentante, ou do mesmo empreendimento, o prazo para exame, qualificação e devolução do título com exigências à parte será de 15 (quinze) dias, e o prazo para registro do título será de 30 (trinta) dias, contados da data em que ingressou na serventia e foi prenotado no Livro Protocolo, se não houver exigências. Se houver, dentro dos 15 (quinze) dias seguintes ao da satisfação delas.
32.3. Caso ocorram dificuldades na qualificação registral em razão da complexidade do título ou novidade da matéria, o Oficial poderá prorrogar o prazo de qualificação, somente por uma vez, até o máximo de dez dias úteis, em despacho fundamentado que deverá ficar arquivado na serventia ou microfilmado ou digitalizado com a documentação do título, desde que não ultrapasse o prazo de validade da prenotação.
32.4 As disposições acima não se aplicam às hipóteses previstas em lei de prazos mais reduzidos no registro de imóveis ou de expressa determinação judicial.
32.5. Apresentado título de segunda hipoteca, com referência expressa à existência de outra anterior, o oficial, depois de prenotá-lo, aguardará, durante 30 (trinta) dias, que os interessados na primeira promovam o registro. Esgotado esse prazo, que correrá da data da prenotação, sem que seja apresentado o título anterior, o segundo será registrado.
Artigo 6º – Ficam incluídos os subitens 104.3 no item 104, da subseção II, da seção II, do Capítulo XX, Tomo II, das Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça, nos seguintes termos:
104.3 O agente financeiro autorizado pelo Banco Central do Brasil a funcionar no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) e as companhias de habitação integrantes da administração pública poderão, para fins de remessa de documento eletrônico para o Registro de Imóveis, na forma prevista no art. 38 da Lei nº 11.977/2009, formalizar Extrato do Contrato (EC), no formato eletrônico XML (eXtensible Markup Language), contendo as cláusulas que dizem respeito diretamente aos negócios jurídicos de compra e venda e hipoteca, ou compra e venda e alienação fiduciária em garantia, ou compra e venda com utilização de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), cujos modelos serão aprovados pela Corregedoria Geral da Justiça.
104.3.1. O Extrato do Contrato (EC) será assinado somente pelo representante legal do banco, com poderes especiais e expressos para tal, portando este, por exclusiva responsabilidade do agente financeiro que as cláusulas estão contidas no original do contrato respectivo que se encontra em seu arquivo, devidamente formalizado e assinado pelas partes contratantes e duas testemunhas.
104.4 Havendo descrição no Extrato do Contrato (EC) dos impostos pagos pela transmissão imobiliária com indicação de valor e data do recolhimento, será dispensada a anexação do comprovante de pagamento do imposto. Caso haja menção genérica do recolhimento dos impostos e juntada de outros documentos, estes deverão ser anexados por documentos eletrônicos nativos, ou digitalizados em formato PDF/A, devidamente autenticados por tabelião de notas.
104.5 Será considerada regular a representação, dispensada a exibição e conferência pelo Oficial do Registro de Imóveis dos documentos respectivos, quando houver expressa menção no Extrato do Contrato (EC): a) à data, livro e folha do cartório em que foi lavrada a procuração, para os casos de representação por mandato; b) ao tipo de ato constitutivo e seu número de registro na Junta Comercial ou no Registro competente e indicação cláusula que delega a representação legal, quando se tratar de pessoa jurídica, bem como a data e número de registro da ata da assembleia geral que elegeu a diretoria e a autorização para a prática do ato, estes, se exigíveis; c) ao pacto antenupcial e seus ajustes, com indicação do número de seu registro e respectivo Cartório de Registro de Imóveis.
104.6. Adotadas as mesmas cautelas e dentro mesmo formato, poderão os agentes financeiros formalizar Extrato de Cédula de Crédito (ECECRED) emitidas em seu favor, seus aditivos e endossos para fins de remessa de documento eletrônico para o Registro de Imóveis.
Artigo 7º – Fica introduzido o subitem 124.27, na subseção IV, da seção II, do Capítulo XX, das Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça, nos seguintes termos:
124.27. Pelo procedimento administrativo da retificação os Oficiais farão jus aos emolumentos no valor correspondente a 50% (cinquenta por cento) do valor que será devido pela averbação de retificação, inclusive na hipótese prevista no item 124.20.
Artigo 8º – Fica incluído o subitem 137.1, no item 137, e alterado o item 146-E, da subseção I, ambos da seção IV, do Capítulo XX, Tomo II, das Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça, nos seguintes termos:
137.1 A certidão solicitada durante o horário de expediente, com indicação do número da matrícula ou do registro no livro 3 será emitida e disponibilizada dentro de, no máximo, duas horas úteis ou até o seu encerramento, prevalecendo o menor período de espera, salvo se forem solicitadas mais de 10 (dez) certidões pelo mesmo interessado, hipótese em que o prazo poderá ser prorrogado para o expediente do primeiro dia útil seguinte.
146-E O prazo máximo para expedição das certidões no suporte papel será de 5 (cinco) dias, salvo a hipótese prevista no item 137.1, acrescido de mais 1 (um) dia para a circulação de malotes entre as diversas serventias e ou sua postagem no correio ou entrega pessoal.
Artigo 9º – É introduzida no Capítulo XX, Tomo II, das Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça, seção com a epígrafe “DO REGISTRO ELETRÔNICO”, que fica nominada como Seção VIII, nos seguintes termos:
Seção VIII
DO REGISTRO ELETRÔNICO DE IMÓVEIS (SREI)
Subseção I
Das Disposições Gerais
257. Fica implantado o Serviço de Registro Eletrônico de Imóveis (SREI), integrado por todos os Oficiais do Registro de Imóveis do Estado de São Paulo.
258. O Serviço de Registro Eletrônico de Imóveis (SREI) tem como princípio a utilização das modernas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) para desmaterializar procedimentos registrais da serventia, bem como promover sua interação com o Poder Judiciário, governos, empresas e cidadãos na protocolização eletrônica de títulos e no acesso às certidões e informações registrais, de forma a aprimorar a qualidade e eficiência dos serviços prestados em delegação pública.
259. O Serviço de Registro Eletrônico de Imóveis (SREI) será instituído nos prazos e condições previstas na Lei nº 11.977, de 7 de julho de 2009 e nas normas técnicas baixadas pela Corregedoria Geral da Justiça.
260. Até que avanços tecnológicos sobrevenham, a escrituração em meio eletrônico, sem impressão em papel, restringe-se aos indicadores reais e pessoais, controle de títulos contraditórios, certidões e informações registrais.
261. Os Oficiais de Registro de Imóveis do Estado disponibilizarão serviços de recepção de títulos e de fornecimento de informações e certidões, em meio eletrônico, na forma prevista nestas normas.
262. O Serviço de Registro Eletrônico de Imóveis (SREI) será prestado aos usuários externos por meio de plataforma única na Internet que funcionará no Portal Eletrônico da Central de Serviços Eletrônicos Compartilhados dos Registradores de Imóveis (Central Registradores de Imóveis), desenvolvido, operado e administrado pela Associação dos Registradores de Imóveis de São Paulo (ARISP), composto dos seguintes módulos e submódulos:
I – Ofício Eletrônico;
II – Penhora Eletrônica de Imóveis (Penhora Online);
III – Certidão Digital;
IV – Matrícula Online;
V – Pesquisa Eletrônica;
VI – Protocolo Eletrônico de Títulos (e-Protocolo);
VII – Repositório Confiável de Documento Eletrônico (RCDE);
VIII – Acompanhamento Registral Online;
IX – Monitor Registral;
X – Correição Online (Acompanhamento, controle e fiscalização);
XI – Cadastro de Regularização Fundiária Urbana.
Subseção II
Do Protocolo Eletrônico de Títulos (e-Protocolo)
263. A postagem e o tráfego de traslados e certidões notariais e de outros títulos públicos ou particulares, elaborados sob a forma de documento eletrônico, para remessa às serventias registrais para prenotação (Livro nº 1 – Protocolo) ou exame e cálculo (Livro de Recepção de Títulos), bem como destas para os usuários respectivos, serão efetivados por intermédio da Central de Serviços Eletrônicos Compartilhados dos Registradores de Imóveis (Central Registradores de Imóveis).
264. Os documentos eletrônicos apresentados aos serviços de registro de imóveis deverão atender aos requisitos da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil) e à arquitetura e-PING (Padrões de Interoperabilidade de Governo Eletrônico) e serão gerados, preferencialmente, no padrão XML (eXtensible Markup Language), por ser o padrão primário de intercâmbio de dados com usuários públicos ou privados, podendo ser adotado o padrão PDF/A (Portable Document Format/Archive), vedada a utilização de outros padrões, sem prévia autorização da Corregedoria Geral da Justiça.
265. A partir da data de funcionamento do Protocolo Eletrônico de Títulos (e-Protocolo) os Oficiais de Registro de Imóveis verificarão, obrigatoriamente, na abertura e no encerramento do expediente, bem como, pelo menos, a cada intervalo máximo de 2 (duas) horas, a partir da primeira verificação, se existe comunicação de remessa de título para prenotação ou protocolização para exame e cálculo, mediante importação do XML ou impressão de arquivo PDF/A.
265.1. Sem prejuízo desse acompanhamento periódico obrigatório, o sistema gerará, na tela do computador do Oficial destinatário, a título de cautela adicional, um banner de aviso, indicando que existe solicitação pendente. A eventual ausência, por falha técnica, deste alerta, não dispensará o Registrador da adoção das providências para processamento da solicitação, tendo em vista a obrigatoriedade da verificação periódica estabelecida no item anterior.
265.2. O título apresentado em arquivo eletrônico, disponível ao Oficial do Registro de Imóveis na Central Registradores de Imóveis, poderá ser baixado (download) mediante importação para o sistema da serventia ou materializado, mediante impressão gráfica do arquivo PDF/A ou conversão do arquivo XML para PDF/A, fazendo constar da certidão, nesta última hipótese, que o arquivo foi gerado diretamente na Central Registradores de Imóveis, a partir de arquivo no formato PDF/A ou XML, devidamente assinado digitalmente, com menção à data e hora de sua emissão e à verificação de sua origem, integridade e dos elementos de segurança da assinatura eletrônica.
265.3. O documento digital no formato PDF/A ou XML, devidamente assinado com certificado ICP-Brasil, deverá ser arquivado em sistema de Gerenciamento Eletrônico de Documentos (GED).
265.4. As serventias que optarem por solução de comunicação via WebService estão dispensadas da verificação continuada, atendidas as determinações e normas técnicas de segurança utilizadas para integração de sistemas definidas pela Central Registradores de Imóveis.
265.5. O título eletrônico poderá também ser apresentado direta e pessoalmente na serventia registral em dispositivo de armazenamento de dados (CD, DVD, cartão de memória, pendrive etc.), contendo o arquivo a ser protocolado, vedada sua recepção por correio eletrônico (e-mail), serviços postais especiais (sedex e assemelhados) ou download em qualquer outro site.
266. Realizar-se-á regular protocolo no Livro nº 1 (prenotação) ou protocolo no Livro de Recepção de Títulos (exame e cálculo) do título eletrônico, observando-se a ordem de prenotação, para os efeitos legais.
267. Os emolumentos devidos pela prenotação ou pelo exame e cálculo serão pagos no ato da remessa. Caso o título prenotado seja devolvido para o cumprimento de exigências e reapresentado dentro do prazo de validade, o custo da prenotação será descontado do valor cobrado pelo ato praticado.
268. Em caso de devolução do título prenotado para cumprimento de exigências, o Oficial fará jus ao valor da prenotação se a qualificação e emissão da respectiva nota ocorrer dentro do prazo previsto no item 42.
269. A qualificação será levada a efeito pelo Oficial de Registro de Imóveis, no prazo previsto no item 32 do capítulo XX das Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça. Mostrando-se o título apto para os atos pertinentes, o Oficial deverá informar o valor dos emolumentos no campo próprio e aguardar o depósito para a prática do ato. Caso existam exigências a serem satisfeitas, deverá anexar nota de devolução, observando-se, igualmente, no mais, o determinado nestas normas.
270. Os atos registrais somente serão lavrados após a devida qualificação positiva e dependerão de depósito prévio, mediante recolhimento do valor constante de boleto a ser impresso por meio do próprio sistema, ressalvada a hipótese do interessado possuir crédito adquirido de forma antecipada na Central Registradores de Imóveis.
270.1. O depósito prévio poderá também ser efetuado diretamente ao Oficial a quem incumbe a prática do ato registral, cujo pagamento deverá ser lançado no sistema, na mesma data.
271. Fica autorizada, no âmbito específico da sistemática eletrônica ora regulamentada, a devolução do título sem a prática dos atos requeridos, caso o depósito prévio não seja realizado durante a vigência da prenotação.
Do Repositório Confiável de Documento Eletrônico (RCDE)
272. O Repositório Confiável de Documento Eletrônico (RCDE) consiste em submódulo do Protocolo Eletrônico de Títulos (e-Protocolo), localizado em ambiente igualmente seguro e controlado pela Central Registradores de Imóveis, onde poderão ser postados documentos eletrônicos para dar suporte aos atos registrais e serem consultados ou baixados, mediante downloads, pelos Oficiais de Registro de Imóveis.
Subseção III
Do Acompanhamento Online do Procedimento Registral
273. A Central de Serviços Eletrônicos Compartilhados dos Registradores de Imóveis (Central Registradores de Imóveis) possibilitará que o usuário acompanhe gratuitamente o procedimento registral do título protocolado na unidade de registro de imóveis, pela rede mundial de computadores (Internet).
274. O Acompanhamento Online do Procedimento Registral consistirá na consulta ao resultado parcial ou geral do procedimento, mediante indicação do número do protocolo, ou da senha de acesso, fornecidos no ato da solicitação do serviço, conforme opção técnica do oficial do registro de imóveis.
275. As consultas permitirão a localização e identificação dos dados básicos do procedimento registral, segundo os seguintes critérios:
I – data e o número da protocolização do título;
II – data prevista para retirada do título;
II – dados da nota de devolução com as exigências a serem cumpridas;
III – o status do procedimento registral;
IV – data de eventual reapresentação do título;
V – o valor do depósito prévio, dos emolumentos pelos atos praticados e o saldo correspondente.
276. A Central de Registradores de Imóveis poderá remeter aviso por correio eletrônico (e-mail) ou por SMS (Short Message Service), informando as etapas do procedimento registral.
277. Os serviços previstos nesta subseção poderão também ser prestados diretamente pelos oficiais de registros de imóveis nos sites das serventias, sem prejuízo da alimentação regular do sistema da Central de Registradores de Imóveis.
Subseção IV
Do Monitor Registral
278. O Monitor Registral consiste em ferramenta de suporte eletrônico para manter o interessado, permanentemente, atualizado de registros e de averbações relacionados com a matrícula indicada, a partir de expressa rogação do usuário diretamente na serventia de competência registral ou na Central de Serviços Eletrônicos Compartilhados dos Registradores de Imóveis (Central Registradores de Imóveis).
279. O Monitor Registral funcionará como módulo da Central Registradores de Imóveis mediante aplicação da tecnologia push, em tempo real, ou com delay máximo de 48 (quarenta e oito) horas entre o ato de registro ou averbação e sua comunicação pela serventia registral.
280. A transmissão das mensagens deverá ser efetuada diretamente em ambiente protegido da Central Registradores de Imóveis ou por comunicação WebService da referida Central, podendo esta, opcionalmente, remeter aviso por correio eletrônico (e-mail) ou por SMS.
281. Os serviços de monitoramento de matrículas, ou certidão permanente da matrícula, serão prestados exclusivamente pela Central Registradores de Imóveis, vedada a serventia o envio de informações desse gênero por e-mail, ou sua postagem em sites de despachantes, prestadores de serviços e comércio de certidões ou outros ambientes de Internet.
Subseção V
Da Gestão de Dados e Documentos Eletrônicos
281. Os documentos previstos neste capítulo poderão ser arquivados pelos registradores em formato digital e microfilmados, salvo quando houver exigência legal de seu arquivamento no original.
282. No procedimento de microfilmagem, deverão ser atendidos os requisitos da Lei nº 5.433, de 8 de maio de 1968, do Decreto nº 1.799, de 30 de janeiro de 1996 e da Portaria nº 12, de 8 de junho de 2009, da Secretaria Nacional de Justiça, do Ministério da Justiça.
283. No procedimento de digitalização deverão ser obrigatoriamente observadas as seguintes etapas:
I – os documentos relacionados com a prática dos atos registrais, que não forem nativamente eletrônicos, deverão ser digitalizados por meio de processo de captura, a partir dos documentos originais. A captura deverá, necessariamente, gerar representantes digitais de alta e baixa resoluções, denominados respectivamente, matrizes e derivadas, conforme “Recomendações para Digitalização de Documentos Arquivísticos Permanentes”, publicadas pelo Conselho Nacional de Arquivos – CONARQ (2010);[25]
II – Para a geração de matrizes e derivadas em formatos de arquivo digitais deverão ser sempre adotados os formatos abertos (open sources), previstos no Documento de Referência e-PING (2012) e em suas atualizações.
III – os arquivos decorrentes da digitalização de documentos em substituição ao arquivamento de vias originais serão assinados digitalmente pelo titular da delegação, ou seu substituto, ou preposto devidamente autorizado, mediante uso de certificado digital ICP-Brasil, inclusive com a inclusão de carimbo de tempo.
IV – a indexação dos documentos digitais ou digitalizados será feita, no mínimo, com referência aos atos (livro, folha e número ou número da prenotação) onde foram utilizados ou em razão do qual foram produzidos, de modo a facilitar sua localização e conferência, por sistema de Gerenciamento Eletrônico de Documentos (GED);
284. Todos os dados e imagens deverão ser armazenados de forma segura e eficiente, que garanta fácil localização, preservação, integridade e que atenda Plano de Continuidade de Negócio (PCN), mediante soluções comprovadamente eficazes de Recuperação de Desastres (DR – Disaster Recorevy), entre eles, testes periódicos.
285. O arquivo redundante (backup) deverá ser gravado em mídia digital segura, local ou remota, com cópia fora do local da unidade de serviço, em Data Center localizado no País, que cumpra requisitos de segurança, disponibilidade, densidade e conectividade. O endereço do Data Center e o endereço de rede (endereço lógico IP) deverão ser comunicados ao Juiz Corregedor Permanente da Comarca e mantidos atualizados, em caso de alterações.
286. Facultativamente, e sem prejuízo do armazenamento em backup, fica autorizado o armazenamento sincronizado em servidor dedicado ou virtual em nuvem privada (private cloud), desde que localizados em Data Center do País, cujos endereços serão, igualmente, comunicados ao Juiz Corregedor Permanente da Comarca.
287. Os documentos em meio físico apresentados para lavratura de atos registrais deverão ser devolvidos às partes, após sua microfilmagem ou digitalização.
288. Os documentos em meios físicos arquivados nas unidades do serviço deverão ser microfilmados ou digitalizados, observados no caso de digitalização, os requisitos estabelecidos, quando então poderão ser destruídos por processo de trituração ou fragmentação de papel, resguardados e preservados o interesse histórico e o sigilo.
289. As fichas dos indicadores real e pessoal, confeccionadas anteriormente à implantação do registro eletrônico, poderão ser microfilmadas, ou digitalizadas, ou lançadas em sistema seguro de banco de dados (DBMS), dispensada a manutenção em meio físico.
290. Os ofícios recebidos, as cópias de ofícios expedidos, as cópias dos recibos e contra-recibos mencionados nas alíneas e e f, do item 57, e nos itens 58, 60 e 60.1, do capítulo XIII, poderão ser substituídos, a critério do oficial, respeitadas as condições de segurança e preservação das informações durante sua temporalidade, mediante utilização de sistema de digitalização comum ou arquivamento do nativo digital, dispensada a manutenção em meio físico.
291. É vedada a incineração dos documentos em papel, que deverão ser destinados à reciclagem, mediante coleta seletiva ou doação para associações de catadores de papel ou entidades sem fins lucrativos.
Subseção VI
Da Correição Online
292. O sistema da Central Eletrônica de Serviços Compartilhados do Registro de Imóveis (Central Registradores de Imóveis) deverá contar com módulo para acompanhamento contínuo, controle e fiscalização pela Corregedoria Geral da Justiça do Estado e Juízos Corregedores Permanentes das serventias registrais (Correição Online).
292.1. Os relatórios destinados à chamada “Correição Online” ficarão disponíveis no site do Ofício Eletrônico, cujo acesso se dará mediante certificado digital ICP-Brasil. Sem prejuízo de disposições pretéritas relativas à matéria, referidos relatórios de acompanhamento deverão trazer, pelo menos, os seguintes campos de informações: 1) data e hora da remessa do título; 2) nome do apresentante; 3) número do CPF ou CNPJ do apresentante; 4) tipo de protocolização pretendida (prenotação ou exame e cálculo); 5) Oficial de Registro de Imóveis destinatário do título; 6) data e hora do download do título; 7) data e número da prenotação no Livro 1 de Protocolo ou da protocolização no Livro de Protocolo de Exame e Cálculo; 8) histórico das fases do procedimento registral; 10) data e hora do download final.
Subseção VI
Cadastro de Regularização Fundiária Urbana
293. O Cadastro de Regularização Fundiária Urbana consiste em base de dados e de estatísticas, além de uma interface de acesso disponível gratuitamente na Internet, aberta à sociedade, e com informações das regularizações fundiárias registradas pelos oficiais do registro de imóveis do Estado de São Paulo, a partir da edição da Medida Provisória nº 459, de 25.3.2009, convertida na Lei nº 11.977, de 7.7.2009.
294. A base de dados do Cadastro de Regularização Fundiária Urbana será composta por:
a) identificação da serventia registral;
b) comarca;
c) número da matrícula matriz;
d) nome do município, distrito, subdistrito e bairro de localização da área regularizada;
e) quantidade de unidades;
f) data da prenotação do pedido;
g) data do registro da regularização fundiária;
h) tipo de interesse: social ou específico;
i) agente promotor da regularização (poder público ou particular).
295. Os dados do Sistema serão públicos, acessíveis à população e às autoridades por aplicativo web, assim como poderão ser compilados e livremente divulgados, exigindo-se indicação da fonte.
296. As unidades de registro de imóveis deverão lançar os dados das regularizações fundiárias registradas, na Central de Serviços Compartilhados dos Registradores de Imóveis (Central Registradores de Imóveis), na mesma data da prática do ato.
Artigo 10 – Fica introduzida a Seção IX – “Da Alienação Fiduciária de Bens Imóveis” e suas subseções I – “Das Disposições Gerais”, II – “Das intimações e da Consolidação da Propriedade Fiduciária e III “Da Cédula de Crédito Imobiliário”, todas do Capítulo XX, Tomo II, das Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça, nos seguintes termos:
SEÇÃO IX
DA ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE BENS IMÓVEIS
Subseção I
Das Disposições Gerais
297. A alienação fiduciária regulada pela Lei nº 9.514, de 20 de novembro de 1997 e alterações posteriores é o negócio jurídico pelo qual o devedor, ou fiduciante, com o escopo de garantia, contrata a transferência ao credor, ou fiduciário, da propriedade resolúvel de coisa imóvel e pode ser contratada por qualquer pessoa, física ou jurídica, não sendo privativa das entidades que operam no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI).
298. A alienação fiduciária será constituída mediante registro do contrato na matrícula do imóvel objeto do negócio, no Registro de Imóveis competente.
299. Com a constituição da propriedade fiduciária, dá-se o desdobramento da posse, tornando-se o fiduciante possuidor direto e o fiduciário possuidor indireto da coisa imóvel.
300. O imóvel enfitêutico pode ser objeto de alienação fiduciária, não havendo necessidade de anuência do senhorio e do pagamento do laudêmio, porque a transmissão se faz somente em caráter fiduciário, com escopo de garantia.
301. O pagamento do laudêmio ocorrerá se e quando houver a transmissão da propriedade plena, mediante sua consolidação em favor do credor fiduciário.
302. Os atos e contratos referidos na Lei nº 9.514/1997 ou resultantes da sua aplicação, mesmo aqueles que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis, poderão ser celebrados por escritura pública ou por instrumento particular com efeitos de escritura pública.
302.1. Os agentes financeiros autorizados a funcionar pelo Banco Central do Brasil estão dispensados do reconhecimento de firma.
303. O contrato que serve de título ao negócio fiduciário deverá conter os seguintes requisitos, previstos no artigo 24, da Lei nº 9.514/97:
I – o valor do principal da dívida;
II – o prazo e as condições de reposição do empréstimo ou do crédito do fiduciário;
III – a taxa de juros e os encargos incidentes;
IV – a cláusula de constituição da propriedade fiduciária, com a descrição do imóvel objeto da alienação fiduciária e a indicação do título e modo de aquisição;
V – a cláusula assegurando ao fiduciante, enquanto adimplente, a livre utilização, por sua conta e risco, do imóvel objeto da alienação fiduciária;
VI – a indicação, para efeito de venda em público leilão, do valor do imóvel e dos critérios para a respectiva revisão;
VII – a cláusula dispondo sobre os procedimentos do eventual leilão do imóvel alienado fiduciariamente;
VIII – O prazo de carência a ser observado antes que seja expedida intimação para purgação de mora ao devedor, ou fiduciante, inadimplente.
304. O termo de quitação emitido pelo credor fiduciário é o título hábil para averbar a reversão da propriedade plena para o nome do devedor fiduciante, mediante cancelamento do registro da propriedade fiduciária, só podendo ser substituído por escritura pública de quitação ou sentença judicial, transitada em julgado.
305. O devedor fiduciante, com anuência expressa do credor fiduciário, poderá transmitir seu direito real de aquisição sobre o imóvel objeto da alienação fiduciária em garantia, assumindo o cessionário adquirente as respectivas obrigações, na condição de novo devedor fiduciante.
306. Para efeito de assentamento no Registro de Imóveis, o título que instrumenta a transferência de direitos e obrigações deverá ingressar para ato de registro na matrícula do imóvel, cabendo ao Oficial observar a regularidade do recolhimento do imposto de transmissão respectivo.
307. A cessão do crédito objeto da alienação fiduciária implicará na transferência ao cessionário de todos os direitos e obrigações inerentes à propriedade fiduciária em garantia e independe de anuência do devedor fiduciante.
307.1. Havendo cessão da posição do credor fiduciário, indispensável prévia averbação dessa circunstância na matrícula do imóvel, para fins de substituição do credor e proprietário fiduciário originário da relação contratual pelo cessionário, o qual fica integralmente sub-rogado nos direitos e obrigações do contrato de alienação fiduciária.
307.2 A cessão da posição do credor fiduciário não constitui hipótese de incidência de imposto de transmissão “inter vivos”, que somente será devido quando da consolidação da plena propriedade em favor do credor fiduciário, se ocorrer o inadimplemento do devedor fiduciante.
308. Dispensável a averbação da cessão de que trata o subitem anterior no caso do crédito ter sido negociado no mercado secundário de créditos imobiliários, representado por Cédula de Crédito Imobiliário sob a forma escritural, hipótese em que o credor será o indicado pela entidade custodiante mencionada na cédula.
Subseção II
Das Intimações e da Consolidação da Propriedade Fiduciária
309. Em caso de falta de pagamento de prestações por parte do devedor fiduciante, para os fins previstos no art. 26 da Lei nº 9.514/1997, os Oficiais de Registro de Imóveis somente aceitarão e farão intimações quando a alienação fiduciária esteja devidamente registrada e já tenha decorrido o prazo de carência previsto no contrato, de conformidade com § 2º do mencionado art. 26.
310.1 Do requerimento do credor fiduciário dirigido ao Oficial do Registro de Imóveis competente (aquele em que estiver matriculado o imóvel objeto do negócio) devem constar, necessária e discriminadamente, as seguintes informações:
a) Nome e número do CPF do devedor fiduciante (e de seu cônjuge, se for casado em regime de bens que exija concomitante intimação), dispensada a indicação de outros dados qualificativos;
b) Endereço residencial atual e anterior se houver;
c) Endereço comercial se houver;
d) Números de telefones residencial, comercial e móvel para contato, se houver;
e) Endereço eletrônico (e-mail) se houver;
f) Declaração de que já decorreu o prazo de carência estipulado no contrato;
g) Planilha com demonstrativo do débito e projeção de valores atualizados para pagamento da dívida, ou o valor total a ser pago pelo fiduciante por períodos de vencimento, hipótese esta em que fica dispensada a apresentação da planilha;
h) Indicação do local, data, nome por extenso e número do CPF do credor fiduciário ou se representante legal, dispensada a indicação de outros dados qualificativos;
i) Comprovante de representação legal do credor fiduciário pelo signatário do requerimento, quando for o caso;
310.1.1. Da planilha com demonstrativo do débito e projeção de valores atualizados para purgação da mora, dentro de 30 (trinta) dias subsequentes à data do requerimento, no caso de dívida com juros calculados “pro rata die”, deverá constar de forma discriminada indicações sobre as prestações vencidas e as que se vencerem até a data do pagamento, os juros convencionais, as penalidades e os demais encargos contratuais, os encargos legais, inclusive tributos e as contribuições condominiais imputáveis ao imóvel. Faculta-se ao credor-fiduciário apresentar o valor total a ser pago pelo devedor fiduciante, por períodos de vencimento, hipótese em que fica dispensada a apresentação de planilha.
310.1.2. É vedada a inclusão na planilha ou demonstrativo do valor total a ser pago por períodos de vencimento de valores que correspondem ao vencimento antecipado da dívida, em decorrência de cláusula contratual.
310.1.3. Não cabe ao Oficial do Registro de Imóveis examinar a regularidade do cálculo apresentado, salvo a hipótese do subitem anterior.
310.2. O requerimento poderá ser apresentado em uma única via, dispensado o reconhecimento de firma quando se tratar de agente financeiro autorizado a funcionar pelo Banco Central do Brasil. Prenotado e encontrando-se em ordem, deverá ser autuado com todas as peças apresentadas, formando um processo para cada procedimento de execução extrajudicial.
311. Poderá ser exigido no ato do requerimento depósito prévio dos emolumentos e demais despesas devidas, caso em que, igual importância deverá ser reembolsada ao apresentante, por ocasião da prestação de contas, quando ressarcidas pelo devedor fiduciante. As parcelas componentes do total deverão ser cotadas, de forma discriminada.
312. O requerimento de intimação deverá ser lançado no controle geral de títulos contraditórios, a fim de que, em caso de eventual expedição de certidão da matrícula do imóvel, seja consignada a existência da prenotação do requerimento, cuja prenotação deverá ser prorrogada até finalização dos procedimentos.
313. Quando o credor fiduciário for pessoa jurídica, incumbirá ao oficial verificar, com base no estatuto social, a regularidade da representação societária, especialmente se quem requer a intimação tem poderes para tanto.
314. Deverá o Oficial de Registro de Imóveis expedir intimação para ser cumprida em cada um dos endereços fornecidos pelo credor fiduciário onde conste, necessária e discriminadamente, o seguinte:
a) Os dados relativos ao imóvel e ao contrato de alienação fiduciária;
b) O demonstrativo do débito decorrente das prestações vencidas e não pagas e das que se vencerem até a data do pagamento, os juros convencionais, as penalidades e os demais encargos contratuais, os encargos legais, inclusive tributos e as contribuições condominiais imputáveis ao imóvel, bem como a projeção dos valores atualizados para purgação da mora. Poderá incluir cópia da planilha apresentada, quando houver, ou o valor total a ser pago pelo devedor fiduciante por períodos de vencimento, com a informação de que o valor integral deverá ser pago em cheque administrativo ou visado, nominal ao credor fiduciário ou ao seu cessionário, ou por meio de boleto bancário que deverá ser retirado no Cartório de Registro de Imóveis.
c) Os valores correspondentes às despesas de cobrança e de intimação que deverão ser pagos diretamente ao Cartório de Registro de Imóveis, no ato e em dinheiro ou cheque administrativo ou visado, salvo se devedor fiduciante optar pelo pagamento diretamente ao credor fiduciário por intermédio de boleto bancário, hipótese em que as despesas serão pagas por este último.
d) A informação de que o pagamento deverá ser efetuado no Cartório de Registro de Imóveis ou por boleto bancário que deverá ser retirado na serventia, consignando-se o seu endereço, dias e horários de funcionamento;
e) A advertência de que o pagamento do débito discriminado deverá ser feito no prazo improrrogável de quinze (15) dias, contado da data do recebimento da intimação;
f) A advertência de que o não cumprimento da referida obrigação no prazo estipulado, garante o direito de consolidação da plena propriedade do imóvel em favor do credor fiduciário, nos termos do § 7º, do art. 26, da Lei nº 9.514/97.
315. A intimação far-se-á pessoalmente ao fiduciante, ou ao seu representante legal ou ao procurador constituído, podendo ser promovida, por solicitação do oficial do Registro de Imóveis, por oficial de Registro de Títulos e Documentos da comarca da situação do imóvel ou do domicílio de quem deva recebê-la, ou ainda, pelo correio, com Aviso de Recebimento (AR), salvo regra previamente estabelecida no contrato de financiamento.
316. Deve ser preferida a intimação pessoal por meio do serviço extrajudicial, todavia, quando o oficial de Registro de Imóveis optar por envio de correspondência pelo correio, deverá postá-la por Sedex registrado, fazendo uso, além do serviço de aviso de recebimento (AR), do serviço denominado “mão própria” (MP), a afim de que a correspondência seja entregue, exclusivamente, ao destinatário.
317. O Oficial de Registro de Imóveis poderá enviar, primeiramente, intimação pelo correio, na forma definida no subitem anterior, fazendo uso dos demais meios permitidos, caso a entrega venha a falhar pela recusa de recebimento ou de assinatura ou pela impossibilidade de entrega, por não encontrar o destinatário da correspondência nas três tentativas efetuadas pelo funcionário do correio.
318. Para atender ao princípio da execução menos gravosa, o Oficial de Registro de Imóveis poderá encaminhar correspondência convidando o fiduciante devedor a comparecer na serventia, no prazo de cinco dias, a contar do recebimento, para tomar ciência de assunto relacionado com o contrato de alienação fiduciária do imóvel.
319. Ocorrendo o comparecimento, a notificação do devedor fiduciante será feita diretamente pelo Oficial do Registro de Imóveis ou seu preposto, ficando as despesas circunscritas aos emolumentos referentes à notificação e despesas postais, ficando vedada a cobrança de despesas com diligências.
320. Cuidando-se de vários devedores fiduciantes, ou cessionários, inclusive cônjuges, necessária a promoção da intimação individual e pessoal de todos eles.
320.1. Na hipótese de falecimento do fiduciante a intimação deverá ser feita ao inventariante, caso haja inventário ou arrolamento em trâmite judicial, devendo ser apresentados cópias autênticas da certidão de óbito e do termo de compromisso de inventariante, ou certidão passada pelo ofício judicial. Não tendo havido abertura de inventário ou arrolamento judicial, serão devidamente intimados todos os herdeiros e legatários do fiduciante, os quais deverão ser indicados pelo credor-fiduciário. Neste caso deverão ser apresentadas cópias autênticas da certidão de óbito e do testamento, quando houver ou declaração de inexistência de testamento emitida pelo Registro Central de Testamentos do Colégio Notarial do Brasil, Conselho Federal, ou cópia da escritura pública de inventário e partilha.
320.2. As intimações de pessoas jurídicas serão feitas aos seus representantes legais, indicados pelo credor-fiduciário, dispensada a apresentação dos respectivos atos constitutivos.
320.3. A intimação de devedor fiduciante que não for encontrado nos endereços indicados pelo credor, deverá ser feita mediante procura do interessado no endereço do respectivo imóvel.
320.4. Quando o fiduciante, ou seu representante legal ou procurador constituído se encontrar em outro local, incerto e não sabido, o oficial certificará o fato, cabendo, então, ao oficial do competente Registro de Imóveis promover intimação por edital, publicado por três dias, pelo menos, em um dos jornais de maior circulação local ou noutro de comarca de fácil acesso, se no local não houver imprensa diária.
320.5. Na hipótese do devedor fiduciante, ou seu representante legal ou procurador constituído se ocultar de forma a não concretizar a intimação, o oficial de Registro de Imóveis informará ao apresentante, devendo essa circunstância constar de forma expressa, a fim de que o credor fiduciário promova a intimação do fiduciante, pela via judicial, mantendo-se o procedimento extrajudicial aberto por mais 60 (sessenta) dias, findo o qual será arquivado, se não houver manifestação do credor fiduciário.
320.6. A intimação judicial deverá conter os requisitos do item 314, especialmente a advertência de que o valor integral reclamado deverá ser pago diretamente no Cartório de Registro de Imóveis competente, em cheque administrativo ou visado, nominal ao credor fiduciário, ou por meio de boleto bancário que deverá ser retirado no Cartório de Registro de Imóveis. Para esse fim, deverão ser também declinados na intimação judicial, o endereço completo da serventia, dias e horários de funcionamento.
320.6.1. Recebido os autos de intimação judicial, entregues à parte na forma do art. 872 do CPC, o Oficial deverá juntá-los no procedimento respectivo em curso no Registro de Imóveis, para fins de controle da purgação da mora.
320.6.2. A notificação judicial somente será aceita para fins de controle da purgação da mora, se constar da certidão do oficial de justiça que o intimando foi procurado nos endereços fornecidos pelo credor fiduciário e no do próprio imóvel objeto da alienação fiduciária.
321. Verificada ocorrência de qualquer irregularidade ou omissão na intimação judicial, o Oficial de Registro de Imóveis deverá elaborar nota de devolução circunstanciada, a fim de que o credor fiduciário promova nova notificação judicial.
322. Purgada a mora perante o Registro de Imóveis competente, mediante pagamento dos valores informados no demonstrativo e na respectiva projeção, o oficial entregará recibo ao devedor fiduciante e, nos três dias úteis seguintes, comunicará esse fato ao credor fiduciário para retirada na serventia das importâncias então recebidas, ou procederá à entrega diretamente para o fiduciário.
323. Embora seja recomendável que o pagamento seja feito por meio de cheque administrativo ou visado, nominal ao credor fiduciário, não poderá o Oficial de Registro de Imóveis recusar o recebimento, quando feito em espécie, na moeda corrente nacional.
324. Decorrido o prazo da intimação sem purgação da mora, o oficial do competente Registro de Imóveis, deverá certificar esse fato no procedimento e emitir Certidão de Transcurso de Prazo Negativa que será remetida ao requerente, para fins de prosseguimento do processo de transmissão plena do imóvel, mediante sua consolidação em favor do credor fiduciário.
325. A consolidação da plena propriedade em nome do fiduciário será feita à vista de requerimento escrito, instruído com a prova do pagamento do imposto de transmissão “inter vivos” e, se for o caso, do laudêmio, cujos valores não estão vinculados ao valor remanescente da dívida.
325.1. Caso a intimação tenha sido efetivada pela via judicial, deverá ser ainda anexada certidão emitida pelo escrivão-diretor do ofício judicial, comprovando a inocorrência de pagamento ou depósito em Juízo, dos valores reclamados.
325.2. A não apresentação do requerimento e dos comprovantes de pagamento dos tributos, para fins de consolidação da plena propriedade em favor do credor fiduciário, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias da emissão da Certidão de Transcurso de Prazo Negativo, acarretará o encerramento do procedimento extrajudicial.
326. Sendo o requerimento para consolidação da plena propriedade em favor do fiduciário, com o comprovante de pagamento dos tributos, apresentado dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, será juntado no procedimento iniciado com a intimação do fiduciante, podendo o Oficial do Registro de Imóveis, exigir a complementação do depósito prévio das custas e emolumentos, devidos pelo ato de consolidação.
326.1. O credor fiduciário ou seu cessionário poderá, ainda, requerer a consolidação da plena propriedade em seu nome no prazo improrrogável de 90 (noventa) dias da emissão da Certidão de Transcurso de Prazo Negativa, hipótese em que ensejará novo procedimento registral. Ultrapassado esse prazo, deverá ser promovido novo procedimento de execução extrajudicial.
327. Poderá o devedor efetivar o pagamento mediante dação, caso em que transmitirá ao credor seu direito eventual, consolidando-se a propriedade definitivamente no patrimônio deste, dispensada a realização futura do leilão do imóvel (Lei nº 9.514/97, art. 26, § 8º).
328. A dação em pagamento enseja o recolhimento do imposto de transmissão de bens imóveis, calculado sobre o valor do saldo devedor e demais encargos, ou o valor venal do imóvel, prevalecendo o maior destes, podendo ser adotada para sua elaboração a forma pública ou particular.
329. Uma vez consolidada a propriedade em nome do fiduciário, este deverá promover a realização de leilão público para venda do imóvel, nos 30 (trinta dias) subsequentes, contados da data do registro da consolidação da propriedade, não cabendo ao Oficial do Registro de Imóveis a realização do controle desse prazo (Lei nº 9.514/97, art. 26, § 7º).
329.1 Havendo lance vencedor, a transmissão do imóvel ao licitante deverá ser feita por meio de contrato de compra e venda que poderá ser celebrado por instrumento público ou particular (Lei nº 9.514/97, art. 38) e respectivo registro no Registro de Imóveis competente. No título deverá figurar de um lado, como vendedor, o antigo credor fiduciário e, de outro, como comprador, o licitante vencedor.
330. A averbação dos leilões negativos será feita a requerimento do antigo credor fiduciário ou de pessoa interessada, instruído com cópias autênticas das publicações dos leilões e dos autos negativos, assinados por leiloeiro oficial.
331. Na contagem dos prazos do contrato de alienação fiduciária, exclui-se o dia do começo e inclui-se o dia do vencimento. Encerrando-se o prazo regulamentar em dia de sábado, domingo ou feriado, prorroga-se para o primeiro dia útil subsequente.
332. Os procedimentos previstos nesta subseção poderão ser feitos sob a forma eletrônica, por meio da Central de Serviços Eletrônicos Compartilhados dos Registradores de Imóveis (Central Registradores de Imóveis), cumpridos os requisitos previstos nestas normas para o acesso de títulos ao Protocolo Eletrônico de Títulos (e-Protocolo).
Subseção III
Da Cédula de Crédito Imobiliário
333. A Cédula de Crédito Imobiliário (CCI) é emitida para representar crédito imobiliário decorrente de financiamento ou de outro contrato imobiliário.
333.1. A CCI será emitida pelo credor do crédito imobiliário e poderá ser integral, quando representar a totalidade do crédito, ou fracionária, quando representar parte dele, não podendo a soma das CCIs fracionárias emitidas em relação a cada crédito, exceder o valor total do crédito que elas representam.
333.2. As CCIs fracionárias poderão ser emitidas simultaneamente ou não, a qualquer momento antes do vencimento do crédito que elas representam.
333.3. Sendo o crédito imobiliário garantido por direito real, a emissão da CCI será averbada no Registro de Imóveis da situação do imóvel, na respectiva matrícula, devendo dela constar, exclusivamente, o número, a série e a instituição custodiante.
334. A averbação da emissão da CCI e o registro da garantia do crédito respectivo, quando solicitados simultaneamente, serão considerados como ato único para efeito de cobrança de emolumentos.
334.1. Quando a CCI for apresentada isolada e posteriormente, os emolumentos devidos pela averbação de sua emissão serão cobrados como averbação sem valor declarado.
335. A CCI deverá conter:
I – a denominação “Cédula de Crédito Imobiliário”, quando emitida cartularmente;
II – o nome, a qualificação e o endereço do credor e do devedor e, no caso de emissão escritural, também o do custodiante;
III – a identificação do imóvel objeto do crédito imobiliário, com a indicação da respectiva matrícula no Registro de Imóveis competente e do registro da constituição da garantia, se for o caso;
IV – a modalidade da garantia se for o caso;
V – o número e a série da cédula;
VI – o valor do crédito que representa;
VII – a condição de integral ou fracionária e, nessa última hipótese, também a indicação da fração que representa;
VIII – o prazo, a data de vencimento, o valor da prestação total, nela incluídas as parcelas de amortização e juros, as taxas, seguros e demais encargos contratuais de responsabilidade do devedor, a forma de reajuste e o valor das multas previstas contratualmente, com a indicação do local de pagamento;
IX – o local e a data da emissão;
X – a assinatura do credor, quando emitida cartularmente;
XI – a autenticação pelo Oficial do Registro de Imóveis competente, no caso de contar com garantia real; e
XII – cláusula à ordem, se endossável.
336. A emissão e a negociação de CCI independem de autorização do devedor do crédito imobiliário que ela representa.
336.1 A cessão do crédito representado por CCI implica automática transmissão das respectivas garantias ao cessionário, sub-rogando-o em todos os direitos representados pela cédula, ficando o cessionário, no caso de contrato de alienação fiduciária, investido na propriedade fiduciária.
337. A cessão de crédito garantido por direito real, quando representado por CCI emitida sob a forma escritural, está dispensada de averbação no Registro de Imóveis, aplicando-se, no que a Lei nº 10.931 de 2 de agosto de 2004 não contrarie, o disposto nos arts. 286 e seguintes do Código Civil Brasileiro.
337.1. Como a cessão de crédito por CCI implica automática transmissão das respectivas garantias e direitos ao cessionário, incluindo a propriedade fiduciária, em caso de requerimento para consolidação, as respectivas cessões deverão ser previamente averbadas na matrícula do imóvel, em ato único.
337.2. No caso de CCI emitida sob a forma escritural, caberá à instituição custodiante identificar o atual credor fiduciário para fins de prévia averbação da cessão, em ato único.
338. A CCI, objeto de securitização nos termos da Lei nº 9.514, de 20 de novembro de 1997, será identificada no respectivo Termo de Securitização de Créditos, mediante indicação do seu valor, número, série e instituição custodiante, dispensada a enunciação das informações já constantes da Cédula ou do seu registro na instituição custodiante.
339. O regime fiduciário de que trata a Seção VI do Capítulo I da Lei nº 9.514, de 1997, no caso de emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários lastreados em créditos representados por CCI, será registrado na instituição custodiante.
340. O resgate da dívida representada pela CCI prova-se com a declaração de quitação, emitida pelo atual credor, identificado pela instituição custodiante, ou na falta desta, por outros meios admitidos em Direito, do qual o Oficial fará menção no corpo da averbação, dispensada averbação autônoma da cessão.
341. Os emolumentos devidos para o cancelamento do regime fiduciário e das garantias reais existentes serão cobrados como ato único.
342. É vedada a averbação da emissão de CCI com garantia real quando houver prenotação ou registro de qualquer outro ônus real sobre os direitos imobiliários respectivos, inclusive penhora ou averbação de qualquer mandado ou ação judicial.
Artigo 18 – Fica introduzido o item 63.1 na subseção I da seção IV do Capítulo XIII das Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça, com o seguinte teor:
63.1. A assistência judiciária gratuita é um benefício de cunho eminentemente pessoal, não abrangendo outras partes para as quais não houve a expressa concessão de gratuidade pela Autoridade Judiciária.
63.2. São gratuitos os atos praticados em cumprimento de Mandados Judiciais expedidos em favor da parte beneficiária da justiça gratuita, sempre que sua abrangência for expressamente determinada pelo Juízo para os atos notariais e registrais.
63.3. Nos demais títulos judiciais, onde houver a concessão da assistência judiciária gratuita, a abrangência da isenção incidirá sobre custas e contribuições.
Artigo 19 – Ficam introduzidos os itens 1.5 e 1.6 no Capítulo II das Normas do Pessoal dos Serviços Extrajudiciais (Provimento CG. 5/96), nos seguintes termos:
1.5. O atendimento ao público nas unidades de registro de imóveis do Estado obedecerá ao horário ininterrupto das 9h às 16h, sem prejuízo da jornada de trabalho estipulada pelo Oficial.
1.6. Para as unidades de registro de imóveis que contem com apenas 2 (dois) escreventes, mediante autorização do Juiz Corregedor Permanente respectivo, o horário de atendimento ao público poderá ser suspenso das 12h às 13h.
Artigo 20 – Este provimento entrará em vigor na data de sua publicação, diferido o prazo de até 120 (cento e vinte) dias para a emissão de traslados e certidões notariais eletrônicos e o funcionamento dos seguintes sistemas: 1) Protocolo Eletrônico de Títulos (e-Protocolo); 2) Repositório Confiável de Documento Eletrônico (RCDE); 3) Acompanhamento Registral Online; 4) Monitor Registral; e 5) Correição Online (Acompanhamento, controle e fiscalização).
Parágrafo único: Os dados relativos às regularizações fundiárias urbanas registradas anteriormente, serão lançados no Cadastro de Regularização Fundiária Urbana no prazo de 30 (trinta) dias da vigência deste provimento.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por oportuno consignar que os Registradores de imóveis deste Estado detêm a primazia na prestação de serviços públicos pela Internet. O sistema de certidões imobiliárias na Capital, via telemática, foi instituído em 1º de dezembro de 1997, pelo Provimento CG. 25/97 (NSCGJSP, item 146-A e seguintes).
Peço vênia a Vossa Excelência para transcrever um desses dispositivos, por sua originalidade e inovação bandeirante para aquela época, quando a Internet dava ainda seus primeiros passos em nosso país:
146-B. Poderão também os mencionados pedidos de certidão ser feitos, a critério do usuário, via telemática, mediante acesso à “HOME PAGE” da ARISP .
Decorridos 15 (quinze) anos já foram trafegadas mais de 5 (cinco) milhões certidões pela Central ARISP, sem o registro de uma só reclamação no PROCON (certidão anexa) ou nas Corregedorias Permanente e Geral. Posteriormente, a ARISP desenvolveu novos meios de conexão entre registros de imóveis e usuários públicos e privados, dentre os quais mencionamos a certidão digital, a visualização de matrícula (matrícula online), o Ofício Eletrônico, a Penhora Eletrônica de Imóveis (Penhora Online) e mais recentemente, a Central de Indisponibilidade de Bens.
O sucesso desses empreendimentos está à vista de todos e reforça o compromisso dos registradores imobiliários com a responsabilidade socioambiental. Em pouco mais de sete anos de funcionamento do Ofício Eletrônico e da Penhora Online, registraram-se mais de 120 milhões de pesquisas eletrônicas prestadas gratuitamente para localização de imóveis, milhares de certidões digitais e de atos judiciais e registrais.
Pouparam-se mais de R$ 1 bi (um bilhão de reais) com gastos em papel, impressão, comunicações postais e outros custos; os processos ganham uma nova dinâmica, nomeadamente no tráfego das comunicações entre a Vara Judicial ou Administração Pública e a Unidade de Serviço do Registro de Imóveis (vide quadro anexo).
Temos consciência que a introdução das novas tecnologias não é uma intervenção pacífica e fácil, nem mesmo um processo que se conclua, visto que o surgimento de novidades exige mudança de paradigmas e libertação de velhos métodos e pensamentos cartorários, circunstância que exige que o aprimoramento seja contínuo, constante e ao qual, portanto, temos que ir adaptando-nos, além das situações naturalmente necessárias que surgem em decorrência da utilização dos sistemas.
Cumpre consignar que contamos com a expressiva colaboração dos membros paulistas da Comissão do Pensamento Registral Imobiliário e de Assuntos Legislativos do Instituto de Registro Imobiliário do Brasil (CPRI/IRIB), que forneceu importante contribuição para aperfeiçoamento da presente proposta.
Assim, encerramos nossa manifestação e a fazemos com a máxima consideração, colocando-nos ao inteiro dispor para outras informações que Vossa Excelência e Digníssima Equipe de Juízes Assessores entenderem necessárias.
Nesta oportunidade renovamos a Vossa Excelência protestos de elevada estima e distinta consideração.
[2] O relatório “Doing Business 2012: Fazendo a Diferença para os Empresários” é o nono de uma série de relatórios anuais publicados pelo Banco Mundial e a Corporação Financeira Internacional (FIC), uma das instituições que compõem o Grupo Banco Mundial. O relatório analisa os documentos que se aplicam aos negócios de uma economia durante todo o seu ciclo de vida. Disponível em http://portugues.doingbusiness.org/. Acesso em 16.7.2012. NE: v. nota 1, supra, in fine.
[3]Resolução BACEN nº 4.088/2012, Art. 1º: As instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil devem registrar, em sistema de registro e de liquidação financeira de ativos autorizado pelo Banco Central do Brasil: I – as garantias constituídas sobre veículos automotores ou imóveis relativas a operações de crédito. Vide texto integral em http://www.bcb.gov.br/pre/normativos/res/2012/pdf/res_4088_v1_O.pdf.
[9] NE : A Lei 11.977/2009 foi posteriormente alterada. O artigo citado tem agora o seguinte teor: “Art. 38. Os documentos eletrônicos apresentados aos serviços de registros públicos ou por eles expedidos deverão atender aos requisitos estabelecidos pela Corregedoria Nacional de Justiça do Conselho Nacional de Justiça, com a utilização de assinatura eletrônica avançada ou qualificada, conforme definido no art. 4º da Lei nº 14.063, de 23 de setembro de 2020. § 1º Os serviços de registros públicos disponibilizarão serviços de recepção de títulos e de fornecimento de informações e certidões em meio eletrônico.
§ 2º Ato da Corregedoria Nacional de Justiça do Conselho Nacional de Justiça poderá estabelecer hipóteses de admissão de assinatura avançada em atos que envolvam imóveis. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022)
[11] Metadados, do original em inglês: metadata, é uma forma de descrever recursos eletrônicos dispostos na Internet. Na literatura, o termo é genericamente definido como dados sobre dados: um conjunto de elementos que possuem uma semântica padronizada, possibilitando descrever as informações eletrônicas ou recursos eletrônicos de maneira bibliográfica. Os metadados são importantes para a identificação, a organização e a recuperação da informação digital. Facilitam, globalmente, a localização e recuperação das informações eletrônicas. Fonte: http://www.eca.usp.br/prof/fmodesto/textos/livrometadados.pdf.
[13] CC, Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.
[14] A utilização do Assinador Digital Registral da ARISP busca superar a falta do Certificado de Atributo, conforme explicação adiante no corpo do texto.
[15]PDF/A: Aprovado pela ISO em maio de 2005, o PDF/A fornece especificações para a criação, visualização e impressão de documentos digitais para uma preservação de longo prazo. Os arquivistas e os profissionais de gerenciamento de documentos e de conformidade industrial podem usar o Acrobat X para preservar e proteger com facilidade os documentos finais de registro como arquivos independentes, ajudando a garantir o acesso futuro à informação.
[16] Para que servem exatamente os certificados de atributo? As aplicações do certificado de atributo são as mais vastas possíveis, muito embora, ainda, pouquíssimas exploradas. Oferecem soluções de identificação de funcionários dentro de uma empresa, por exemplo, evitando que determinados usuários assinem documentos ou acessem informações que não lhes dizem respeito, tornando assim mais segura ainda a aplicação do certificado digital. Outra vantagem importante do certificado de atributo é a completa preservação do certificado digital pessoal ao qual ele está ligado, uma vez que, se a pessoa deixar de possuir um atributo, por qualquer motivo que for (demissão, revogação de licença de exercício de profissão, mudança de cargo, empresa ou endereço empregatício etc.) somente será preciso revogar o certificado de atributo, permanecendo válido o certificado pessoal. (Fonte: http://www.iti.gov.br/twiki/bin/view/Certificacao/PerguntaQuarentaSete – Acesso em 20.6.2012).
[18] XML, do inglês eXtensible Markup Language, é uma linguagem de marcação recomendada pela W3C para a criação de documentos com dados organizados hierarquicamente, tais como textos, banco de dados ou desenhos vetoriais. A linguagem XML é classificada como extensível porque permite definir os elementos de marcação. Linguagem de marcação é um agregado de códigos que podem ser aplicados a dados ou textos para serem lidos por computadores ou pessoas. Por exemplo, o HTML é uma linguagem de marcação para organizar e formatar um website, já o XML tem o mesmo conceito, mas para padronizar uma sequência de dados com o objetivo de organizar, separar o conteúdo e integrá-lo com outras linguagens. Principais Características do XM: O XML traz uma sintaxe básica que pode ser utilizada para compartilhar informações entre diferentes computadores e aplicações. Quando combinado com outros padrões, torna possível definir o conteúdo de um documento separadamente de seu formato, tornando simples para reutilizar o código em outras aplicações para diferentes propósitos.
Portanto, uma das suas principais características é sua portabilidade, pois, por exemplo, um banco de dados pode escrever um arquivo XML para que outro banco consiga lê-lo.
[19] NSCGJSP, XIV, 5: Os atos notariais serão manuscritos, datilografados ou impressos, em livros de folhas soltas, confeccionados em papel de segurança e especialmente fabricado para a sua lavratura. … 7: Os tabeliães remeterão a todos os cartórios de Notas e Registros de Imóveis do Estado cartões com seus autógrafos e os dos seus substitutos, autorizados a subscrever traslados e certidões, reconhecer firmas e autenticar cópias reprográficas, para o fim de confronto com as assinaturas lançadas nos instrumentos que forem apresentados
[20] Provimento nº 133, de 28.7.1952 da Corregedoria Geral da Justiça do Rio de Janeiro, in Registro de Imóveis (comentários ao seu regulamento), Murillo Renalt Leite, Rio de Janeiro, 1961, Editor Borsoi, p. 92.
[21] LRP, Art. 188. Protocolizado o título, proceder-se-á ao registro, dentro do prazo de trinta (30) dias, salvo nos casos previstos nos artigos seguintes.
[22] Valmir Pontes, Registro de Imóveis : comentários aos arts. 167 a 288 da Lei n. 6015, de 31 de dezembro de 1973. São Paulo: Saraiva, 1982, p.83.
[23] No regime do Decreto 4.587/1939 os atos registrais estavam inscritos em vários livros, o que exigiam buscas em índices e repositórios diversos.
[24] CHICO Y ORTIZ, José María. Estudios sobre derecho hipotecario. 4 ed. tomo I. Madrid: Marcial Pons, 2000, p. 539.
Tenho insistido na tese de que somos uma categoria profissional que experimentou um big bang original com o advento da Lei 8.935/1994. Somos especiais. Galáxias trânsfugas que se singularizam no afastamento progressivo do centro tabeliado.
A regulamentação tópica das atividades atende a um imperativo de singularização. Progressivamente experimentamos uma regulação específica – de que nos dá uma boa referência histórica as próprias Normas de Serviço da Corregedoria-Geral da Justiça de São Paulo, que tratam das atividades em capítulos específicos.
A Lei 8.935, de 1994, por seu turno, consagrou essa regra medular. Dela tratam os artigos 5 e 44, por exemplo. A Corregedoria-Geral de Justiça recentemente confirmou-a categoricamente:
“em sede notarial e de registro impõe-se o respeito ao cânone maior da especialidade por tipo de serviço, não só em atenção à eficiência por peculiaridade de cada serviço, mas também porque as normas de regência da matéria são igualmente decompostas por especialidade. Isso, aliás, desde a disciplina maior da Lei nº8.935/94 (art. 5º e segs.), até aquela pertinente às Normas de Serviço da Corregedoria-Geral da Justiça, cujos capítulos são igualmente segregados por especialidade de serviço, respeitando-se, também em matéria de autorização à entidade de classe (para serviço de apoio necessário às unidades notariais e de registro), o critério da especialidade (v.g., autorizações ao Colégio Notarial em sede de serviços de notas [item 26-A a 26-E, 35.1 e segs., 49.1, “b”, 59.1, “b”, 73 Cap. XIV, NSCGJ], à Arpen em sede de registro civil de pessoas naturais [item 149, 151, 152, Cap. XVII, NSCGJ], à Arisp em sede de registro de imóveis [item 146-B e 146-F, Cap.XX, NSCGJ])”. (Processo CG 888/2006, dec. de 31/7/2007, DJe 9/8/2007, Des. GILBERTO PASSOS DE FREITAS – acesso: http://kollsys.org/9o5).
Assim estamos em face de uma tentativa, que se espera debalde, de dessinalar as atividades especialmente notadas na prática e na lei. A Internet não há de transformar tudo nalgo só. A malsinada ideia de se criar uma infraestrutura única, um mega-cadastro nota-registral, aguerridamente defendida pelas entidades de classe, com o apoio no conceito de uma total web service é só o que realmente é: uma ideia totalitária.
Discutimos detidamente, no transcurso do seminário A Nova Ordem Jurídico-Urbanística: um seminário para juízes, promotores e registradores, realizado entre os dias 27 e 28 de novembro de 2003, em São Paulo, Capital, nas dependências do Hotel Ca’d’Oro, a insurgência de uma nova ordem jurídico-urbanística, o que me deu a chance de poder discorrer, ainda que de maneira ligeira, sem o compromisso de aprofundar as múltiplas questões que envolvem o tema, sobre a necessidade imperiosa de se pensar numa nova ordem jurídico-registral no Brasil. O Estatuto da Cidade e a Medida Provisória 2.220, ambos de 2001, valorizaram nitidamente as atividades notariais e registrais, confirmando a importância das instituições encarregadas desse nobile officium no novo cenário jurídico-político que se desenha após o advento do marco legal das cidades brasileiras. Sérgio Jacomino[*]
Palavras-Chaves: Nova ordem jurídico-registral, Estatuto da Cidade, Lei 10.257/2001, Lei 8.935/1994, Retificação extrajudicial, Georreferenciamento, Regularização fundiária, Autonomia registral, Regulação federal, Informatização, Cadastro x Registro, Lei 10.267/2001, CNJ e corregedoria.
A vis atractiva do Registro de Imóveis brasileiro
Um rápido passar de olhos nesses diplomas dá-nos a medida da importância creditada pelo legislador a essas instituições. Exemplificativamente, os instrumentos jurídicos previstos no artigo 4º do Estatuto da Cidade, instrumentos que a lei qualifica de institutos jurídicos – como a desapropriação, a servidão e limitações administrativas, tombamento de bens imóveis, instituição de unidades de conservação, concessões de direito real de uso e de uso especial para fins de moradia, parcelamento, edificação ou utilização do solo urbano, usucapião, direito de superfície, preempção, outorga onerosa, alteração de uso, entre outras e especialmente a regularização fundiária -, são instrumentos que, revalorizados pelo Estatuto da Cidade, já eram velhos conhecidos dos registros prediais e que agora chegam às suas portas robustecidos com o inegável sentido de potencializar o efeito de cognoscibilidade de situações jurídico-urbanísticas inerente à atividade da publicidade registral.
Descobre-se na lei 10.257/2001 uma valorosa confirmação do valor da concentração registral, seja atraindo os fatos jurídico-urbanísticos que apresentam, como não poderia deixar de ser, um nítido cariz público, modulando o exercício das faculdades de domínio, seja relevando a importância social da instituição registral na tutela pública de interesses privados, seu eixo mais fundamental, convertendo-a em peça indispensável para a consumação do que aqui se chama de nova ordem jurídico-urbanística.
Não pretendo descer às minudências dos dispositivos da Lei 10.257/2001 que apontam diretamente para o Registro de Imóveis, estudando, particularmente, as hipóteses de inscrição que estão previstas expressamente na lei. Pretendo, diversamente, sugerir elementos para fomentar os debates e discussões.
Não é por acaso que introduzi a idéia de uma nova ordem jurídico-registral no contexto destas discussões temáticas sobre o moderno urbanismo. Assim como o Estatuto da Cidade depositou clara ênfase no sentido de ordenação, equilíbrio, padrão, harmonia, organicidade – com vistas ao “pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana” (art. 2º, caput), fazendo propositado contraste com o modelo de intervenção pública desarticulada, atomizada, distorcida, descoordenada, entrópica –, também a atuação do registro de imóveis não poderá por muito mais tempo resistir incólume, à míngua de uma regração harmônica, sistemática, ordenadora das suas funções, igualmente públicas, igualmente relevantes do ponto de vista social. Enfim, não avançaremos sem o reconhecimento de uma nova ordem jurídico-registral.
É possível apanhar o estado de desarticulação do sistema registral sob dois ângulos distintos. Primeiro, na antevisão do novo espartilho constitucional e legal, que instaurou um novo paradigma para as funções registrais no país – o que ainda não se logrou compreender perfeitamente. Depois, vamos verificar como a atuação concreta dos registradores vem experimentando uma deletéria desarticulação, prejudicando o pleno exercício da atividade, obstaculizando, no limite, a certeza jurídica, a garantia e a tutela de interesses privados, o que vem ocorrendo no bojo de um processo de desmonte sistemático de instituições jurídico-sociais, como é o caso das atividades notariais e registrais, com sujeição administrativa e violação de seus mais caros postulados. A campanha pública que se faz no sentido de simplesmente extinguir tais atividades é um claro sinal desse desmonte.
Dispersão regulamentar e a entropia registral
Hoje, mais do que nunca, sentimos a necessidade – e isso é um imperativo de ordem econômica, para não deixar escapar essa variável importante das discussões – que os serviços registrais e notariais possam se harmonizar, adotando procedimentos-padrão, consagrando uma infra-estrutura de funcionamento adequada e harmônica para todo o território nacional. Aliás, consentaneamente com o que dispõe o inciso XXV do artigo 22 da CF/88, que fixa a regra de competência privativa da União para legislar sobre registros públicos.
O sistema não se pode compadecer com a existência de procedimentos registrais sujeitos a multifária fonte decisória e regulamentar. O modelo adotado pela Lei 8.935/94 acarreta uma notável dispersão procedimental, o que acaba gerando insegurança, imprevisibilidade, sérios obstáculos para a implementação de políticas públicas (como p. ex. a regularização fundiária), além de acarretar crescentes e insuportáveis custos de transação na complexa cadeia de alienações, aquisições e oneração de bens imóveis[1].
Como todos sabem, a Lei 8.935/94 dispôs que os notários e registradores devem obrigatoriamente observar as normas técnicas estabelecidas pelo juízo competente (art. 30, XIV). Essa disposição legal aprofundou uma já sentida assimetria, acarretando grave disfunção no sistema, pois, concretamente, estabelece que cada juiz, em cada comarca deste vasto país, pode baixar normas técnicas para o funcionamento dos cartórios de registro de imóveis. Vale dizer, poderemos ter, em tese, um registro imobiliário afeiçoado, de modo idiossincrásico, a cada comarca do país, agravando o harmônico funcionamento dessas instituições.
Nunca se objetou que a fiscalização pudesse continuar a cargo da administração pública – especialmente do Judiciário, por tudo que representa, historicamente, para as atividades notariais e registrais. Mas a disciplina normativa, digamos propriamente regulamentar, deveria estar a cargo de uma fonte estável e unívoca, sem prejuízo independência e autonomia decisórias, fatores indispensáveis, que o registrador e notário devem ter garantidas para o justo desempenho de seu ofício.
A ninguém ocorreria que no âmbito das comarcas ou termos pudesse haver regulamentação da legislação civil (art. 22, inc. I, XX da CF/88), criando novos direitos reais, ou modificando, por via de regulamentos tópicos, o seu conteúdo, dispondo sobre regras de sucessão, direito de família etc. Em entendimento sincrônico, não deveria ser facultado aos Estados, por meio de instâncias administrativas, situadas em qualquer nível do aparelho estatal, desempenhando qualquer função no âmbito da Administração, dispor sobre regras procedimentais dos registros públicos.
Essas imperfeições e desajustes infraestruturais geram consequências deletérias. À parte da perspectiva legal e constitucional, encontramos uma profunda resistência à adoção de modelos modernizadores dos serviços registrais, divergindo da clara figuração constitucional de delegação de serviços públicos a particulares.
Vemos prosperar denúncias de fraudes presumidamente perpetradas por cartórios, acentuadamente em regiões remotas do país, a demonstrar que o sistema, em sua inteira pureza e rigor sistemáticos, não logrou alcançar o alto grau de desenvolvimento que ostenta em outros países e mesmo em regiões localizadas nos grandes centros urbanos do Brasil, onde os serviços são efetivamente delegados a agentes particulares capacitados para colaborar com a administração pública.
Nos rincões afastados é bastante comum a falta de profissionais qualificados, exiguidade de infraestrutura material, humana e tecnológica, dispersão geográfica dos serviços registrais, irracionalidade administrativa na concessão dos serviços, criação, anexação, extinção de cartórios à margem da lei, atomização e falta de integração em redes informáticas, falta de interesse profissional para se submeter a concursos públicos e ocupar posições de registradores e notários etc.
A combinação aziaga desses fatores tem acarretado que muitos desses serviços sejam prestados de maneira inadequada, desempenhados por profissionais não qualificados, indicados muitas vezes pelos Tribunais de Justiça, de cujos quadros ordinários são extraídos os escreventes e escrivães que atuam no foro extrajudicial.
Os registros públicos imobiliários padecem com os efeitos de atomização dos serviços, sofrem com o fenômeno de entropia de fontes variegadas de regulação, decisão e normação, profusão de regras estadualizadas e em parte contraditórias, prestação de serviços por agentes públicos não especializados em localidades em que o registro é estatizado, alheamento dos principais atores (os próprios registradores) nas discussões institucionais, não-participação efetiva desses profissionais na realização de concursos etc.
Em virtude de ainda não se ter atingido a plena maturidade institucional – em decorrência da falta de um claro marco legal – tudo isso tem levado o registro imobiliário a sofrer injustas censuras e de se ter instaurado um indisfarçável processo de sucateamento do sistema, com críticas acérrimas e obtusas.
Já tive a ocasião de assinalar que o impulso selvagem de derriçagem dos registros imobiliários se instaura sem que ao menos se dessem condições de conhecê-los em profundidade e de compreendê-los como importantes agentes do desenvolvimento econômico e social. Isso na melhor das hipóteses, quando não se instaura o processo para atingir justamente o objeto de sua atuação. Derriba-se o modelo consagrado de registro pátrio para se erigir, desde logo, outro, curiosamente também desconhecido, fruto de arremedo de modelos malsucedidos (e pior ainda compreendidos). O leste europeu nos dá exemplos eloquentes de desestruturação da propriedade pelo aniquilamento de seus sistemas registrais. Pode-se dizer dessa tendência, vistosa nestas latitudes, o que já se disse alhures: corremos o risco de sairmos da fase de estruturação e desenvolvimento da instituição registral para cair na plena decadência – sem que nos déssemos, ao menos, a oportunidade de experimentar o seu apogeu, com o pleno desenvolvimento e maturidade.
Nessa quadra se inscrevem as idéias de submissão dos registros às prefeituras municipais, intervenção direta do Estado nos misteres registrais e notariais, ou simples absorção dos cartórios por órgãos cadastrais, estatização que se pode dar em vários grados etc.
A modernização do sistema registral não prescinde de padrões tecnológicos
A atomização e fragmentação do sistema registral é patente. Os cartórios não estão integrados. Não adotam sistemas padronizados para atuação coordenada. Com o advento da informatização, essas instituições não se desenvolvem segundo regras preestabelecidas – nem adotam protocolos de interconexão, condição indispensável para respostas instantâneas a demandas por informação registral.
Em face dos complexos processos econômicos, acentuadamente globalizados, responde o Registro brasileiro de maneira disfuncional. Não há procedimentos estandardizados. O output do sistema é desconcentrado e dispersivo e os seus protocolos não podem ser reduzidos a padrões lógicos de conversibilidade e portabilidade. Com efeito, a informação registral não circula confortavelmente em redes eletrônicas, aumentando os custos de transação e informação, degradando, na outra ponta, o grau de certeza, rapidez e confiança dos operadores.
Não raro, nesses casos, o sistema econômico acaba por edificar outros mecanismos de informação jurídica e patrimonial, afastando o Estado de uma atividade que, por sua própria natureza, e por envolver a tutela de direitos e interesses públicos e privados, deve merecer os cuidados da sociedade organizada.
O advento da informática teve o condão de pôr-nos à mostra as deficiências e anacronismo da Lei 6.015/73: excessiva como norma, exígua como regulamento, a Lei de Registros Públicos necessita urgentemente ser reformada. Divisam-se enormes lacunas. A lei que nos deu impulso para superação de velhos paradigmas do registro fundiário está a merecer nossos melhores cuidados. A lei envelheceu.
Tal descompasso tem alimentado o vigor normativo-administrativo estadual, dando ensanchas a alguma improvisação e a interpretações assistemáticas em cada localidade (comarca) em que se acha um registro.
Até o advento da Lei 8.935/94 era comum uma discreta normatização estadual, seja em decorrência de decisões normativas, seja em decorrência de uma acertada concentração em razão da matéria em órgãos colegiados dos tribunais estaduais. Especificamente no Estado de São Paulo, tais medidas apresentaram excelentes resultados, com a fixação de uma norma procedimental de referência (normas de serviço) que serviu de base para outros Estados. Com justiça fala-se em uma escola paulista de direito registral, pelo desenvolvimento de uma doutrina que vicejava e dava seus frutos em respeitável corpo jurisprudencial.
De outro lado, uma enorme avalanche legislativa brindou-nos, nos últimos anos, com microssistemas que afetam diretamente o registro imobiliário, como a Lei de Incorporações e Condomínios, a Lei de Parcelamento do Solo Urbano, o Estatuto da Terra e o Estatuto da Cidade, as leis do SFH e SFI e muito especialmente a recente Lei 10.267/2001. Em face de todos esses diplomas legais, estamos desarmados de um regulamento harmônico que pudesse assentar, em sólidas bases sistemáticas, as regras de funcionamento dos registros imobiliários, tornando-os perfeitamente aptos e aparelhados para dar uma resposta consistente a todas essas demandas.
Para fazer frente aos novos desafios, e como projeções homólogas do modelo superado pelo novo molde constitucional e pela Lei 8.935/94, temos uma profusão normativa estadual, que se expressa por meio de decisões promanadas do juízo competente. Tais decisões administrativas, singulares ou coletivas, que ostentam um caráter normativo, visam a cumprir o preceito consagrado no art. 30, XIV, da Lei 8.935/94, que sujeitou os notários e registradores ao cumprimento das normas técnicas baixadas pelo juízo competente.
Migrando da galáxia judiciária, as atividades notariais e registrais, tradicionalmente reputadas como órgãos auxiliares da Justiça, com limites rígidos, com atribuições definidas na Organização Judiciária de cada Estado da Federação, hoje se encontram sem um centro de gravidade. Historicamente figurando ao lado dos secretários, escreventes, amanuenses, contínuos, escrivães, meirinhos, distribuidores, partidores, contadores, depositários públicos, etc., hoje os notários e registradores estão se afastando do núcleo duro do Judiciário, sem ter conseguido encontrar, ainda, uma referência que pudesse sinalizar autoridade e que pudesse, portanto, instaurar o estalão para referência de procedimentos em escala federal. Simplesmente ficamos desfalcados de um bom sistema de organização colegiada, corporativa, em virtude de preconceitos e temores injustificados.
A regra do citado artigo 30, XIV, da Lei 8.935/94 rendeu-se a um natural tropismo, estimulado historicamente pelo contubérnio das atividades notariais, registrais e judiciárias, e deve ser reformada. Uma coisa é a fiscalização; outra, muito diferente, é a disciplina regulamentar e normativa. Uma coisa é o zelo pela continuidade e regularidade dos serviços, outra a sujeição hierárquica que anula, na prática, a independência de atuação do profissional do direito. Uma coisa não deve necessariamente implicar a outra, ainda que possamos relevar e considerar uma certa “conaturalidade” das atividades registrais, notariais e judiciais, especialmente no histórico do direito brasileiro e português.
Regulação uniforme – exemplos
De qualquer maneira, as políticas públicas, que demandam um craveiro unívoco – como é o caso das políticas de regularização fundiária – para que possam ser desenvolvidas harmonicamente em todo o território, devem concretizar a regra do próprio artigo 22 da CF/88, que dispõe que compete privativamente à União legislar sobre registros públicos e direito civil, salvo eventual lei complementar que poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas no referido artigo (parágrafo único do referido art. 22).
Bastaria lembrar a experiência bem-sucedida que se deu entre nós com a regulamentação, via Ministério da Justiça, da microfilmagem e, especialmente, da autorização, via portaria ministerial, para instalação de equipamentos e para a realização de serviços micrográficos nos cartórios brasileiros. Tal antecedente, pelos excelentes resultados, dá-nos uma referência importante que deveria ser estudada detidamente. Aqui precisamente houve uma regra uniforme e harmônica, com regulamentação plenária, vinculada naturalmente a órgão da União Federal. Vale estudar a Lei 5.433/68 e o Decreto Federal 1.799/96 como indicação de caminhos bem-sucedidos que podem ser experimentados quando o tema versar, por exemplo, sobre documentos eletrônicos, firmas digitais, certificação, normas procedimentais para regularização fundiária etc.
Experimentamos um momento propício para discutirmos a necessidade imperiosa de um regulamento de registro imobiliário e de um regulamento específico da Lei 8.935/94, dando maior coerência sistemática aos serviços, agilidade aos processos de registro, estabelecimento de padrões procedimentais, regulação de informatização dentre outras necessidades.
Georreferenciamento e retificação de registro
Poderíamos citar inúmeros exemplos, colhidos na experiência recente dos registros, para demonstrar como o sistema necessita ser repensado. Ficamos com a retificação de registro, à margem de muitos outros exemplos que poderão ser oportunamente discutidos.
O advento da Lei 10.267, de 2001, nos impõe a necessidade de um novo olhar para flagrar e compreender o sistema registral e a atividade do registrador em seu sentido primordial. Permitam-me traçar o quadro legal criado no contexto desse microssistema:
Primeiro, o § 4º do art. 176 da LRP estabelece, com a introdução feita pela Lei 10.267 referida, que a especialização objetiva (georreferenciamento) tornar-se-á obrigatória para efetivação de registro, em qualquer situação de transferência de imóvel rural, nos prazos fixados por ato do Poder Executivo.
Ou seja, em qualquer hipótese de alienação, desmembramento, parcelamento ou remembramento de imóveis rurais, a identificação do imóvel prevista na própria LRP “será obtida a partir de memorial descritivo, assinado por profissional habilitado e com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, contendo as coordenadas dos vértices definidores dos limites dos imóveis rurais, georreferenciadas ao Sistema Geodésico Brasileiro e com precisão posicional a ser fixada pelo INCRA”.
Vê-se que a regra, consubstanciada no §3º do próprio artigo 176 da LRP, absorveu inteiramente o procedimento tradicional de determinação objetiva. Estamos já nos domínios de uma novilíngua de coordenadas, vértices e variáveis, cuja tradução em linguagem natural redundará em novas e aperfeiçoadas descrições dos imóveis rurais, o que acarretará a retificação do registro (suposto que a matrícula é ato de registro lato senso).
Será que deveremos sujeitar todos os interessados ou proprietários de imóveis rurais que possam ser alienados, ou desmembrados, ou remembrados, ou mesmo parcelados, ao procedimento judicial retificatório tendo em vista que as descrições e a área, em todos os casos, serão alteradas?
Basta pensar em escala, tendo em perspectiva estatísticas do próprio Ministério de Desenvolvimento Agrário, que apontam para a necessidade de se regularizar perto de 1,5 milhões de propriedades rurais. O Banco Interamericano de Desenvolvimento registrou, em documento recentemente publicado, que “é necessário que se analisem os mecanismos alternativos para agilizar e fazer de forma transparente, bem como ao mínimo custo unitário possível, o processo de regularização fundiária do Programa. O mecanismo selecionado deverá assegurar uma pronta solução dos problemas de retificação e outros eventuais identificados a partir do cadastramento dos 3,4 milhões de imóveis de domínio particular. Também, deve assegurar-se a pronta entrega de um título de domínio pleno sobre a terra para os ocupantes de 1,5 milhões de imóveis sem título” (Boletim eletrônico do IRIB n. 701, de 2003).
Quanto recurso público será consumido com a deflagração de procedimentos judiciais de retificação? Trazendo o foco para a regularização de imóveis urbanos, veremos que o mesmo problema se impõe: os custos inatingíveis de levantamento, regularização urbanística, regularização fundiária, lavratura de contratos, registros de títulos, dentre outros, encontra, via de regra, um outro elemento potencializador das dificuldades – os custos com a retificação judicial de registro, mesmo quando a área em apreço induvidosamente seja pública. O processo se torna inviável economicamente, o que explica, mas não justifica, o malogro generalizado das recentes experiências de regularizações fundiárias que não puderam atravessar a malha cerrada de burocracia e excessivo apego a fórmulas arraigadas numa praxe judicial-cartorária que precisa ser revista.
Cadastro físico e registro de direitos
Ao radicalizar a idéia de que as atribuições básicas de determinação física da parcela é tarefa de um verdadeiro sistema cadastral (o que o registro nunca foi, nem jamais poderia ter sido – o que deve ser reputada, tal confusão, a uma apressada e equivocada leitura do sistema tudesco), a nova lei nos impõe novos paradigmas para operar o sistema registral, obrigando-nos a abrir mão de consagrados entendimentos, tão mais arraigados em nossa cultura cartorária, quanto inadequados para dar conta dos desafios de melhor determinação do objeto físico da matrícula e, via de conseqüência, de consagrar maior segurança jurídica. O registro é de direitos. O cadastro é bem outra coisa! Por isso, hoje somos obrigados a repensar o relacionamento dos registros com sua contraparte essencial e natural: o cadastro físico.
Um novo olhar deve repousar sobre as normas a fim de desentranhar novos significados, sentidos inesperados. A indispensabilidade da retificação judicial, por exemplo, iterativamente afirmada com apoio na literalidade do parágrafo 3º do artigo 213 da Lei de Registros Públicos, pode ser superada pelo novo paradigma da Lei 10.267/2001.
Retificação de registro extrajudicial
Esse dispositivo sempre esteve condicionado por uma interpretação extremamente restritiva. A lei não indica de onde pode exsurgir o erro que se torna evidente. Do título? Do registro? De ambos? Desconsidero, aqui, propositadamente, uma respeitável construção doutrinária que pôs um espartilho confortável para condicionar a retificação sempre pela via judicial. Problematizo-a. O erro evidente, que se torna explícito e perfeitamente perceptível com o concurso dos instrumentos que a Lei 10.267/2001 criou, pode ser corrigido pelo oficial do registro, com a cautela de verificar sua adequação e cabimento, além da expressa concordância dos confrontantes[2]. Erro aqui deve ser entendido em seu sentido próprio de incorreção, inexatidão. Daí que se possa adequar o procedimento de retificação àquelas situações em que se apura uma inexatidão do registro pela tradução matemática dos levantamentos georreferenciados. Retificar é, pois, pôr em linha reta, endireitar, tornar o registro reto, certo.
O vetor interpretativo, que haverá de afetar todo o sistema coordenado dos parágrafos do citado artigo 213, se articula na idéia básica de que estamos diante de uma nova semiologia, a linguagem descritiva mudou em virtude da mutação do código. Não mudou o objeto, mas aperfeiçoou-se a maneira de descrevê-lo. É preciso, para não infirmar toda a sistemática da Lei 10.207/2001, encarecer uma interpretação que deposite toda a ênfase no caput do art. 213, pois o erro constante do registro, desde que não acarrete prejuízo a terceiros, poderá ser corrigido pelo próprio oficial registrador, com as cautelas de estilo. Os parágrafos do art. 213 simplesmente modulam a regra, criando procedimentos adicionais quando não se verificar a justa hipótese do caput. Assim, a alteração da descrição, divisas ou área, será sempre judicial quando se verificar a existência de conflitos e prejuízos. A regra de socorrer-se do procedimento judicial deverá ser, então, excepcional. Para desencadeá-lo, ter-se-á o conflito atual, não a sua mera presunção. Melhor dito: inverte-se a presunção; dá-se a presunção iuris tantum de não-conflito quando os interessados comparecem ao notário (§ 5º e 7º, art. 9º do Decreto 4.449) e manifestam sua vontade livre das peias burocráticas.
Trata-se, no limite, da recuperação do sentido da livre disposição de direitos e autonomia da vontade. Se o confinante pode extrajudicialmente o mais (alienar), por qual razão não poderia o menos (retificar ou permitir retificar)?
Ao refletir sobre essa questão singela, seremos levados a repensar o modus operandi do próprio registro, além dos limites de atuação do registrador e suas respectivas responsabilidades.
Corregedoria dos serviços registrais
Uma nova ordem jurídico-urbanística, leva-nos a pensar em uma nova ordem jurídico-registral. Estimula-nos a refletir sobre o novo perfil do registrador imobiliário que surge com a Constituição de 1988. Tal fato, contudo, não nos deverá subtrair dos horizontes especulativos a necessidade de descerrar um novo e original sentido para a função corregedora. Temos um novo registrador, mas temos em igual medida um novo juiz-corregedor; devemos assentar em outras bases o relacionamento institucional, delimitando claramente as atribuições de cada ator, sob pena de, não o fazendo, reafirmarmos um modelo ultrapassado de simples sujeição hierárquica, sacrificando a singularidade da atividade registral e notarial, que deve ser exercida com autonomia e independência funcional, fiscalizada pela Administração judiciária.
Este desafio está posto diante de nós. É preciso coragem para enfrentar os obstáculos, vencer os preconceitos e colocar os olhos no sumo interesse público que a todos motiva e inspira.
Notas adicionadas
[1] Nota do autor 1: Alguns anos após o evento A Nova Ordem Jurídico-Urbanística: um seminário para juízes, promotores e registradores (2003) houve o advento da EC 45, de 2004, que atraiu, para o âmbito do Poder Judiciário, as questões relativas à regulação das atividades registrais com a criação do Conselho Nacional de Justiça (art. 103-B). Em parte, as críticas e reparos feitos aqui serão resolvidas com provimentos da Corregedoria-Nacional e provimento do próprio Conselho.
[2] NA 2: O advento da Lei 10.931/2004 inovou o tratamento da matéria. O art. 213 e seguintes da Lei 6.015/1973 agora permite o processamento da retificação de registro na via extrajudicial. Tal alteração representou um avanço inestimável e proporcionou maior celeridade e economicidade no processo retificatório.
Autoria e addendum
[*] Sérgio Jacomino é o Presidente do Instituto de Registro Imobiliário do Brasil, registrador e professor universitário. O texto é transcrição de pronunciamento no seminário A Nova Ordem Jurídico-Urbanística: um seminário para juízes, promotores e registradores, realizado em São Paulo, Capital, entre os dias 27 e 28 de novembro de 2003. O texto mereceu algum reparo ortográfico, mantida a redação original. Recebeu duas notas de rodapé para contextualizar a matéria e guiar o pesquisador. Atualizado em 18/8/2017.